Os Sentimentos

          Adriana Falcão

  SAUDADE é quando, o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e
   não consegue;
  LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um
   capítulo;
  ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego;
 
PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de  seu
   pensamento;

 
INDECISÃO é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer
   outra coisa;
  CERTEZA é quando a idéia cansa de procurar e pára;
  INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido;
  PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que
   nem exista;
  VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;
  ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
  INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento;
  SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
  RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
  TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração;
  FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma;
  AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;
  CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia;
  LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário;
  RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o
   mandato;
  VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele;
  PAIXÃO é quando apesar da palavra 'perigo' o desejo chega e entra;
 
AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

REVISTA DE SAÚDE MENTAL   Nº44

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Ângela Kerber de Marigny

DIRETOR ADMINISTRATIVO
Eduardo Robillard de Marigny

CONSULTOR EDITORIAL
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COLABORADORES PERMANENTES
Maria Cecília Astete Salazar
Lilian Bertezlian

JORNALISTA RESPONSÁVEL
Paula Svetlic

 

 

CAPAS E ILUSTRAÇÕES
Eduardo Robillard de Marigny

COLABORADORES
Paula Furtado, Arnaldo Chagas, Maria Cecilia Astete Salazar  , Marina S. Rodrigues Almeida, Joyce Mobley, Antonio de Andrade

INTERNET
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ENTREVISTA COM O AUTOR:     Me Adorolescente
HOJE:       Adolescência Um fenômeno contraditório

 ABORDAGENS:  Resignificando Valores na Família:  
Em Busca de  Uma Nova Ética

PONTO DE VISTA:   Apego-Casamento : Breve análise da mulher Hera nos dias de hoje
ESTADO DE ALERTA: A Pré-história do Desenvolvimento Emocional da Criança
ALTERNATIVOS:  É Preciso Mudar o Enfoque da Violência
Agenda
Plano Vivência
Editorial
Capa 

  

   
    Me  Adorolescente

    Paula Furtado

Catharsis - Como surgiu a idéia e o objetivo do livro?     
Paula -  A idéia de escrever este livro

surgiu da minha experiência como psicopedagoga em consultório particular.Geralmente quando o adolescente chega à clínica , ele já vivenciou anos de fracasso escolar.Por essa razão, sua auto-imagem apresenta-se muito negativa, ele não se acredita mais, duvida de suas habilidades e potencialidades, generalizando uma dificuldade sua para outras áreas que domina.

            Isto fica muito nítido para mim quando enquanto profissional questiono uma resposta correta apenas para entender o caminho ou a estratégia usada para chegar ao resultado e imediatamente o adolescente muda a resposta por achar que seus pensamentos não merecem crédito.

            Antes de trabalhar qualquer dificuldade de aprendizagem , devemos fazer um resgate na auto-imagem do paciente.Faze-lo acreditar que é capaz, que possui dons e habilidades específicas que podem ajuda-lo a superar suas dificuldades.

            Mostrar que existem diferentes maneiras de aprender, ele só tem que descobrir a sua. Usando dinâmicas que permitem uma maior reflexão sobre suas vidas, dúvidas, conflitos e incertezas, percebemos um maior envolvimento do paciente com sua história.Um reavaliar e conseqüentemente uma mudança de postura. Uma auto- valorização como pessoa  e como aprendiz.

            E ao se enxergar como “ser capaz”, ele fica mais aberto a perceber seus “dons ocultos” que não aparecem até que alguém dedique atenção e os perceba.Descobre então, que o segredo está em acreditar, reconhecer seu valor, trabalhar em harmonia consigo mesmo é ser feliz!

            E existe outro sentido para vida?Não, nós nascemos para sermos felizes e quando isto não acontece alguma coisa está errada.

            E como podemos ser feliz se não nos amamos o suficiente?E como podemos nos amar se não nos conhecemos o necessário.

Catharsis - Há quanto tempo você escreve para crianças?

Paula -  Sempre inventei e escrevi histórias para meus alunos(atuei doze anos como professora de educação infantil e ensino fundamental).Porém, há cinco anos escrevi uma coleção infantil intitulada “Na Ponta da Língua” trabalha as dificuldades em discernir determinados pares de letras com sons parecidos (surdas-sonoras).

            Com forte influência pedagógica comecei a criar histórias que além de divertir a criança atuem como instrumentos auxiliares nas tarefas de alfabetização e consolidação das habilidades do aluno em comunicar-se oralmente e por escrito.Além de trabalhar de forma lúdica a gramática e a ortografia.

            Também escrevi livros sem o enfoque pedagógico, mas com temas que envolvem o emocional, como: diferenças individuais, respeito, etc.

Catharsis - Por que você colocou tantos exercícios no livro?

Paula - Quis fazer um livro interativo, que não fosse um receituário ou um Manuel de como ser feliz, isto não existe.Porque existem as diferenças individuais e portanto diferentes conceitos de felicidade.

            O meu objetivo é que o leitor reflita sobre sua vida e construa seus próprios conceitos.

            As dinâmicas que coloquei no livro são muito utilizadas por mim no consultório e eu tenho a oportunidade de vivenciar os momentos de descobertas, os” insights” que elas proporcionam.

            Resolvi também colocar alguns trabalhos de pacientes meus para que tivessem alguns parâmetros de comparação sobre diferentes temas e universos.

Catharsis - Por que você tratou alguns sentimentos como lixo?

Paula - Nomear alguns sentimentos como lixo foi com o objetivo de trabalha-los, não nega-los.

            Costumo fazer com meus pacientes um paralelo do nosso corpo com nossa casa, perguntando-lhes se costumam guardar lixo em casa .Quando temos um sentimento negativo e não o trabalhamos, ele é guardado em nosso corpo em forma de mágoas, raivas, ressentimentos, tristezas, etc.E terminam nos fazendo mal, ao menos que o reciclemos.

 Catharsis -  O que você quis dizer com estamos “representando  nossos papéis sociais “?

Paula - Como criei um livro interativo de construção da história de vida e a comparei com a escrita de um livro onde exercemos os papéis de autores e protagonistas.Resolvi usar a expressão de representar nossos papéis sociais porque alguns deles já foram escritos independentes de nossas vontades, como: filho, neto, afilhado,etc.Não tem como mudarmos este enredo, mas atuarmos no meio deste elenco representando nossos papéis já pré-estabelecidos,ou seja vivendo...

            Foi apenas uma metáfora para explicar a distribuição de papéis, porém no livro fica claro que o enredo, o desenrolar dos capítulos e a maneira como vamos atuar na nossa vida vai depender apenas de nós mesmos.

 Catharsis - Como você explica o titulo Me Adorolescente?

Paula - Quis brincar com as palavras me adoro que está relacionado com o se gostar, descobrir o seu melhor e o me adolescente que seria uma apropriação do eu (me-inglês) com o adolescente(eu adolescente).Seria uma negação ao jargão aborrecente, tão pesado para uma fase já tão complexa, de tantas mudanças (física, social e biológica), dúvidas e incertezas. 

 Catharsis - Qual seu próximo projeto?

Paula - Em outubro será lançado um livro  que é um projeto voltado para mulheres.

Paula Furtado - Psicopedagoga,
paularijofurtado@bol.com.br

   

   Adolescência -  Um fenômeno contraditório
   Arnaldo Chagas
  
 
Problematizando o conceito

  Atualmente se fala muito em adolescência, em crise adolescente. As tentativas de lançar luz sobre o fenômeno trazem consigo uma infinidade de questões, atuais e complexas, que envolvem, sobretudo, os jovens de nossa sociedade. É comum relacionarmos adolescência com drogas, sexo, educação, problemas de imposição de limites, violência, delinqüência, etc. Mas afinal! O que significa adolescência? É possível uma determinação consensual a respeito desse conceito? Podemos pensar a adolescência hoje como pensávamos tempos atrás?

Existe, na literatura especializada, uma vasta bibliografia que busca definir o fenômeno da adolescência, contudo, nela encontramos inúmeras reflexões que apontam para controvérsias passíveis de debates e questões interessantes.

Muitas tentativas de resposta já foram produzidas, porém, nenhuma delas conclusiva. Etimologicamente falando, adolescência provém do verbo “adolescerê”, que significa brotar, fazer-se grande. Em geral, acredita-se que o fenômeno da adolescência é um processo de mudança que marca a passagem da infância para a fase adulta, esse processo é sinal distintivo das sociedades consideradas menos evoluídas, pois, em inúmeras tribos, podemos identificar ritos de passagem que denotam esta operação definitivamente.

Com efeito, mesmo em termos de idade, não existe um consenso determinando o período exato de duração da adolescência. Mesmo assim, vários autores preferem concordar com a idéia de que a fase adolescente inicia depois da infância, por volta dos 12 (dose) anos e termina por volta do 18 (dezoito). Em termos de lei, semelhante à posição anterior, levando em conta o estatuto da criança e do adolescente, adolescência seria o período de vida que dura entre – aproximadamente – 12 (dose) anos e os 18 (dezoito) anos de idade. Essa afirmação pode até ser interessante em termos de lei, porém, não é nada esclarecedora para os profissionais que lidam com adolescentes, exatamente pela complexidade e pelas controvérsias importantes que são  apresentadas pelo referido fenômeno.

