TRIBUTO AO PSICÓLOGO

" De repente, você encontra alguém, que muda sua vida e passa a fazer parte dela.
   Que te olha nos olhos quando você fala.
  
Que ouve suas tristezas e neuroses com paciência, compreendendo e respeitando seus  senti
  
Alguém, que te diz verdades que você não quer ouvir, mesmo sabendo que você pode odiá-lo por
   isso.
 
  E nesse mundo de céticos, alguém que crê nesta coisa misteriosa, desacreditada e quase
  
impossível, que, estabelecer um vínculo é possível, e que a confiança existe.
  
Alguém que faz você acreditar que realmente vale a pena estar no mundo.
 
  Alguém que o convença que há uma porta destrancada esperando apenas que você vá  abri-la.
  
Quando tudo esta triste e parece escuro e vazio, ergue você e faz com que o mundo de repente
   pareça-lhe brilhante e cheio de possibilidades.
  
Alguém que está com você, em tempos difíceis, em tempos tristes, e de desequilíbrio.
  
Se você se perde no caminho, ele o guia e apóia e te dá forças pra seguir em frente.
  
Alguém que aperta a sua mão e, seja qual for a situação, sempre lhe assegura que tudo há de fazer
    bem.
  
De repente você encontra alguém, que te mostra que se aprende errando.
  
Que crescer, não é só fazer aniversário.
   Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro.
  
Que amigos a gente conquista, mostrando o que somos.
  
Que verdadeiros amigos, sempre ficam com você até o fim.
  
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela.
  
Que quando se pensa saber de tudo, ainda não aprendeu nada.
   Que amar significa se dar por inteiro.
    Que um dia só, pode ser mais importante que muitos anos.
   
Que ouvir uma palavra de carinho, faz bem a saúde e que dar carinho também faz.
   
Que o julgamento alheio não é importante.
   
Que se pode conversar com estralas. 
    Que se pode confessar com a Lua.
    Que se pode viajar além do infinito.
    Que sonhar é preciso.
    Que se deve ser criança a vida toda.
    Que realmente o que importa é o equilíbrio interior.
    Que falar o que se pensa é necessário.
    Alguém que te mostra que não se pode morrer, pra se aprender a viver.
    E esse alguém, se resume em uma palavra;
                     
                PSICÓLOGO" 

  
Adaptação livre de diversos textos por Talita Carvalho e Taísa Guerra - alunas do 4o. ano de
    psicologia


REVISTA DE SAÚDE MENTAL
Nº41

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ENTREVISTA COM O AUTOR:   Prisma
HOJE:       Autonomia do paciente
             Terapia Familiar Sistêmica
ABORDAGENS:     Síndrome de Tourette
                               A Aids, como vai?
PONTO DE VISTA:   Traídos pelo Desejo
ESTADO DE ALERTA: O Psicólogo Organizacional e a Globalização
ALTERNATIVOS:  Terapia das Vidas Passadas
ACONTECE:   Enxaqueca
AGENDA
PLANO DE VIVÊNCIA
Editorial


   
     Christina Freire

Prisma

 

O QUE SIGNIFICOU PARA VOCÊ  ESCREVER O PRISMA?
 