O que se verifica é uma verdadeira indefinição sobre o conceito de adolescência. Encontramos posições que são diversas das primeiras, são posições de autores que não privilegiam a idade como um critério exato e rígido que determinaria o referido período, para eles, a adolescência não é uma fase natural do crescimento humano, ela diz respeito a um processo cultural, assim referida, pode ser considerada como um fenômeno moderno que, aliás, surgiu e se desenvolveu nos E.U.A a partir do início do século XX. Essa posição, que também pode questionada, propõe uma compreensão da adolescência como uma invenção da modernidade. Atualmente verifica-se uma tendência em concordar com essa idéia, outros autores, todavia, preferem concordar apenas em parte.

O psicanalista Francisco Settineri (1999), tratando da “adolescência como posição subjetiva”, é um dos que fazem parte desta última categoria. Em seu texto, apresenta um dado esclarecedor sobre o que estamos tratando, sobretudo, quando identifica, outrora, preocupações dos pais em relação aos jovens. Destarte, aponta como referência a Comédia “As nuvens”, de Aristófanes, lembrando que, na primeira encenação data 423 A. C., logo no inicio do texto, pode ser identificada a queixa de Strepsíades a respeito de seu filho Fidípides, quando este passa a contrair dívidas em que seu pai, deveras preocupado, terá que pagar para sustentar os caprichos do filho. Fidípides gasta com cavalos, cocheiras. O Pai reclama: “coitado de mim, não posso dormir atormentado pelas despesas contraídas por meu filho (...). [ele exibe] “sua longa cabeleira (...) guia um carro, sonha com cavalos, enquanto eu estou minguando ao ver a lua trazendo os dias dos vencimentos, ao mesmo tempo que as dívidas e os juros se amontoam” (Ibidem., 999, p. 169)

O fato é que a preocupação com os filhos jovens, embora diferentes das de hoje, é milenar, portanto, a adolescência, vista nesta perspectiva, não pode ser considerada como um fenômeno exclusivamente moderno ou pós-moderno. Outrora, a adolescência, embora não sendo apresentada enquanto processo de mudança ou fase que a determinasse, alguns comportamentos eram marcadamente e, até certo ponto, determinantes dos homens jovens. A crise na adolescência como a entendemos hoje, naquele período, não era referenciada.

Voltando ao nosso tempo, uma primeira ressalva: claro está que as características físicas e biológicas devem ser consideradas enquanto “marcas” de transição entre a vida infantil e a adulta, o que não significa dizer que a determinação da fase adolescente seja definitivamente e exclusivamente reconhecida por intermédio da idade e pelas alterações orgânicas. Para se pensar em adolescência, é preciso considerar, de modo especial, os aspectos psicológicos, fatores sócio-culturais, cognitivos, etc. Outrossim, é preciso pensar no contexto, ou seja, refletir sobre o mundo - o cenário - em que o jovem está inserido.

Na verdade a adolescência deve ser pensada em três condições: enquanto desenvolvimento biológico do indivíduo, aspectos psicológico, social e cultural.     

Adolescência e crise

O psicanalista francês Charles Melman (1996) nos lembra que a noção de crise associada a esse período de transição se encontra essencialmente em nossa cultura. Ele afirma que “não há nenhum sinal dela, enquanto crise psíquica, nos textos das culturas gregas e latinas, onde seria um simples período de introdução a vida social”. A crise psíquica - na adolescência - como um processo de transição entre um mundo (infantil) e outro (adulto), pode ser assinalada como um fenômeno característico das sociedades pós-industriais capitalistas. Nelas, não encontramos ritos de passagem responsáveis pela demarcação de uma fase e outra. A ausência de cerimônias reguladoras, verificadas em sociedades menos evoluídas do que a nossa, certamente, favorece a crise psíquica que conhecemos na fase adolescente.

A crise na adolescência, identificada, então, nos jovens de nossa sociedade, seria determinada em razão de uma sociedade industrial tecnicamente desenvolvida, já que, existem inúmeras dificuldades, as quais os jovens terão que se deparar e enfrentar para que possam ingressar no mundo dos adultos (do trabalho), deste modo, exercer seu poder de sustento básico, se for o caso, instituir família, responder por seus atos como cidadão adulto. Logo, alcançaria uma posição de certa liberdade e autonomia pela possibilidade de ter seu emprego, salário, etc, o que significa, teoricamente, não depender mais financeiramente de seus Pais.

Na verdade, porém, as sociedades modernas - ou pós-modernas - tornaram-se complexas, assim, os jovens precisam, cada vez mais cedo, qualificar-se para o mercado de trabalho que, aliás, vem se tornando cada vez mais técnico e exigente.

Levando em conta o cenário em que vivemos, o jovem de nossa sociedade, sendo sensível aos acontecimentos, percebe e sente, como ninguém, a(s) crise(s) da qual (nós adultos, também) vivemos; seja ela de valores, educacional, ética, moral, econômica, política, etc. Outrossim, dentre outras coisas, percebe e vivencia a violência cotidiana, muitas vezes banalizada, o individualismo e consumismo exacerbado, a problemática das drogas, o stress de cada dia e o desemprego.            

Em última análise, num País como o nosso, em que muitas crianças ingressam demasiadamente cedo no mundo do trabalho, essa questão merece ser considerada. As referidas crianças das quais estou falando, diz respeito a uma grande parcela de crianças brasileiras que vivem em condições precárias, miséria, são elas, muitas vezes, que auxiliam na sobrevivência de suas famílias, são pequenos trabalhadores braçais. Por todas as implicações, efeitos e conseqüências que esta situação suscita, essas crianças não sofrem crise psíquica, característica da adolescência. Portanto, levando em conta as questões acima referidas, questiona-se: no mundo em que vivem essas crianças, existe adolescência? Existe fase característica que determina a passagem do mundo infantil para o mundo adulto? De qual adolescência a maioria das teorias tratam?      

 Arnaldo Chagas  - Psicólogo, mestre em Psicologia Social e Institucional- Ufrgs. Coordenador do GERTA: Grupo de Estudo e Reflexão sobre Toxicomanias e Adolescência (Ufsm). Prof. da Ulbra/SM e Uri/RS

   

   Resignificando Valores na Família: 
  
Em Busca de  Uma Nova Ética
   Maria Cecilia Astete Salazar 

  
1-Introdução

Esta reflexão surge a partir das minhas inquietudes vivenciadas no âmbito do meu consultório  onde  atendo  adultos,  casais  e famílias.  Inquietudes  referidas  ao contexto dos valores queregem nossas relações num momento histórico que se caracteriza  pela  busca  de  uma  nova  ética;  ética que se afaste dos códigos de uma  moral  rígida  por  uma  parte  e de  uma ausência de códigos por outra. Esta revolução de valores   se manifesta nas demandas terapêuticas diferentes daquelas predominantes até a década  do 80.

A minha discussão terá como pano de fundo as idéias de Gilles Lipovetsky acerca Dos   caminhos  seguidos pela ética no ocidente e as reflexões do dr. Victor R.C.S Dias acerca das mudanças  do  perfil  dos  clientes que  procuram atendimento psicoterapêutico nas últimas décadas.

2-O Caminho da Ética no Ocidente

Darei início a esta reflexão trazendo a definição que o dr. Dias (2000) dá de Ética:

“Entendemos ética como um conjunto
consensual de valores que influencia
os procedimentos dos indivíduos dentro
da sociedade, que é também dinâmico
e vai sendo mudado de acordo com a
evolução da comunidade.(Dias, Victor.2000, p188)


Uma vez definido o conceito de ética que norteará a minha reflexão passarei a  analisar o contexto  atual dos valores  na nossa sociedade atual. Não é novidade para ninguém que no ocaso do século XX e no início do século XXI, ouvimos   clamores    vindos   de  todos   os  setores  que  nos  trazem   um  pedido comum.   O pedido de  uma  Ética    seja   na   política ,  na economia , na justiça etc. Nos   parece   contraditório    este   chamado   pois, até  pouco tempo as nossas sociedades  reivindicavam  uma liberdade   individual  e   coletiva, sendo a moral sinônimo  de repressão burguesa. Entretanto, nossas sociedades   contemporâneas apresentam-se contraditórias nos seus discursos, por um lado o renascimento  da moral e por outro a decadência que podemos observar  na escalada da delinqüência, violência, drogas , analfabetismo.

Lipovetsky ( 1994 ) sugere  que no nosso atual  contexto histórico , carente de grandes ideologias, existe um vazio  que faz com que surja um desvio em direção a ética o que  constituiria uma  oportunidade  para a humanidade e principalmente para as democracias tomarem consciência  da responsabilidade da humanidade em relação ao futuro reforçando os valores humanos.

Lipovetsky  ( 1994  se pergunta   qual é a natureza desta reativação moral, acreditando que certamente não há um desejo de retorno   a velha   moral nem uma invenção de novos valores. Para   dar   resposta a esta pergunta Lipovetsky ( 1994 ) faz um estudo  histórico da ética a partir do século XVIII até o   fim   do século XX. Distinguindo  ao longo deste percurso as formas que a ética foi tomando   conforme as mudanças da sociedade foram acontecendo.

2.a- Ética do Dever

É a ética predominante entre 1700 e 1950, Surge independentemente  dos dogmas religiosos no contexto de laicização da sociedade. A ética do dever se  caracteriza pelo enaltecimento da obrigação, o sacrifício pessoal, em função da família, pátria e sociedade. Estimula os  deveres do  homem e do cidadão,  impondo  normas austeras  repressivas,   disciplinares na vida privada  das pessoas.  Transfere as obrigações em relação a Deus, próprias da ética religiosa, para a esfera humana.

2.b- Ética  da Contracultura nos anos 60 e 70.

O discurso  moral   válido  por  mais  de dois  séculos é   recusado   em   nome  da liberdade individual e coletiva. A utopia da boa alma já não é mais valorizada e os valores  de amor à  pátria e família são  substituídos    pelo   discurso  de liberdade individual. A família burguesa é injuriada por ser a responsável  pela  transmissão de    valores   obsoletos   que   impediam   o   usufruto   de uma liberdade plena. O progresso humano se identificava com o direito da mulher a  dispor  do seu  corpo.  Lutava-se então  a favor do aborto e da liberdade sexual.

2.c- Ética da Felicidade a partir dos 80

A crise das   utopias,  a   queda   do   muro   de Berlim,   e a   instauração  do Neo Liberalismo configuram uma sociedade pós-moralista que repudia a retórica   do dever austero e que se  caracteriza, pela falta de obrigação  de   consagrar  a vida ao próximo, a família   ou   a   nação. A    idéia   de sacrifício  de   si mesmo está deslegitimada, sendo estimulado o usufruto do presente o templo do eu e do corpo Nesta sociedade pós-moralista a felicidade substitui o mandamento moral, o prazer substitui a proibição, a sedução substitui a obrigação, o  desejo  substitui o dever.

As relações entre os homens são menos valorizadas que as relações  dos homens com as   coisas.   Sendo assim, a   ética   contemporânea  não aceita  resignada a passagem do tempo,   sendo   estimulada a   eterna    juventude e a  exigência   de  conservação e valorização do capital corpo. Os imperativos da ética da   felicidade    são juventude, saúde,   elegância,   lazer e sexo.

Lipovetsky(1994) assinala    que na   época da felicidade     narcísica “tudo é permitido”, “moral sem obrigação e sem sanção”.

No contexto   da   sociedade   pós-moralista, nós deteremos no exame de como se configuram os valores que dizem respeito  à  família.   Tentaremos   dar resposta à pergunta: “Existe uma família diferente na sociedade pós-moralista?” Pois, a partir da caminhada histórica que realizamos junto    com Lipovetsky   observamos   que  os valores a respeito da família foram mudando conforme as mudanças sociais.  O  valor dado na ética do dever era absoluto contrariamente ao dado pela ética da contra  cultura   que   questiona  a   família como instituição  burguesa reprodutora dos valores de uma moral obsoleta.

Na contracultura associava-se a família   a   uma   instância alienante   reprodutora das relações de propriedade e das dinâmicas da repressão. “Família   odeio   vocês”.

Na cultura da felicidade ocorre   um   esvaziamento   das preservações   moralistas em beneficio da realização pessoal e do direito do sujeito livre: direito a concubinagem, direito a separação dos cônjuges, direito a maternidade fora do casamento, direito a ser fecundado por um genitor anônimo ou por um falecido. A família deixa     de ser    uma  instituição transmissora dos deveres para se transformar em uma instituição emocional e flexível ao serviço da realização pessoal.

Em nossa sociedade individualista      uma   cultura    centrada     na criança. Portanto, ela é     a   primeira   responsabilidade   dos adultos. “A criança é rei e a sua felicidade é legítima”.   Sendo   assim   a   família   torna-se um espaço hiper- emocional, transforma- se   em   uma   empresa  a  ser   gerida  de   forma   otimizada   em   todas   as     suas  dimensões,   nada   deve   ser   negligenciado:   saúde,   estudos, férias, programas de tv, etc.

Para    continuarmos   com   o   pensamento   de Lipovetsky    voltaremos  a     pergunta colocada   por   ele   no   início   de   nossa   reflexão:    “Qual  é  a  natureza desta nova  reativação moral?”.   A   resposta   é, cada   vez   mais   devemos abandonar o amoralismo como o moralismo rígido para promover a ética da responsabilidade.

2.d Ética da Responsabilidade

A ética   da   responsabilidade   surge  na   cultura pós-moralista. Animada pelo esforço  de conciliação entre os princípios dos   direitos   individuais  e  as   obrigações  sociais, econômicas    científicas.   Sua    aspiração   não   é   desconhecer   os      valores  individualistas, entretanto promove a extenuação da cultura  “tudo é permitido”.  exigindo a fixação    de    limites e reagindo contra os excessos   de permissividade  individualista,   tecnológica,   capitalista  da mídia. Seu objetivo é  o reforço   do espírito  de   responsabilidade,  pois  Lipovetsky ( 1994 )    acredita que é o  único capaz de estar á altura dos desafios do futuro.

Uma  vez  examinados  o  contexto dos valores sociais e familiares propostos pela  ética pós-moralista . Cabe refletirmos sobre o contexto terapêutico.

3.Perfil do Cliente

Segundo  Dias (2000)  o  perfil  de  nosso  cliente a partir da última década muda e nos obriga a mudar de postura.O cliente      da década do 90   comparado   com o  da  década do 50, por  exemplo, apresenta  diferenças  notáveis   quanto  a construção do conceito de identidade e a internalização dos valores.

O jovem da década do 50 provinha de um contexto familiar  que   lhe permitia um contato mais próximo com     os adultos   da sua   família. Dos   quais   adquiria os valores morais que regeriam sua vida. Tinham , segundo Dias, uma “receita pronta” para sair para a vida, mesmo imaturo nas suas vivências, tinha    internalizada uma diretriz de conduta.

O panorama familiar do jovem dos anos 90 muda, a    mãe  sai para trabalhar   e  o  filho   tem  menos contato  com os adultos da sua família. Deste modo   aumenta a  presença  da escola que se inicia precocemente:  família  e  religião  deixam de ser veículos de transmissão  de valores sendo esta  função exercida pela   mídia e pela escola. Esses veículos são menos específicos   e individualizados,  além   disso    a  forma frouxa pouco definida e convicta. A falta de modelos internalizados faz com que esses jovens, segundo Dias,  não tenham  dentro  de si  uma força diretriz. Sem uma “receita pronta” apresenta  dificuldades   na   integração    com as normas e os valores sociais.

As estratégias terapêuticas,   segundo Dias ( 2000) , são diferentes para   os clientes nesta   década   ao    comparamo-los   com as décadas anteriores. Neste    momento o jovem precisa conhecer seu desajuste entre  o individual , social e profissional. O trabalho deve ajudar este jovem   a   uma   elaboração   de    condutas e normas que  lhe permitam lidar com    o dar e    receber, com as hierarquias,   e com a disciplina.

Cabe salientar que estas   condutas   estavam   nos   jovens   das décadas anteriores, porém    não   se trata   de   voltar   á   antiga moral   senão ajudar o jovem a refletir sobre a busca de uma nova ética. 

Maria Cecília Astete Salazar - Psicóloga Clínica - Mestranda em Psicologia Clínica PUC-SP. Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar  

   

   Apego-Casamento - Breve análise da mulher Hera nos dias de hoje
   Joyce Mobley

   
   Carta a Hera
   (trechos de Carta a Hera)

 “Hera, venceste a batalha. Sêmele foi fulminada e tu o tens de volta, o teu Zeus. Mas será que realmente o tens de volta? Ele voltou para casa – mas não para o amor. É doloroso que tu não valesses mais do que a rival..., que ela fosse” melhor “e tu” já não servisses mais . E também dói que toda a tua dedicação e tudo aquilo que vivestes e construístes juntos, de repente perdesse o significado, e que outra tenha tocado uma corda sensível no coração dele, que talvez nunca tenhas conseguido fazer vibrar. E depois de tudo, o que terás ganhado?.

Talvez a antiga situação. Restaurar a antiga ordem? Era esta ordem assim tão boa, que valha a pena restabelece-la? Ouço-te dizer que havia também os filhos, a carreira dele que tanto encorajaste e toda aquela coisa que construístes juntos – A minha pergunta é: o que aconteceu ao teu amor? Onde está? Sufocado debaixo do que construístes juntos?

Zeus deixou de ser importante para ti. È importante porque assegura a estrutura externa, porque que te dá status e o sentimento de que não estas sozinha – mas como pessoa e como homem?”

Três momentos de Hera.

Vamos começar com algumas informações que, podem de início parecer soltas, porém se entrelaçam em uma triste história. Propositalmente coloco um H, visto que quando as estórias se repetem tantas vezes, passam a ser Histórias de todas nós. Por que caminhos decaímos de rainha do céu, personificação da luz celeste, para uma simples planta rasteira (hera), comum em muros velhos e troncos de árvores?  Empregada como ornamento; impede, talvez, um pouco o desenvolvimento da árvore a que se fixa, mas é SEMPRE FÁCIL desembarassar-se dela, cortando-a no pé. Identifica-se com esta imagem? Pode identificar alguém de suas relações? Não é muito difícil. Por isso eu disse que “era” uma triste História!

Na antiguidade a hera era consagrada no Egito a Osíris, na Grécia a Baco, os poetas eram coroados com ela. É símbolo da afeição constante. É às vezes acompanhada desta divisa: “Morro onde me prendo”.

É preciso despertar para o fato de que o amor não é incondicional, nem mesmo para com os nossos filhos! Se, criamos as pessoas, maridos, amantes, amigos, filhos, na  ilusão da incondicionalidade do amor, estaremos criando o nosso (e deles) inferno!

O amor quer se dar e quer de volta, existe uma profunda diferença entre altruísmo e entorpecimento emocional. Como criar um filho na ilusão de que o amor é incondicional? Vamos cria-lo para ser infeliz, ter baixo limiar para frustração, pensar que pode magoar as pessoas e elas sempre estarão ao seu lado... Estas mentiras são cruéis e passaporte para uma inadequação e insuficiência afetivas.