O corpo reflete sempre o seu drama, ele pode ao mesmo tempo, olhar o mundo e todas as coisas e também, olhar-se reconhecendo o que vê.Ele pode ver-se-vendo, tocar-se-tocando, sentir-se-sentindo.
A idéia do Prisma (sólido de substância transparente, utilizado para refletir a luz), foi a forma que eu encontrei para compartilhar com aqueles que amo o meu momento d'alma. E assim, o corpo, enigma em que o imaginário revela muito mais do que é visto, tornou  visível o invisível. 
QUAL SUA PROPOSTA NESTE LIVRO?
 No Prisma proponho que O Corpo, inserido em um cenário do imaginário  vivencie  através das sensações, produzidas pela melodia, e o reflexo de uma parte que  irá se ampliando pouco a pouco, revelar em  um todo , à abertura  para a cena  seguinte , que tira da escuridão e traz á luz, o que estava escondido ou negado.
O PRISMA SERIA ENTÃO UMA  MANEIRA DE  NOS CONHECERMOS MAIS PROFUNDAMENTE?
Ver partes de um todo, e reconhecê-las como próprias,  irá  nos possibilitar   um precioso  encontro com o nosso corpo ,  dando  a ele uma nova imagem de unidade, que  até   então, era de  fragmentação  e parcialidade,   surgindo assim a   possibilidade de  reconhecermos nosso corpo como próprio e pessoal. Esse reconhecimento  é a construção de  uma imagem corporal simbólica,  única  possibilidade  que  temos, para superar a  sensação de totalidade que perdemos logo  após o nascimento. E nos   reconhecermos, novamente, na  experiência da unicidade, que sentimos a medida que crescemos, não obstantes as limitações e incompletude.
SERIA O PRISMA ENTÃO UMA SENSÍVEL E POÉTICA VERSÃO DA PROPOSTA DO SOMATODRAMA?  
Reconheço que o Prisma é a versão poética da obra didática que lancei no ano passado : O Corpo Reflete o Seu Drama, Somatodrama como abordagem Psicossomática, da Editora Ágora.
A experiência de publicar o Prisma foi  vivenciar e assim, acreditar que  o invisível pode tomar  forma e através de atos e palavras ser revelado.
Todos esses anos, muitos foram os encontros, tanto na minha história profissional como pessoal, sempre especiais, pois me transformavam  a cada instante, a medida que se revelavam  em doces, fortes  e intensas  emoções .O Prisma  através do ritmo  e  da palavra, me permitiu numa linguagem  poética  revelar o irrevelável.

COMO VOCÊ  ESTA SE SENTINDO, POR TER CONSEGUIDO TORNAR VISÍVEL  E SEGURAR  EM SUAS MAÕS  O QUE ATÉ  ENTÃO SÓ SUA ALMA HAVIA TOCADO?
Premiada pela vida e encantada pelo mistério da alma humana. Hoje, quando sou agraciada com o olhar e um novo encontro, mais um lado do meu prisma é revelado.
O Prisma, que teve  como inspiração primeira o som, a música - matriz de minha identidada - pois sendo minha mãe, Benita,  maestrina e musicista, já cedo a melodia fez parte da minha vida e nunca mais deixou de estar presente. Beatriz, minha irmã, com linda voz, já cantou pelas Américas e meu filho Sérgio, músico profissional e minha filha Paola com criatividade e doçura idealizou a forma, a construção por parte do Prisma.
Ver partes de um todo, e reconhecê-las como próprias,  irá  nos possibilitar   um precioso  encontro com o nosso corpo,
dando  a ele uma nova imagem de unidade, que  até  então, era de  fragmentação  e parcialidade, surgindo assim a   possibilidade de  reconhecermos nosso corpo como próprio e pessoal. Esse reconhecimento é a construção de  uma imagem corporal simbólica,  única  possibilidade  que  temos, para superar a  sensação de totalidade que perdemos logo  após o nascimento. E nos  reconhecermos, novamente, na  experiência da unicidade, que sentimos a medida que crescemos, não obstantes as limitações e incompletude.  

COMO VOCÊ DEFINIRIA ESTA SUA EXPERIÊNCIA
Vivenciar  o Todo nesta composição, foi e  está sendo  a  mais adorável e rica experiência  do  verdadeiro  encontro  com o Criador. Como criatura  acredito que durante uma existência,  nossa história pessoal  somente será revelada em partes, adquirindo movimento através dos encontros que nos marcam e nos deixam sensíveis  à abertura do ato criador.
O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FALAR, PARA FINALIZARMOS NOSSA ENTREVISTA.
Somente agradecer a Angélica e a Unilever pelo patrocínio cultural.  A  meu editor Gadelha  e toda sua equipe pela dedicação na difícil e trabalhosa  construção deste projeto. A  Nelson Ayres, e a César Camargo Mariano pela música inspiradora de seu LP Prisma e a todos que direta ou indiretamente  participaram  de minha vida , inspirando-me  nessa co-criação.     
CHRISTINA FREIRE, Psicóloga Clínica e Psicodramatista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora e Supervisora credenciada pela Federação Brasileira de Psicodrama, Criadora e Coordenadora do Somatodrama - Grupo de Estudo e Pesquisas em Psicossomática e Psicodrama, Docente em Somatodrama na Escola Paulista de Psicodrama, Membro da Associação Brasileira de Psicodrama, Membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática de São Paulo, Consultora Editorial da Revista Catharsis de Psicologia. Autora do Livro "O Corpo Reflete O Seu Drama: Somatodrama como abordagem psicossomática" Editora Ágora. São Paulo 2000. Artigos publicados em revistas nacionais e internacionais sobre psicodrama, somatodrama e psicologia clínica. Criadora do Curso de psicossomática com enfoque psicodramático para profissionais da área de saúde, além de cantora e poeta, participa do grupo vocal: Canto da Boca.
AV. IRAÍ 79 CONJ.85B S.PAULO .MOEMA
e-mail : crisfreire@sti.com.br
LIVRO: PRISMA -EDITORA ESCRITURAS, LANÇAMENTO DIA 16 DE ABRIL NA FENAC ,S.P. APARTIR DAS 18 HORAS