Morro onde me prendo! Claro que morremos onde nos prendemos, pois estamos presas e tentando prender àquilo ou àqueles a que nos prendemos. Não temos liberdade para contatar o nosso ser criativo e/ou ampliarmos o nosso potencial, assim que o transformamos em um simples estrategista, a serviço de mantermo-nos apegadas àquilo que nos mata! O amor pede regras, mas exige liberdade!

“No amor ocorre um paradoxo de dois seres se tornarem um, mas continuarem a ser dois”.Erich Fromm

Ignorar esta afirmação, tão bem ilustrada por Fromm, é estar matando a si mesmo, ao outro e ao amor. Quantos casais tem o triste costume de falar em par e/ou completarem suas falas e depois lançarem um empobrecido... Não é mesmo, bem?

Juno (Hera) rainha do céu, antes de ser helenizada, era adorada como uma personificação da luz celeste e do casamento, nas cidades do Lacio, entre os Sabinos, os Oscos, os Umbros, os Etruscos.

Tinha atribuições diversas, distinguindo-se:

Juno Regina, associada a Júpiter e Minerva; Juno Lucina, deusa da lua e dos partos, muitas vezes assimilada a Diana; Juno Moneta, deusa dos bons conselhos; Juno Sospita, protetora das mulheres; Juno Caelestis, a Tanit ou Astartéa, tida como uma deusa sideral, ao mesmo tempo a Lua e Vênus, mãe e virgem.

Vamos considerar a fase pré helesiana, como uma fase em que em que Juno, Hera, está ainda em contato consigo mesma e assim sendo ela é, luz, céu, protetora das mulheres, dos partos, bons conselhos ( é uma lástima que muitas vezes esquecemos de seguir os nossos próprios conselhos, nossa sabedoria é posta de lado), Lua, Vênus, mãe e virgem!

Que realidade e potencial maravilhosos! Quanta vida, quantos sonhos e realizações!

Para sermos tudo isto é necessário sermos felizes (não confundir felicidade com estado de contentamento; a felicidade é feita também de momentos infelizes, tornamo-nos infelizes quando este passa a ser o nosso “estado geral” com pequenos momentos de felicidade, que nos passam desapercebidos).

Talvez Hera seja Lua e Vênus, mãe e virgem, porque neste momento de sua vida ela está, ainda, vivendo o amor, casamento, como uma real união com Zeus, então ela floresce em todo o seu potencial criativo, em toda sua beleza radiante... Mãe e virgem, não são estados contraditórios; uma mãe virgem é aquela que está em contato com sua Vênus, é a mulher que “mesmo” mãe, pode ser sedutora, estar em contato com sua sexualidade, sensualidade e desejos... Cuida de sua aparência, é vaidosa, é mulher e mãe. Muitas mulheres ao se tornarem mães, engolem a sua sexualidade, pois fomos programadas para fazer uma distinção irreal entre estas duas faces (na verdade uma) de nós mesmas. Se você ao tornar-se mãe, sente-se confusa em relação a sua sexualidade, procure ajuda antes que seja engolida pelo lado sombra de Hera!

Quando nos perdemos de nosso centro, quando perdemos o nosso eixo, muitas vezes vamos procurá-lo no lugar errado. Voltamos nossos olhos para nossos maridos, amantes, companheiros e vamos buscar neles, aquilo que nos falta sem percebermos que estamos faltando a nós mesmas, que precisamos nos encontrar depois de perdidas em tantas mentiras em que fomos criadas, em falsas regras que nos desregram!

Os sintomas são facilmente reconhecíveis:

Sentimos que está nos faltando alguma coisa...  
Pensamos: ele já não me olha da mesma forma!  
Sentimo-nos sozinhas porque nos desacompanhamos de nós mesma...  
Reclamamos: você não me da mais a mesma atenção, só pensa em você, seus negócios, amigos, etc, etc, etc.

Obviamente vamos nos tornando chatas e eles começam, realmente, a se afastar... Afinal, quem gosta de chatices? Eu não gosto! Quando estou chata, nem me olho no espelho... Que dirá os outros?

 Com o afastamento inicia-se o ciclo de maior descentramento; ao invés de nos perguntarmos o que há de errado conosco, começamos a questionar o que há de errado “nele”.

Conclusão desesperada: Ele tem outra!

 Na maioria das vezes, neste primeiro momento, “ele”, ainda, não tem outra. Não tem nem mesmo a nós... Mas as profecias sempre se cumprem e ele acaba encontrando outra(s).

Pronto! Somos agora, Hera...

 Uma das grandes divindades helênicas, rainha do Olimpo, deusa dos fenômenos celestes (tempestuosos, eu diria), e do casamento (triste casamento!).

Irmã e esposa de Zeus

. Não faremos uma leitura incestuosa sobre este ponto. Deixemos Freud, um pouco de lado, e vamos pensar de uma forma mais holística. Uma relação onde somos irmãos e esposos, é o que eu chamaria de perfeita! Significa que existe uma forte ligação que, precede o casamento; uma relação de cumplicidade, de conhecer e percorrer os mesmos caminhos tendo em vista que temos o mesmo pai e a mesma mãe, ou seja: Nossas essências se assemelham.  Não esquecer que percorrer os mesmos caminhos não é sinônimo de pisar nas pegadas do outro! Significa, sim, trilhar lado a lado enquanto opção e não por falta da mesma!

Filhos de Cronos -deus do tempo e Réia -deusa com poderes de curar e instruir no caminho da religiosidade... melhores pais? Considero-os perfeitos!

Como me disse um amigo: “O tempo em sua incomensurável sabedoria, que resolva...”.

Para que esta sabedoria  se revele, Cronos deve aliar-se a Réia  somando ao tempo, a cura e a instrução... Só podemos lamentar, que Hera não tenha sabido percorrer o caminho de volta para si mesma assumindo os atributos – tempo, cura e instrução- que trazia por herança; suas lembranças filogenéticas.

Tradições múltiplas mostram-na combatendo gigantes, perturbando o Olimpo com os seus ciúmes e contendas com Zeus. Tem com este, dois filhos: Hebe-deusa da juventude, Ares-deus das guerras. Sozinha tem Hepaisto (para competir com Zeus que “sozinho” teve Atena), e como tudo que nasce de sentimentos contaminados, este filho nasce coxo e Hera indignada atira-o ao longe.

Hebe (juventude) está sempre a serviço dos deuses, veste e banha Ares ferido... Digamos que a personificação da juventude feminina está a serviço dos deuses e consegue curar e vestir o próprio deus da guerra... Mais uma vez, Hera deixa de lado a possibilidade de crescimento interior, agora, através de seus filhos!

Buda dizia que um discípulo só poderá procurar o mestre quando estiver decepcionado consigo mesmo. Senão ele iria querer mudar o mestre ao invés de deixar-se ajudar.

A decepção com a vida, leva-nos a viver o lado sombra de Hera, lutando contra rivais reais ou imaginárias, atordoando-nos e aos nossos companheiros com nossos ciúmes, perseguindo “estas mulheres que não podem ver um homem casado, sem tentarem se atirar nos braços deles”...

Qual a saída para este dilúvio de sentimentos?

Decepcionarmo-nos com nós mesmas, buscar as saídas e responsabilidades em nosso interior. Não podemos mudar o outro, mas podemos nos modificar. Não existem culpados e/ou se existem, não justifica a nossa infelicidade! Solidão é desacompanhar-se de si mesma!

Não adianta querer mudar o mestre...  Temos que começar a viajem de volta para nossa casa interna... Isto significa que a vida nos impõe situações terríveis, mas somos nós que temos que reagir, tomando a direção em nossas mãos e nos conduzindo para paisagens mais gratificante!

Como dizia Antoine de Saint-Exupéry, “o amor é o processo em que você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo”.  Pena que não nos seja, sempre, mostrado das formas mais doces e bonitas... Mas ainda assim, em meio a tormentos, decepções, tristezas, abandonos, “você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo!”.

O grande paradoxo é agradecermos  aos desencontros amorosos, um encontro de amor com a nossa deusa interior. Energia, Força, Natureza, Desejo... Como é bom quando usamos com sabedoria em nosso favor!

Joyce Mobley   
www.mariamaria.com.br
joyce@superonda.com.br

Quem é a Psicóloga Joyce Mobley
Quando me fizeram esta pergunta pareceu-me que não conseguiria respondê-la.
Lembrei-me das muitas vezes em que disse para meus filhos: - Acho que já nasci psicóloga pois não consigo me lembrar de nada que eu tenha estudado e que não esteja ligado à psicologia, ou que eu não tenha procurado aprender para melhor compreender o ser humano.
Gosto muito de estudar, e quanto mais estudo, mais descubro que ainda há muito que estudar. Alguém já disse em algum lugar, que o homem só envelhece quando as lamúrias tomam o lugar da curiosidade... Grande verdade!
É interessante responder a esta pergunta pois faz com que eu mergulhe em todos os caminhos que percorri ( dentro da Psicologia ), ao mesmo tempo que penso em quantos ainda percorrerei.
Em determinado momento percebi que era possível ter uma compreensão geral de todas as pessoas; como se pudesse encontrar partículas de cada uma em todas as outras porém cada ser humano formava um desenho completamente diferente, único, mágico, como os desenhos formados por um imenso caleidoscópio.

As pessoas chegavam ao consultório com as mais diferentes queixas, pelos mais diferentes motivos e ainda assim podia perceber quantas coisas elas tinham em comum; apesar de tantas semelhanças foram as peculiaridades de cada uma que me motivaram buscar inúmeros caminhos para chegar a compreendê-las melhor. Fico feliz por concluir que as pessoas são surpreendentes e ainda terei que estudar muito mais...