   
     Néri Tadeu Câmara Souza

O CONSENTIMENTO INFORMADO NA ATIVIDADE MÉDICA E A AUTONOMIA DO PACIENTE

É crucial que haja autonomia de vontade na conduta do paciente, ou seja, estamos frente a um ser como agente único de seus próprios atos, não transferindo a outrem a responsabilidade moral pelos seus atos, assim, tendo espontaneidade da ação em seu agir. A crença, a vontade e os valores morais de um paciente impõe-se que sejam respeitados. Na sociedade moderna os direitos individuais, na área da saúde, têm sofrido um impulso e valorização consideráveis. Há uma exigência, cada vez maior, da sociedade que a autonomia, a autodeterminação, do paciente seja respeitada. Isso implica em conhecimento. Não pode haver ignorância por parte do paciente sobre os atos médicos. Ele tem que ser instruído. As decisões do paciente têm que vir acompanhadas de um suficiente grau de reflexão. O consentimento é uma escolha voluntária, advinda desta reflexão baseada, além do conhecimento, em valores próprios. E, para refletir, tem que ter instrumentos para executar este raciocínio racional, não de pura emoção, por isto a necessidade de conhecimento por parte do paciente. O ignorante sobre algo não é livre para escolher, para decidir, não tem independência nas suas opções pela ignorância que tem sobre os fatos. Para pensar, decidir, agir de maneira autônoma, o paciente tem que estar munido dos instrumentos para poder fazê-lo. Compete ao médico intruí-lo, orientá-lo, sem coerção. A omissão do médico, no caso, caracteriza um ato omissivo culposo. O profissional médico que não fornecer ao paciente as verdades corretas, para que em cima destas o paciente tome uma decisão independente,não está respeitando a autonomia do paciente, incorrendo, assim, em um agir culposo, pelo qual é passível de ser responsabilizado.

O dever de informação é uma das regras primordiais da atividade médica. O médico está proibido de deixar de informar o paciente sobre as condições em que vai se estabelecer o seu tratamento. Há que se contar com o consentimento do paciente, para a realização dos atos que vão levar à sua cura, mas este deve estar, sempre, informado 

convenientemente das condições em que vão se realizar estes atos. É, indispensável, pois, o consentimento informado na relação médico-paciente. Envolve um diálogo, de caráter cogente, entre o médico e o seu paciente. A falta de consentimento informado caracteriza uma negligência do médico. O consentimento informado é parte integrante do ato médico. Não pode faltar. Se retiver algum dado necessário para que seu paciente tenha condições de emitir um consentimento informado, de forma inteligente em relação ao que lhe é colocado como forma de tratamento, o médico pode ser responsabilizado legalmente por esta omissão. Se não houver a informação de maneira conveniente, não se pode falar que houve o consentimento informado. A informação e o consentimento correm irmamente unidos, sem um não se pode dizer que houve o outro. A informação não deve ser apenas razoável. Ela deve ser suficiente para que o paciente tenha um entendimento que lhe seja o bastante para compreender as diversas opções que se apresentam, podendo, assim, decidir com autonomia sobre seus objetivos pessoais.

O médico ao instruir, informar, o paciente deve levar em consideração que há diversas maneiras de esclarecê-lo. Há extrema variabilidade no consentimento informado. O que vige, portanto, é a não uniformidade na maneira de se informar ao paciente sobre as características do seu atendimento. Além disso, uma exposição completa seria bastante difícil de conseguir, o que é bem fácil de entender. O grau de compreensão de cada paciente contribui para isto, pois é variável de um para outro. Tudo isto, faz esta transmissão de ensinamentos, revestir-se de uma acentuada complexidade, situação para a qual o médico deve estar preparado, adaptando as suas elucidações ao grau de discernimento de quem recebe, em cada caso, a sua explanação.

Pode haver impossibilidade física, por exemplo, inconsciência do paciente, ou impossibilidade legal, como a menoridade. Como o princípio do respeitos às pessoas estatui que as pessoas com autonomia reduzida devem ser protegidas. estas impossibilidades têm que ser supridas, ou seja, os responsáveis legais por estas pessoas suprirão com sua permissão, devidamente 

informados, o consentimento para a realização dos atos médicos que se fizerem necessários. Entenda-se bem, pois é basilar, que quem consente tem que ter capacidade legal para fazê-lo.

Pode mesmo haver impossibilidade temporal para o consentimento informado, como nas urgências e emergências. O grau de risco de algum prejuízo ao paciente, determinará até onde deve ir a intervenção do médico, sem um prévio consentimento por parte deste. Mas, o risco de vida, sem dúvida, é mandatário em impor a obrigatoriedade de agir ao médico, mesmo sem consentimento do paciente, até, conforme o caso, com sua oposição. Pode-se, até, afirmar que, segundo o direito penal brasileiro, caracteriza-se nesta situação uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade, a "inexigibilidade de conduta diversa". É, neste caso, impositiva a prática de um determinado ato por parte do médico, não podendo ser inculpado por este, também como prevê, expressamente, o Código Penal Brasileiro, em seus artigos 23, inciso I e 24, como excludente da antijuricidade, da ilicitude, ou seja, o agir de alguém em "estado de necessidade". No caso, para salvar a vida de outrem. Tudo isto, reforçado pelo caráter explícito do artigo146 do nosso Código Penal, que diz no seu parágrafo 3°, inciso I: "Não se compreendem nas disposições deste artigo: I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante, se justificada por iminente perigo de vida;". Portanto o constrangimento ilegal - crime contra a liberdade pessoal - previsto no "caput" do referido artigo 146, não se aplica ao médico na eventualidade de haver iminente risco de vida. O nosso direito positivo admite, pois, o "estado de necessidade", dando este, ao médico, não só a autorização, mas, inclusive, impondo-lhe, nos casos em que ele se configure, o dever de agir, para preservar o bem maior, a vida do paciente. O risco de morte, ou, até mesmo, de lesão física, libera o médico de saber a vontade do paciente. Se não consegue convencer o paciente, só resta ao médico intervir contra a vontade do mesmo, para preservar sua integridade física, sua vida.

O consentimento informado pode ser oral ou escrito, mas a forma escrita, principalmente do ponto de vista legal, é a mais recomendável. A forma escrita tem um formato externo que permite um reconhecimento por outros interessados, se for o caso. Na prática, sempre haverá uma conjugação, ao se utilizar a forma escrita, com a forma oral de consentimento informado, até, pela complexidade da explanação de certas situações e atos médicos. Até, pode ser o consentimento presumido, se óbvio - fácil de constatar - que o paciente, se consultado, concordaria com o ato médico.

Todo consentimento informado apresenta-se, necessariamente, composto de um conteúdo em informações fornecidas pelo médico ao paciente, necessita que haja compreensão destas informações por parte do paciente, deve ser voluntária a decisão do paciente e esta deliberação do paciente tem que se expressar em um consentimento, uma aquiescência. A Confederação Médica Latino-americana e do Caribe - CONFEMEL, em sua 3ª Assembléia Ordinária, realizada na cidade de Santa Marta, na Colômbia, em 10 de dezembro de 1999, como parte da Declaração sobre a Responsabilidade Legal do Exercício da Medicina, estabelece que se promova como ação imprescindível ao exercício da medicina, entre outras, a "Utilização sistemática do consentimento idôneo, e ante uma comunicação clara, acessível, respeitosa da autonomia do paciente". Também na Declaração de Princípios Éticos Fundamentais da CONFEMEL estatuído está que "É direito do paciente decidir livremente a respeito da execução de práticas diagnósticas e terapêuticas". No mesmo sentido vão os artigos 56 e 59 do Código de Ética Médica, que dizem: "É vedado ao médico: Art. 56. Desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente perigo de vida. Art. 59. Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu responsável legal".

É conveniente, que o consentimento seja obtido próximo à realização do ato médico ao qual se refere, mas com uma distância deste que permita uma decisão voluntária e esclarecida. Pode ser obtido no mesmo dia, se depender de informações adicionais que só se disponibilizem naquele momento. Trata-se de expor ao paciente as alternativas diagnósticas , terapêuticas e prognósticas de seu caso, de uma maneira que isto lhe seja compreensível. Mas, convém, neste ponto, ressaltar, o consentimento informado não descaracteriza, em hipótese alguma, responsabilidades profissionais por parte do médico.
 