Não existe apenas um caminho, nem tão pouco uma única linguagem que possa atingir a todas as pessoas. Não existe apenas uma linha a seguir dentro da Psicologia, existem várias e todas elas estão aí para serem utilizadas no momento certo, da forma certa e com a pessoa certa. Há pessoas que nos "ouvirão Gestalt", outras nos "ouvirão Psicanálise", terapia holística, existencialista... e assim por diante.

Sinto que as pessoas são como as músicas; em qualquer uma delas encontraremos as sete notas musicais básicas entrelaçando-se em sofisticadas e intrincadas melodias ou na inocência das cantigas de roda. Não importam o gosto, a escolha e/ou o estilo, as sete notas musicais serão encontradas em qualquer melodia e é isso o que faz com que as pessoas sejam encantadoramente iguais e diferentes ao mesmo tempo.

Preciso acrescentar que me submeti a todos os processos terapêuticos que estudei, pois entendo que além da obrigatoriedade que todo psicólogo tem de conhecer-se profundamente e de ter trabalhado as suas próprias neuroses, a única forma de conhecer uma linha de terapia é experimentando-a em si mesmo para melhor avaliar os seus resultados.

Mantenho em meu currículo, apenas, as que aprovei prática e teoricamente.

A cada dia mais estudiosos fazem descobertas incríveis e maravilhosas e cada um de nós psicólogos deve estar aberto e alerta para o movimento que impulsiona as novas descobertas. Existimos não para comprovar teorias, mas para descobrir novas possibilidades de mergulhar no ser humano e ajudá-lo de forma honesta e eficiente; só assim estaremos dando a nossa contribuição para um mundo melhor e deixando a nossa marca para que a vida de nossos filhos e os filhos de toda humanidade sejam mais dignos de carregar o nome de Ser Humano.

   

    A Pré-História do Desenvolvimento Emocional da Criança
   Marina S. Rodrigues Almeida

 
    INTRODUÇÃO:

     muitas dúvidas, mistérios  e superstições envolvidas nas experiências e emoções vividas pela mãe gestante na formação da personalidade da criança. Nossos avós intuitivamente já  percebiam e reconheciam as influências em relação ao estado de ansiedade materna e o medo sobre o bebê.

Durante certo período da história humana, valorizou-se muito tudo aquilo que podia ser concreto (visto,tocado, verificado) o que livrou a Medicina de superstições, instituindo-se um modelo científico de investigação dos fenômenos humanos. Por outro lado, esse cientificismo, por estar aprisionado ao sensorial, fez-se acompanhar de uma suspeita irracional de tudo o que não pudesse ser medido, pesado, verificado a luz da ciência empírica. Nesse mundo  racional, os sentimentos e as emoções eram vistos como algo enganoso, místico, religioso, ou nas mais favoráveis considerações como uma visão poética ou romântica.

Com as descobertas de Freud por volta do início do século XX, trouxeram novas concepções sobre os fenômenos humanos imprecisos e invisíveis , através do estudo dos sonhos, dos atos falhos, das emoções (estudo sobre a histeria) e da sexualidade.

Acreditavam que o feto e a criança recém-nascida, até 2 ou 3 anos, não experimentavam emoções, consideravam que a personalidade não  tinha se desenvolvido o suficiente para algum tipo de relação com o mundo. Freud demonstrou que esta observação não tinha mais sentido, mesmo porque tanto os bebês como as crianças não só sentiam o que acontecia em a sua volta, mas tinham uma sexualidade latente. Demonstrou também que as emoções afetavam a saúde física, o que fez surgir à noção de doenças psicossomáticas.

Nos anos 60, com o advento das tecnologias em obstetrícia, foi possível estudar o bebê no útero, e tornou-se incontestável a evidencia fisiológica de que o feto ouve, tem sensações, faz experimentações, reage ao estresse, defende-se, tem medo, sente-se vivo. Portanto o bebê é um ser emocional, intelectual e fisicamente mais capacitado do que imaginávamos.

AS DESCOBERTAS DO DESENVOLVIMENTO DO PSIQUISMO PRÉ E PERI NATAL

Com os estudos sobre psiquismo Pré e Peri-Natal, e as confirmações dos estudos psicanalíticos de Bion, Melanie Klein e outros autores contemporâneos, verificamos o surpreendente mundo uterino que o bebê esta inserido:

No início do 2o. mês há um repertório de ações reflexas. No final desse mês, o feto movimenta a cabeça, os braços e o tronco representando uma forma de linguagem primitiva, demonstrando o que lhe da prazer e o que lhe é desagradável, seus gestos são através de  sacudidelas e pontapés. Se por exemplo beliscarmos a barriga da mãe, o bebê se torce numa atitude de protesto. Aparece o primeiro órgão do sentido, o olfato, consegue perceber aromas e reage a eles, posteriormente ao nascer reconhecerá o “cheirinho” da mãe.

A partir do 4o. mês surgem as expressões faciais, o feto pode franzir sobrancelhas, olhar de lado, fazer careta, passar a mão nos olhos ou na boca e sugar.

Tudo isto alternado com momentos de repouso, sono e movimentos motores.

No 5o. ao 7o. mês ele é sensível ao toque. Se sua cabeça é tocada no exame de ultra-sonografia, ele move rapidamente. Reage também a água fria, visto que a temperatura  no útero é mantida sempre por volta de 36O..

Durante esse período  desenvolve sua habilidade gustativa, prova sabores diferentes do líquido amniótico,que muda dependendo da ingestão alimentar da mãe. Se injetarmos sacarina ao líquido amniótico, o feto dobra sua cota de ingestão, mas se  colocamos óleo lipidol (de gosto desagradável), ele faz caretas e ingere menos.

No 6o. mês, ele ouve o tempo todo, mesmo porque o abdome grávido  e útero são muito barulhentos. Os sons  audíveis  que vem de fora do útero materno, como o tom da voz da mãe, pai, são percebidos  mais para graves do que agudos pela proteção das camadas da placenta e pele. Desenvolvem neste período uma capacidade adaptativa a lugares barulhentos, experiências realizadas com bebês que estavam sendo gerados próximos a aeroportos, ao nascerem seu sono continuava sendo tranqüilo; bebês expostos a estes lugares estranhavam e choram, não conseguiam dormir. Mas o som que predomina o mundo do bebê é dos batimentos cardíacos, o ritmo dos batimentos cardíacos da mãe é regular, a criança conhece e lhe transmite um sentimento de segurança.

Basta observar um bebê recém-nascido que para se acalmar ou dormir basta coloca-lo no peito do lado do coração materno, ou confortado no colo pelo batimento de um relógio.

Descobriram também preferências musicais, como os gustativos. Há um interesse por musicas de Mozart e Vivaldi,e um desagrado em relação a Brahms, Beethoven ou rock.

A capacidade visual desenvolve lentamente, embora o ventre não seja totalmente escuro, mas não é um lugar para se praticar a visão. Isto não significa que ele não veja, já no 4o. mês o feto é sensível a luz, sendo capaz de distinguir um banho de sol que a mãe esteja exposta e um foco de luz agressivamente dirigido ao ventre materno, reagindo de forma sobressaltada.

Portanto o recém nascido demora mais para adaptar sua visão no mundo externo, pelo fato de ter passado 9 meses sem ter podido praticar de forma mais intensa.

A evolução das reações do bebê, desde os movimentos globais do corpo até respostas sofisticadas, nos leva a concluir que seu aprendizado é através dos sentidos. A formação da personalidade requer mais, necessita um mínimo de consciência, ou melhor, uma mente, um aparelho psíquico, ainda que rudimentar (em psicanálise chamamos de rudimentos de ego), que o capacite a entender os sentimentos e pensamentos da mãe, e não somente apenas capta-los pelo sensorial.

As pesquisas indicam que por volta do 7o. e 8o. mês de gestação, esses rudimentos começariam a existir no feto, quando os circuitos neuronais estariam prontos e o córtex cerebral já amadureceu o suficiente para suportar  uma mente, um psiquismo,  sendo o que é mais característico de um ser humano, o que o distinguirá dos demais animais, a capacidade de pensar, sentir e lembrar.

No 7o. mês, por exemplo, testes de ondas cerebrais captam um determinado ritmo característico do estado de sonho. Ele poderia sonhar com seus pés, suas mãos, com os barulhos, ou quem sabe com o sonho da mãe, de modo que o sonho da mãe fosse o seu sonho. A capacidade de lembrar, a memória (mais difícil de ser determinada e ser pesquisada, mas alguns psicanalistas encontram indícios disto em  pacientes em psicoterapia) surgiria aproximadamente entre o 6o. e 8o. mês.

A EXISTÊNCIA DE UM ESTADO PRIMITIVO DE CONSCIÊNCIA DE MUNDO

Admitimos  as sensações e a existência de  um estado primitivo de consciência,  um psiquismo rudimentar já esteja presente, a discussão surge quando consideramos como um bebê no útero, poderia sentir ou perceber os pensamentos e sentimentos maternos, e quais  os mecanismos envolvidos? Como o bebê conseguiria decodificar as mensagens maternas de  “amor”, “ódio”, “conforto”, “desconforto”, quando ele ainda não saberia o significado desses sentimentos?