Cabe ao paciente escolher, dentre os tipos que lhe são ofertados pela moderna medicina, qual o tratamento que mais lhe convém. Isto exige a prévia informação necessária do médico sobre estes tratamentos. O paciente é o legítimo dono daquilo sobre o qual estamos decidindo.

O consentimento informado teve limitada sua utilização, até agora, na prática , para a ocasião da realização de procedimentos invasivos ou situações especiais. Encontra, todavia, atualmente, como recomendação, um campo de aplicação bem mais amplo, inclusive, pelas implicações legais - omissão, que pode acarretar a sua não formalização em determinado atendimento médico, no caso de eventuais danos ao paciente. O paciente deve ser alertado, como dever do médico, dos riscos mais comuns. Chama-se de "risco residual" àquelas complicações menos freqüentes de acontecerem que, usualmente, não são necessárias de se informar ao paciente. Porém, mesmo certos acontecimentos, incluídos na pouca probabilidade do "risco residual", devem ter comunicada a sua possibilidade de ocorrerem ao paciente, devido ao grau de prejuízo que a sua ocorrência, mesmo pouco provável, traria ao paciente. Quando se tratar de cirurgia plástica estética a exigência, no tocante às informações que devam ser dadas ao paciente, inclui que deva ser informado, principalmente, dos riscos mais raros do procedimento ao qual vai ser submetido.

 Quando escrito, ou mesmo na exposição oral, o consentimento informado deve ser obtido através de uma linguagem acessível, adaptada a cada tipo de paciente. Isto implica em conhecimentos de psicologia, por parte do médico, para, até mesmo, evitar o uso de expressões que traumatizem desnecessariamente o paciente. A informação deve ser completa, mostrando a realidade, mas, enfatizamos, adaptada às condições emocionais de cada paciente. Isto exige um conhecimento suficiente da personalidade do paciente, permitindo uma abordagem clínica adequada da situação, em termos de consentimento informado. É conveniente que a explanação inclua, necessariamente, os benefícios advindos do tratamento proposto, os possíveis riscos e tratamentos outros que sejam viáveis para o caso. Uma má avaliação do estado psicológico do paciente pode encontrá-lo mal preparado para estar ciente do seu estado clínico, portanto, para não incorrer em imprudência, antes de expor os dados de sua doença ao paciente, o médico deve avaliar a sua possibilidade emocional de receber estas informações. Revelações brutais de diagnóstico e prognóstico que o paciente não suporte têm que ser evitadas. Por vezes, devido à complexidade da situação médica que se apresenta, para uma explanação completa, serão necessários vários encontros entre o médico e o paciente e, ou, seu responsável. Este modo de agir, vem ao encontro do paradigma bioético antropológico de que cada pessoa tem como caráter ser único, não se repetir, sendo aberta à inter-relação com os outros e com o mundo, passível de se comunicar e ser solidária em sociedade, merecendo, portanto, uma abordagem sempre individualizada quando se encontre na situação de paciente. Falando objetivamente, compete ao médico informar ao paciente ou seu responsável, em linguagem simples, todos os aspectos que envolvem a sua doença.

O reconhecimento pela sociedade dos direitos fundamentais das pessoas, está repercutindo nas relações entre os médicos e os pacientes, levando, cada vez mais, a uma maior emancipação do paciente quando se trate de decidir sobre os tratamentos aos quais deseja se submeter. E, para decidir, o paciente tem que ser bem informado. Tudo isto se baseia no princípio da autonomia, o princípio do respeito às pessoas.  

Neri Tadeu Camara Souza
ADVOGADO / DIREITO MÉDICO
Médico - Residência em Clínica Médica/Gastroenterologia - Especialização em Administração Hospitalar - Especialista em Gastroenterologia pela Associação Médica Brasileira - Coronel Médico da RR da Brigada Militar.
Endereço: Rua Upamoroti, 649 - Porto Alegre - RS - CEP 90820-140.
Telefones: 32472530/32472572 e 99582009.
E-mail: resp@pro.via-rs.com.br
Site: www.geocities.com/erromedicoresp


      
    Adriana Carbone

TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA
Breve histórico: origem e desenvolvimento da terapia familiar

O advento da Terapia Familiar foi marcado pela interdiciplinariedade, iniciando-se nos anos 40 . O pensamento sistêmico(1) proposto por von Bertalanffy, casado com a cibernética(2),originária das idéias de Wiener, derivou-se de campos distantes da psicoterapia e até mesmo da psicologia. Enquanto a teoria geral dos sistemas propunha-se a estudar as correspondências ou isomorfismos entre os sistemas de todo o tipo, a cibernética ocupava-se dos processos de comunicação e controle nestes sistemas.