Descobertas em 1925, notaram que o  medo e a ansiedade poderiam ser induzidos numa pessoa através da injeção de catecolaminas, substancias que estimulam o sistema nervoso autônomo, levando o organismo da pessoa a um estado de alarme. No caso do feto, essas mesmas substâncias são produzidas naturalmente pelo organismo materno, quando ela está perturbada ou está em alguma situação de tensão. Estas substâncias atravessam a placenta e atingem o bebê, produzindo nele reações de medo e ansiedade. Porém até aqui explicaríamos do ponto de vista de uma reação puramente fisiológica, os efeitos dos hormônios maternos sobre o feto e não sobre a mente. Consideramos isto como um processo, ao qual essas substâncias começam a estimular um primitivo estado de consciência de si mesmo e a percepção do estado emocional. Neste ciclo de cada onda de hormônio lançado sobre o bebê, o tiraria  de um estado de ‘vazio’, e passaria para uma receptividade. Progressivamente o bebê poderia se perguntar o que está acontecendo, e assim começaria um primitivo estado de  consciência de si mesmo. Paulatinamente, a medida que o sistema nervoso amadurece, o bebê vai começando a encontrar respostas não só para o aspecto físico dos estados e sentimentos maternos, mas do ponto de vista emocional.

Enfim, a descrição acima seria uma concepção sustentada numa base neurofisiológica, que evoluiria para fisiológico ao emocional.

Outra questão que poderíamos pensar seria a respeito da intensidade e freqüência de estresse  que a mãe gestante estaria  exposta e suas conseqüências no feto. Pesquisas que estudaram gestantes em períodos de guerra, demonstraram que o aumento da produção de hormônios em extrema ansiedade determina um aumento da suscetibilidade biológica do bebê ao sofrimento emocional. Também descobriram que as mulheres se tornam mais propensas a engravidar, como uma defesa emocional em favor a vida. Portanto há evidências de fatores físicos e emocionais entrelaçados. O bebê estaria emocionalmente mais sensível porque o funcionamento de seu corpo seria significativamente alterado no útero pelo fluxo excessivo de neuro-hormônios maternos. Contudo, não impedirá o seu crescimento e desenvolvimento, mas poderão ocorrer dificuldades causadas biologicamente por essas experiências pré-natais. Há possibilidades de alterações fisiológicas produzirem dificuldades psicológicas, sendo assim processos fisiológicos afetando a estruturação da personalidade.

Devemos atentar que mãe e filho, cada um possui seu cérebro e sistema nervoso autônomos, mas possuem inter-relações neuro-hormonais que é provavelmente o meio de comunicação emocional entre mãe e bebê.

O mais importante é  verificarmos como está a relação de amor da mãe com seu bebê, a freqüência, a intensidade e  qualidade de impactos causados por perturbações de estresse, poderão ser minimizados com o escudo afetivo da relação materno-filial. É importante também considerar o relacionamento do casal e os conflitos decorrentes durante a gravidez. A gravidez é um momento para ser vivido a três: pai, mãe e bebê.

O que precisamos considerar é que o ventre materno é o primeiro mundo humano, e como  irá  experimenta-lo se amistoso ou hostil, poderá contribuir para as determinações do caráter e da personalidade futura da criança.

AS EMOÇÕES MATERNAS

Agora vamos levar em consideração as emoções, os sentimentos da mãe e não somente descargas hormonais. Sentimentos como amor, rejeição, etc... podem marcar a vida do bebê. As emoções não envolvem somente sensações, mas a capacidade de dar um sentido a elas, o que se torna possível por volta do 6o. e 7o.  mês, quando o feto  começa a desenvolver uma consciência de si mesmo, chamamos de ego pré-natal.

O ego é o produto daquilo que nós, como indivíduos, pensamos e sentimos sobre nós mesmo: nossas forças, impulsos, desejos, vulnerabilidade, insegurança, tudo isso  formando o “eu”. A medida que o bebê  se desenvolve e é capaz de sentir e lembrar, ou seja , ser marcado pela experiência, seu ego está se formando e ao longo deste desenvolvimento vai sendo capaz de decodificar as mensagens maternas.

As emoções desagradáveis da mãe, como raiva, ansiedade, depressão, etc.. dentro de certos limites, contribuem para o desenvolvimento do bebê porque perturbam seu isolamento, propiciando uma consciência de si mesmo. As mudanças emocionais exigem do bebê uma reação,  o força a criar mecanismos de defesas contribuindo para a percepção de si mesmo.

O NASCIMENTO

A experiência do nascimento é considerada de grande importância, não só para os pais, mas incrivelmente para o bebê, pois influenciará sua personalidade. A maneira como o bebê nasce: com  suavidade,  sofrimento, suave, fácil, violento, etc...tem implicações de como será e verá o mundo.

O nascimento é momento de separação, de mudança de estado, ele sai do mundo aquático para o aéreo, é o primeiro choque físico e emocional que a criança é submetida. Durante o parto, o bebê experimenta momentos de grande prazer sensual, seu corpo é massageado pelos músculos e líquidos maternos, alternados com muita dor e medo. Há  alternância entre prazer e dor, é uma espécie de precursor da sexualidade adulta.

Curiosamente não nos lembramos do próprio nascimento, há uma amnésia posterior em relação ao fato. Recentes estudos demonstraram que a ocitocina (principal hormônio feminino que induz as contrações uterinas e a lactação) produz amnésia em animais de laboratório. Talvez possamos atribuir este mesmo efeito nos seres humanos. Freud atribui o esquecimento das pessoas em relação a sexualidade infantil e aos primeiros anos de vida, a repressão dos impulsos sexuais.

Chamamos muitas vezes equivocadamente de “trauma do nascimento”, porém Winnicott, nos adverte para a “extrema variabilidade de graus em que o episódio do nascimento será traumático para o bebê” como também  para  “sua capacidade ou incapacidade de lidar com as grandes mudanças que ocorrem naquele momento”. O mesmo autor  ressalta que é o próprio bebê quem provoca o nascimento, em função de sua própria vitalidade e de já estar pronto para a mudança. Ele já está apto para respirar, sendo o bebê um participante ativo do  próprio nascimento.

É importante considerar todas as variáveis que possam estar no interjogo do nascimento, condições da gravidez, tipo de parto, atendimento médico, aspectos psicológicos da mãe,  etc... para não cairmos em  conclusões inadequadas ou idealismos morais.

 Destacamos a importância de um parto normal, porém são inegáveis as vantagens da tecnologia em obstetrícia  e seu uso é absolutamente necessário, mas que sejam usados  com limitação e sabedoria.

O estado emocional da gestante ao longo da gravidez é muito determinante no momento do parto tanto quanto a sua saúde física: as emoções que foram sendo despertadas durante os meses da gravidez, as expectativas em relação ao bebê, expectativa em relação ao sexo do bebê, condições de saúde, relacionamento da própria  mãe e avó da criança, seus conflitos, ansiedades, medos, preocupações habituais, etc...tudo deve ser considerado com atenção e cuidado.

O MOMENTO DO PARTO E OS CUIDADOS POSTERIORES

Uma prática inadequada que ainda persiste nos meios médicos ao realizarem um parto, apesar de toda gama de informação, é o momento da separação mãe-bebê após o nascimento. A maneira como muitos bebês são introduzidos ao mundo: luzes desagradáveis, excesso de barulho, pessoas estranhas em torno, frieza e uso desnecessário de intervenções tecnológicas, separação abrupta da mãe e bebê, sendo levados para o berçário em meio muitas vezes de outras crianças chorando e gritando que  também estão assustadas.

Sabemos com propriedade que mãe e bebê precisam estar juntos neste momento tão delicado e emocionante de suas vidas, necessitam serem  acariciados, aconchegados, confortados, olhar e ouvir um ao outro e ir se conhecendo.

A ausência de contato humano significativo nessa hora crítica poderá prejudicar o bebê, afetando seus sentimentos em relação a mãe, ao pai, e a outros futuros relacionamentos sociais.

DESENVOLVIMENTO EMOCIONAL DO BEBÊ

Ao nascer o bebê se movimenta no sentido de alcançar algo, em algum lugar, embora não saiba o quê. Em função de sua própria vitalidade e tensão instintiva este comportamento aparece.

Temos então de um lado um bebê com crescente tensão instintiva, e de outro lado uma mãe biologicamente orientada para atender o bebê. Ocorre então a primeira mamada. Se a primeira mamada for satisfatória , se estabelece um contato e um padrão das mamadas a partir dessa experiência. Se as primeiras mamadas forem muito tensas e carregadas de conflitos, medos etc.., poderá ocorrer um padrão duradouro de insegurança no relacionamento entre a dupla mãe-bebê. Geralmente aparecem: a  dificuldade do bebê sugar o seio, baixa produção de leite, rachaduras no mamilo, o bebê chora muito, etc. É necessário destacar que  o aleitamento não é um mero fornecimento de alimento, mas se trata de relação vincular afetiva entre ambos, mesmo se for preciso utilizar uma mamadeira (nos casos atuais de mães com HIV positivo, são impedidas de amamentar seus bebês).

O contato inicial de uma mãe e seu bebê pode ser visto como uma brincadeira, um jogo, onde um precisa conhecer o outro, mas que de certa forma já possuem uma familiaridade. É claro que o bebê precisa do leite materno, mas nem sempre é isto que ele quer e também não é só o leite que a mãe tem a oferecer. Às vezes  a dupla  precisa  somente de  uma brincadeira com o seio, um aconchego, um carinho, uma troca de olhar, uma  manipulação do corpo, sentir o calor, o cheiro e batimento cardíaco da mãe!

Ao nascer o bebê tem contato com o ar, com a gravidade,  mas o primeiro contato significativo é com a mãe, com o seio, mais particularmente com o mamilo, um contato ativo, excitado.