A aplicação deste pensamento à prática psicoterápica teve como  perspectiva central o olhar do antropólogo Gregory Bateson que transforma o conceito de informação(3) para as praticas relacionais e circulares ao dizer que o “observado tem a marca de quem observa”, do psiquiatra Don Jackson que supervisionou o projeto de comunicação(4) desenvolvido por Bateson e foi o primeiro a utilizar o termo homeostasia familiar, e da assistente social Virginia Satir que  trabalhava com crianças e famílias(5).

Os primeiros trabalhos em terapia familiar iniciaram-se com famílias de esquizofrênicos na década de 50 e basearam-se na teoria da comunicação(6) elaborada com base nas pesquisas de  Weakland, D.Jackson, G. Bateson e Jay Haley.

Embora a teoria geral dos sistemas, em parceria com a cibernética, tenha configurado os limites dos paradigmas para uma teoria clinica de psicoterapia, na prática diferentes sistemas de crenças resultaram em distintos modelos de terapia familiar, caracterizando diversos sistemas de inteligibilidade que, praticamente coexistiram(7)

Os diferentes modelos desde o principio de sua evolução até a década de 70, que coexistiram foram: 

Comunicacional - Bateson, Haley, Satir e Jackson
Interacional, ou Terapia Estratégica Breve – desenvolvido em Palo Alto no Mental Institute Research
Estrutural - Minuchin
Estratégico – Haley e Madanes
Experiencial Simbólico – Whitaker
Intergeracional – Bowen e Borzomeny-Nagy
Sistêmico de Milão – Selvini-Palazzoli, Prata, Checcin e Boscolo

Os modelos com suas distintas maneiras de definir o que vem a ser o problema, a teoria da mudança e a prática psicoterapêutica preocuparam os estudiosos do campo da terapia familiar quanto a precisão conceitual que então, consideraram as práticas da terapia familiar como sistêmicas e a epistemologia como cibernética(8).

O terapeuta familiar na pós-modernidade

As contribuições de uma epistemologia sistêmico-cibernética(9) para a prática da psicoterapia implicaram, primeiro na mudança paradigmática que enfatizou a importância do contexto para a compreensão dos problemas do ser-humano, que esta em inter-relação com o outro. Segundo, na organização da prática em torno do conceito de causalidade circular e não mais linear, de causa e efeito, portanto entende-se que os seres vivos organizam seus comportamentos dentro de uma trama de relações. Terceiro que isto implica a noção de observador-participante, o que diferencia as terapias familiares quanto a Cibernética de Primeira Ordem e de Segunda Ordem.

Se pelo aspecto teórico a terapia familiar permitiu muitas contribuições, no âmbito das práticas gerou um novo olhar sobre o terapeuta  dismistificando-o como expert, que passou a assumir um papel de facilitador, cujo conhecimento, como qualquer outro conhecimento esta livre de um status previligiado e, é auto-referêncial.

A escuta feita pelo terapeuta pressupõe sua formação teórica e prática e sua bagagem transportada por sua própria história de vida, isto implica na formação como especialista em terapia familiar e de casal e na vivência da terapia individual, supervisão e consultoria clínica. Elkain, partindo da auto-referência propõe o conceito de ressonâncias(10) que indica uma intersecção entre as histórias de vida pessoal do terapeuta e da família ou dos clientes atendidos.

A terapia propõe que o cliente seja o especialista no que diz respeito ao conteúdo, isto quer dizer que ele sabe sobre suas própria vida e dos motivos que o trouxeram para a terapia, enquanto que o terapeuta é o especialista no processo, permitindo por sua especialidade criar um contexto propiciador e facilitador para uma conversação que permita a reconstrução dos significados da história de vida do cliente(11).

Neste sentido também o sistema terapêutico, passa da família para ser definido como aqueles que estão envolvidos em conversação em torno de um problema. Estes sistemas não são determinados por sua estrutura ou seu papel social, mas por uma dinâmica  relacional que se organiza em torno dos significados compartilhados, nos quais estão os problemas que levam as pessoas a buscarem terapia.