Winnicott, refere-se a esse momento como sendo um estado criativo. O bebê cria o seio, ou melhor, a mãe permite que ele tenha a ilusão de que ele cria o seio. Evidentemente, o bebê não cria o seio que a mãe oferece, mas a mãe por uma adaptação delicada às necessidades do bebê permite este estado, que chamamos de onipotência consentida temporária.

Desta maneira  estamos nos referindo  de como a “realidade” é apresentada a uma criança, de como se inicia o estabelecimento de um senso de realidade. Não é através de uma imposição, de uma insistência da mãe ou de qualquer pessoa, mas da importância da Ilusão de criar algo ou alguma coisa. Posteriormente nasce uma área intermediária (objetos transicionais) são vitalmente importantes para o bebê na hora de dormir, por exemplo, o apego a uma fralda, a um ursinho de pelúcia, etc. Estes objetos transicionais  são usados como uma defesa  contra a ansiedade, especialmente do tipo depressivo , e se este estado de transição não lhe for permitido podemos encontrar perturbações no desenvolvimento emocional.

Com o tempo, esses objetos são descartados e jogados  fora , simplesmente porque perdem o significado e isso se deve ao fato de que os fenômenos transicionais  se difundiram entre a realidade psíquica interna e o mundo externo real como percebido por duas pessoas, o que chamamos de campo cultural: o brincar, a criatividade e a apreciação de obras de artísticas, o sentimento religioso, o viver imaginativo, o trabalho científico criador e mesmo pequenas loucuras e idiossincrasias toleradas em adultos.

A Desilusão  e a perda de onipotência, vem gradativamente através do desmame, quando o  bebê vai descobrindo que tem alguém que está permitindo e cuidando disto para ele, a mãe aos poucos  irá  proporcionado seu crescimento emocional, que aparece através do início  da criação de símbolos e sua utilização.

Quando a mãe falha nesta segunda fase da função materna, o bebê acaba não podendo conseguir o controle das coisas boas que estão acontecendo. Sobram para a criança duas alternativas: permanece num estado permanente de regressão e ficará  fundido com a mãe ou encenará uma total rejeição a ela. A falha ambiental aqui, pode causar patologias, ou distúrbios anti-sociais. A tendência anti-social é um sintoma que surge naqueles que sofreram severas privações e ficaram despreparados, passando a necessitar desesperadamente de cuidados e sentirem-se incluídos, mas fazem o possível para destruir qualquer forma de oportunidade saudável quando encontram.

O desmame não é só o término da alimentação ao seio, mas a tarefa de aceitação da realidade que nunca é completada de um modo absoluto, e o alívio dessa tensão é propiciada pela área intermediária, que facilitará a discriminação  entre fatos e fantasias.

 É através das frustrações da mãe  ( algum atraso das mamadas, disposição da mãe, atendimento não tão imediato) que o bebê vai perdendo esse controle mágico de desejar o seio (ou a mãe)  e ele(a) aparecer “criado” imediatamente.

 Winnicott se refere ao cuidado de maternagem como sendo de uma mãe suficientemente boa, portanto nem tão boa nem tão má, nem muito mesmo perfeita, mas disponível o suficiente para ter flexibilidade ao atendimento das necessidades do bebê. Portanto nesse período a mãe também precisa ser cuidada e precisará do marido e da família para poder se dedicar inteiramente ao seu bebê.

No decorrer do desenvolvimento o bebê  vai sentindo confiança em que o objeto do desejo (o seio) pode ser encontrado e isso significa que o bebê gradualmente passa a tolerar a ausência do objeto, e dessa forma se inicia a concepção da realidade externa, um lugar de onde os objetos aparecem e desaparecem.

QUANTO AS COISAS NÃO SAEM TÃO BEM

Em termos concretos, quando um bebê falha em estabelecer um genuíno contato com a realidade externa não necessariamente morre, mas também pode morrer ou pode desenvolver um quadro de doença mental muito grave, ao qual chamamos de esquizofrenia.

Pela persistência dos que cuidam do bebê, ele é seduzido a alimentar-se a viver,  ainda que a base para esse viver não seja muito consistente ou esteja mesmo ausente. A falha nesse ponto exacerba em vez de curar a cisão (separação, divisão da personalidade) na pessoa do bebê.

Assim, o desenvolvimento da criança em vez de ter um  relacionamento com a realidade externa atenuado pela utilização da onipotência temporária e ilusória auxiliada pela mãe, desenvolve-se dois tipos diferentes de relações objetais (relacionamento com as pessoas e com o mundo). O  equilíbrio psíquico fica separado um do outro, daquilo que ele realmente é, o seu  “verdadeiro self” (a vida  privada, na qual os relacionamentos têm por base a sua capacidade de criar), daquilo que ele realmente aparenta ser pelo controle maciço do mundo externo, chamamos de “falso self” (se desenvolve sobre uma base de submissão e se relaciona com as exigências da realidade externa de forma passiva).  Por exemplo, o bebê pode mamar de modo inteiramente passivo, submetendo-se apenas a realidade externa e ao desejo da mãe ao alimentá-lo., mas não estabelece vínculo afetivo.

Eventualmente o verdadeiro “self” pode ser observado apenas quando o bebê recusa o alimento. No caso da submissão, o bebê permanece vivo e as pessoas satisfeitas, mas o falso “self” se organiza  com a intenção de manter o mundo à distância, enquanto um outro e mais verdadeiro “self” se mantém escondido dos observadores, e portanto, protegido.

Estamos falando do desenvolvimento emocional primitivo, ou seja, o que acontece com o bebê antes dele conhecer a si mesmo e ao outros como pessoas totais.

Melanie Klein estabeleceu dois estados mentais que irão variar ao longo da vida mental do ser humano, chamou de posição esquizoparanóide – objetos parciais (um estado mental aonde o mundo é sentido em partes que podem atacar, perseguir, ferir, sufocar, envenenar, etc..) e posição  depressiva - objetos totais (um estado  mental aonde o mundo pode ser sentido em sua totalidade, como menos assustador, mais amoroso, há presença de culpa com possibilidades de reparação, etc...).

Nos primeiros meses após o nascimento  o bebê por volta do 1o. ao 5o. mês imerso num estado esquizoparanóide (o mundo e as pessoas – mãe, pai, quem cuida,  são sentidos como partes do bebê). Ao alcançar aproximadamente o 5o. ao 6o. mês em diante, isto pode variar de caso para caso, o bebê já pode perceber a mãe como um todo, e os demais elementos ao redor dele. Por exemplo: consegue perceber que a  mãe que cuida dele é a mesma que o frustra, que a mãe é diferente do pai, e que ele é um terceiro na relação....

Portanto começa a perceber que têm coisas no seu interior e coisas vindas de fora, incorpora (física e psiquicamente) o que pode, e livra-se de alguma coisa quando já conseguiu tirar dela o que queria. Quando um ser humano sente que é uma pessoa que se relaciona com outras, ele já andou um longo caminho no seu desenvolvimento primitivo.

A tendência do bebê a se integrar (a não se sentir em “pedaços”) seria ajudada por dois conjuntos de experiências: de um lado o cuidado infantil, a existência de uma mãe suficientemente boa que o ajude a juntar os “pedaços” (manter a temperatura, manipulação delicada, banho, nomeá-lo, etc...) fazendo se sentir uma pessoa inteira; por outro lado a colaboração das próprias experiências pulsionais agudas do bebê, que tendem a tornar a personalidade inteira, una, a partir do seu interior.

Gradualmente rostos vistos, sons ouvidos, cheiros sentidos são reunidos em um ser total,  a ser chamado mãe.

O outro processo importante é o da personalização, o desenvolvimento do sentimento de que se está dentro do próprio corpo. Aqui são importantes as experiências pulsionais do bebê e as repetidas e tranqüilas experiências de cuidado corporal que propiciam a construção de uma personalidade satisfatória.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A saúde mental do ser humano é estabelecida pela mãe durante o cuidado com o bebê. Freud diz que o bebê só existe porque existe a mãe. O desenvolvimento psíquico tem início dentro de um determinado ambiente que , se tudo corre bem, atinge um estágio no processo de desenvolvimento ao qual o individuo passa gradualmente da dependência para a independência, que nunca é absoluta.

A configuração de um ser humano se estabelece antes dele existir e está sujeito à subjetividade paterna e materna, aquilo que esperam para aquele bebê “sonhado”.

A história do sujeito criança tem início  muito antes de seu nascimento. Ela está inserida num mito familiar determinante que o constituirá como sujeito. Este discurso é dirigido não para ele, mas para o personagem que ele viverá na cena familiar. A criança tem um lugar no inconsciente materno, enquanto objeto de desejo, muito antes dela própria existir.

A partir do momento em que a mulher sabe que está grávida, esta relação mãe-bebê se acentua com a instauração de uma relação imaginária na qual o bebê não é apenas um embrião em desenvolvimento no corpo materno, mas um corpo completo em desenvolvimento. É a primeira inserção no imaginário materno enquanto corpo sexuado  e autônomo.

A mãe adequada, é aquela que tem a capacidade de exercer uma função materna, gerando um bebê independente, em condição de realizar seus próprios desejos, vai possibilitar a essa criança um lugar de ser. Começa a se relacionar não com o feto, mas com um ser. Para essa mãe, o bebê passa a ter nome,  projeto, lugar, presença na vida mental dos familiares.

Este ser humano estará completamente inserido na cultura: é um ser antes de nascer!