Tal concepção em primeiro plano coloca ênfase sobre a linguagem e a pessoa do terapeuta,  e segundo estende o território da terapia sistêmica, originalmente uma terapia de família como um sistema, para além das fronteiras, ao incluir o indivíduo, as comunidades e outras organizações sociais, envolvidos numa trama significativa.

Grandesso diz que estamos “apoiados em torno dos princípios de imprevisibilidade e incerteza, da impossibilidade de um conhecimento objetivo, da auto-referência, da linguagem da autopoiese, o campo da terapia sistêmica organizou-se nas chamadas terapias sistêmicas construtivistas, construcionistas sociais, desenvolvidas nos modelos conhecidos como conversacionais, dialógicos ou narrativos. Em comum pode-se destacar que todas questionam os modelos diagnósticos tradicionais, as teorias clínicas e teorias de mudança, tradicionalmente  centradas nos modelos apriorísticos de disfuncionalidades e patologias, ou de funcionamento saudável.”

O que é a terapia familiar e para quem servem as terapias familiares?

Embora não se possa deixar considerar a interdiciplinariedade da terapia familiar e a diversidade de modelos de atuação nesta área acredita-se que a compreensão sobre o que  se entende por família e sistema é fundamental para a discussão sobre a atuação clínica da terapia familiar.

A terapia sistêmica da família organizou-se em torno de alguns conceitos básicos, definidores de sistemas: 
- Globalidade - um todo coeso é como se comporta um sistema, o que implica que a mudança de uma parte altera todas as outras partes e o sistema como um todo
- Não-somatividade - um sistema não pode ser considerado como a soma de suas partes  
- Homeostase - processo de auto-regulação que mantém a estabilidade do sistema
- Morfogênese  - capacidade do sistema em absorver inputs do meio e mudar sua organização (sistemas abertos)
- 
Circularidade  - a relação entre quaisquer dos elementos  do sistema é bilateral, o que pressupõe uma interação que  manifesta-se como sequência circular
- Retroalimentação  - garante o funcionamento circular pelo mecanismo de circulação da informação entre os componentes do sistema por princípio de feedback (negativo funciona para manutenção da homeostasia e o positivo que responde pela mudança sistêmica).
- Equifinalidade – independentemente de qual for o ponto de partida, um sistema aberto apresenta uma organização que garante os resultados de seu funcionamento.

A terapia familiar sistêmica estruturada em torno desses conceitos entende a família como um sistema aberto que se auto-governa através de regras que definem o padrão de comunicação mantendo uma interdependência entre os membros e com o meio no que diz respeito a troca de informações e usa de recursos de retroalimentação para manter o grau de equilíbrio em torno das transações entre os membros.

O aspecto fundamental é a de que o ser “doente” ou a pessoa que apresenta problemas, é apenas um representante circunstancial de alguma disfunção no sistema familiar. Enquanto o modelo tradicional de práticas psicoterapeuticas diria que o transtorno mental se manifesta pela força dos conflitos internos ou intra-psiquícos, tendo sua origem no próprio indivíduo, o modelo sistêmico daria ênfase a tal transtorno como expressão de padrões inadequados de interações familiares.  

Assim sendo considera-se relevante priorizar o trabalho direto e efetivo com as necessidades da família e do meio ambiente, sendo que esta  família é  definida pelos seus padrões de interação, em detrimento de rebuscar somente os dificuldades de ordem intra-psíquica individuais.

A Terapia Familiar/Casal não é recomendada para qualquer caso, porém tem indicação clara para certas situações(12):
- problemas com várias pessoas da mesma família
-
problemas evidentes de relacionamentos entre pais
- violência, alcoolismo, drogadição, distúrbio psíquico, luto patológico entre outros.

Na terapia são consideradas todas as informações levando em conta até três gerações da família envolvidas no tratamento o que caracteriza mais do que um trabalho de remediação às possibilidades preventivas, quando se pensa numa mudança de Segunda Ordem, que implica na transformação dos padrões de transacionais que constituem a estrutura familiar(13) .  A mudança terapêutica é decorrente da ampliação de possibilidades de experiências vividas pela família nos diferentes contextos. Em contrapartida ao conceito de mudança próprio das terapias familiares da cibernética do primeiro período está o conceito de reconstrução enfatizado pelos terapeutas que trabalham na perspectiva das  (re)construções de narrativas. 