  Marina S. Rodrigues Almeida - Psicóloga, Pedagoga e Psicopedagoga
  marina@iron.com.br

   

  É Preciso Mudar o Enfoque da Violência
  Antonio de Andrade*

 
Por que tanta violência?  As pessoas fazem diariamente esta pergunta, ao ouvirem as notícias da imprensa mostrando a triste realidade da sociedade humana. Muitas reportagens são escritas, apresentando inúmeras explicações psiquiátricas, éticas, sociais, econômicas e tantas outras, como causas prováveis das ações violentas de certos seres humanos.

Quando uma pessoa violenta é analisada por um Psicólogo, é comum ser encontrado, dentre outras coisas, um sentimento de rejeição. Quando uma pessoa sente-se rejeitada, isto é, não se sentiu aceita pelas outras pessoas com as quais conviveu em sua infância e adolescência, ao chegar à vida adulta, geralmente ela buscará situações nas quais as outras pessoas não a aceitem, continuando a sentir-se rejeitada, sentindo-se por baixo, inferiorizada, com o orgulho abalado, olhando as outras pessoas como superiores a ela. Para mostrar que tem algum valor irá esforçar-se ao máximo para tentar provar aos outros (e inconscientemente a si própria) que tem algum valor, compensando o sentimento de inferioridade. Utilizando um mecanismo de compensação e de defesa para a sua rejeição e inferioridade, é provável que desenvolva um sentimento de superioridade, expresso pela ARROGÂNCIA.

Quando uma pessoa desenvolve a arrogância, ela coloca-se, mental e emocionalmente, acima das outras pessoas e agirá de modo prepotente, autoritário, intolerante, no falar, no modo de andar e se comportar, sentindo-se "a toda poderosa", a "dona" do ambiente e das pessoas, julgando-se o centro do Universo em torno de quem tudo tem que acontecer. Para se mostrar acima das outras pessoas, geralmente empina o nariz tão alto, que se estiver chovendo poderá morrer afogada, como diz aquele ditado popular. 

Mas, para colocar-se, mental e emocionalmente, acima das outras pessoas, além de empinar o nariz terá que diminuí-las, terá que rejeitá-las e desprezá-las. A história do Holocausto da Segunda Guerra, com a perseguição aos judeus e outras raças, realizada pelos nazistas, revela bem esse aspecto do desenvolvimento da arrogância e superioridade com desprezo de outros mas, nesse caso, num sentido maior, onde as pessoas de uma raça (no caso, a ariana) foram convencidas e doutrinadas pelos manipuladores políticos do regime nazista, de que eram pessoas superiores aos outros seres humanos das outras raças. Em certas sociedades onde predomina o racismo, também isso ocorre, certa raça achar que é superior às outras. Esquecem de um fato: independente da cor da pele, branca, negra, amarela, ou miscigenados  com índios ou outras raças, ou ainda, independente de qual país nasceu ou vive, todos que estão no planeta Terra são co-irmãos, são terráqueos, são seres humanos, todos são igualmente passageiros deste planeta e deveriam respeitar-se e aceitar uns aos outros!

Uma pessoa arrogante, apesar de sentir-se superior às outras pessoas, na realidade, poderá estar escondendo, no fundo do seu íntimo, um profundo sentimento de inferioridade e desprezo por si mesma. Os Psicólogos costumam afirmar que uma atitude de superioridade é quase sempre uma compensação superficial de uma inferioridade escondida. A confiança é toda superficial e debaixo da casca esconde-se a incapacidade e a inferioridade, mas isso só um processo terapêutico irá descobrir e tratar. Além da arrogância, uma pessoa com essa inferioridade e outras características enfocadas, pode desenvolver outro mecanismo de compensação: a indiferença, a perda de interesse pela vida (chamada de depressão), pelo contato com pessoas, pelo trabalho ou por situações que causaram os sentimentos de rejeição, inferioridade ou por quaisquer outras pessoas que simbolizem as primeiras. E pode levar a pessoa, a fazer alguma ação agressiva e violenta, para provocar sofrimento em si própria ou nas outras pessoas. Ação contra sua própria pessoa (auto-destruição, como drogas, bebidas alcoólicas, auto-mutilações, etc) ou ação contra outros (ameaças, suborno, intimidação, coerção, agressões, maus tratos, estupros, chantagem, humilhação, seqüestros, violências físicas que causem dano, sofrimento físico, sexual e psicológico ou a morte, e tantos outros atos agressivos e violentos).

Busca-se explicações para tanta violência que ocorre atualmente, porém a sociedade deveria estar mais preocupada em entender o porquê as pessoas que compõem essa sociedade humana não estão agindo com características SAUDÁVEIS de seres humanos. Em vez de enfocar o negativo (a violência e suas causas) precisaria ser dada uma ênfase no positivo (o que torna as pessoas saudáveis e felizes e não violentas). Olhando os fatos que diariamente ocorrem na sociedade, raramente se encontra (e raramente a imprensa destaca), algum fato que revele algumas das características saudáveis dos seres humanos, como por exemplo: amor fraterno, alegria, altruísmo, autenticidade, bondade, caridade, cavalheirismo, civilidade, coerência, colaboração, compaixão, compreensão, compostura, confiança, consciência, consideração, constância, convicção, cooperação, coragem, cordialidade, dedicação, desprendimento, disciplina, eficiência, empatia, entusiasmo, equilíbrio, esperança, estima, espontaneidade, fidelidade, firmeza, fortaleza moral, generosidade, harmonia, honestidade, humildade, idealismo, independência, intimidade, lealdade, moderação, motivação, naturalidade, otimismo, paciência, parcimônia, paz, perdão, perseverança, probidade, responsabilidade, sabedoria, sensibilidade, sentido da vida, simpatia, sinceridade, simplicidade, temperança, tolerância, etc.

E fica-se com a pergunta: - Por que, após o conhecimento de tantos casos de crimes violentos que a imprensa diariamente apresenta,  a sociedade como um todo não começa a realizar ações para que as pessoas possam vir a ser pessoas saudáveis e felizes, aprendendo a conviver de modo mais harmonioso com as outras pessoas? A TV, em especial, e a grande imprensa poderiam modificar o enfoque de, em vez de só apresentarem coisas negativas como crimes, rebeliões, seqüestros e matanças generalizadas, começassem a apresentar coisas positivas que ajudassem realmente as pessoas a olharem para aspectos saudáveis dos seres humanos, criando nelas a esperança de que ainda vale a pena ser alguém honesto, equilibrado, saudável, alegre e feliz.

Essas transformações e mudanças são necessárias e urgentes na sociedade, a começar pelos pais e educadores. E estes podem encontrar orientaçòes no livro "Criança Feliz, Adulto Feliz: o poder emocional da auto-imagem", do autor deste artigo. Orientações para desenvolverem crianças e jovens mais saudáveis, evitando, por exemplo, o desenvolvimento da arrogância e outras emoções negativas e orientações sobre quais ações devem ser realizadas quando encontram emoções e comportamentos negativos. Nesse livro, é apresentada a tremenda responsabilidade dos pais e dos educadores, como representantes da sociedade, que convivem diretamente com as crianças e os jovens. Responsabilidade, em relação às novas gerações, pois o tempo de vida não é eterno e os adultos de hoje, um dia irão deixar este mundo, assumindo os postos de comando as outras novas gerações que aprenderam com aqueles adultos. Desde o começo da civilização humana foi e continua assim, com cada geração passando às outras, seus conhecimentos e seus aprendizados de viver. E assim, todos os postos de comando do futuro próximo, no lar, nas comunidades, nas empresas, nas universidades ou nos governos das nações, serão comandados pelas crianças e os jovens de hoje. É de importância vital a responsabilidade dos adultos de hoje (pais, professores, imprensa, pessoas no comando de governos, etc.): o mundo de amanhã será melhor, terá adultos mais saudáveis e felizes, se hoje aqueles adultos desempenharem, do melhor modo possível, as suas missões como educadores de crianças e jovens.

Os acontecimentos violentos da sociedade indicam que a sociedade de hoje (os adultos de hoje, você, eu, cada pessoa), precisa repensar as mensagens que as novas gerações estão recebendo e formando as suas personalidades, se deseja formar cidadãos responsáveis, mais equilibrados e felizes e em especial, uma sociedade mais civilizada, com princípios morais e éticos. Precisa repensar o tipo de formação que está dando às novas gerações, se deseja formar crianças e jovens, homens e mulheres capazes de contribuírem para um mundo melhor, no futuro próximo. É possível ainda, mudar o rumo e a marcha da sociedade humana, tirando-a do rumo da desordem generalizada e de um futuro sombrio, situação que ocorrerá se ela continuar no caminho que está atualmente. Vai depender das ações de cada um. Por isso, faça bem a sua parte...
 

 * Os Livros, Artigos, Cursos e Palestras do psicólogo e escritor Antonio de Andrade, estão no site www.editora-opcao.com.br
* Leia no site, em especial os artigos "A auto-imagem como causa da violência", "Pais, o que fazer para ter filhos felizes?", "Crianças, que futuro?" e "A (in)disciplina e a sobrevivência da sociedade". Mais idéias encontrará no livro "Criança Feliz, Adulto Feliz: o poder emocional da auto-imagem", e "Os Segredos de Fellicia", livros encontrados por esse site, podendo ser solicitados inclusive com dedicatória do autor, se você o desejar. E na palestra "As atitudes dos adultos formando pessoas saudáveis e felizes", o autor apresenta para pais e educadores, em escolas, universidades, empresas e outras instituições, o que fazer para formar as novas gerações, mais saudáveis e felizes. 

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