O tratamento possibilita que mais de uma pessoa seja atendida por um profissional ou uma equipe de profissionais que compartilham da mesma visão de homem e de mundo permitindo  o vínculo e a linguagem comum com todos os membros da família, possibilitando uma re-construção dos significados que giram em torno do problema.

A criança como consultora ou co-terapeuta na Terapia Familiar.

O terapeuta familiar nem sempre trabalha só, pode estar com um colega (co-terapeuta) ou uma equipe de profissionais, mas ainda assim pode ter a criança como sua principal aliada de trabalho.

O atendimento de famílias  com crianças geralmente parte de alguma dificuldade observada pelos pais em seus filhos com relação a problemas escolares, psicomotores ou de relacionamento intra e extra familiar. É comum que os pais tragam seus filhos para que a terapia seja realizada somente com eles. A fala dos pais  é “meu filho tem o problema” ou então  “ele é o problema, nós não sabemos mais o que fazer”.

Curiosamente é a criança que pode ser consultora ou co-terapeuta do terapeuta familiar no atendimento, sendo sua ajuda solicitada para que juntos, terapeuta e criança possam ajudar os pais. Imediatamente dissolve-se o foco da criança como problema, o “Bode expiatório”. Primeiro promove-se a busca de recursos na própria criança fazendo que ela sinta-se capaz, o que faz com que os pais não vejam-na somente como frágil e problemática, mas como gestora de recursos promotores de mudanças e também envolve os pais como participativos no processo de tratamento daquela família. Valorizando a competência da criança indiretamente o terapeuta também cumprimenta os pais que criaram-na tão bem.

É muito freqüente que as crianças escolham os sintomas de acordo com o que elas queiram afetar profundamente. Assim foi  o que Marcos fez (nome fictício).

 Em fase de separação conjugal Marta e João procuram a terapia de casal preocupados com as conseqüências deste rompimento sobre seus filhos. Marcos estava indo mal na escola. Numa entrevista realizada com a coordenadora da escola soubera que, não passaria do pré para primeira série do ensino fundamental, recusava-se a participar do “mundo letrado”, isto é do “mundo dos adultos”. Não era para menos vivendo no meio de tantas brigas entre seus pais, para ele o melhor era continuar “brincando” e não lendo ou  escrevendo.

Foram realizadas sessões com diversos sub-sistemas da família.

1ª) Entre Marcos e sua irmã, configurando o sub-sistema fraterno, nas quais foram trabalhados os aspectos de rivalidade e apego, isto é, o quanto esses irmãos poderiam ajudar-se nesta fase de reorganização familiar diante da separação de seus pais.

 2ª) com a mãe, Marcos e a irmã, com intuito  de  fortalecimento do  vínculo entre Marcos e sua mãe, visto que esta permitiu a guarda das crianças ao pai.

 3ª) com os avós paternos de Marcos e seu pai. Na medida que o pai de Marcos pode conversar com seu pai sobre o quanto se sentira desqualificado na infância, reconstrói o significado de sua relação também com seu filho e deixa de agredi-lo fisicamente como também chamá-lo de “burro”.

4ª)  com avós maternos de Marcos e sua mãe. A mãe, filha de pais separados também, consegue resignificar aquilo que entendeu como abandono vivido na infância na relação com sua própria mãe e retoma a guarda do filho. Durante as sessões a mãe de Marcos sentia-se deprimida e ele preocupava-se com ela que havia ficado só após a separação, pois ele e a irmã foram morar com o pai e a nova esposa dele.

 5ª) com família substituta de Marcos , agora composta pela irmã, o pai e a madrasta. Foi extremamente importante a sessão que configurou-se como ritual de uma outra família que se construía simultaneamente com a entrada da nova esposa do pai. Fez-se necessário redefinir papéis e tarefas de cada membro da família, o que permitiu um lugar de maior prestígio para Marcos que também ganhará mais um irmão o filho da esposa de seu pai, e este passou a ser seu colega de quarto. Assim nem todos os “fracassos” recaiam sobre ele.   

 6ª) com os tios por parte de pai, foi uma sessão na qual se redefiniram os papéis, pois estes tios exerciam funções paternas, e assim tanto o pai quanto a mãe sentiam-se menos valorizados diante de Marcos, que embora tomasse o tio “como pai afetivo”, na medida que o fazia mais impedia a possibilidade de ter uma relação feliz com seu pai, isto quer dizer que nos finais de semana passou a  viajar com o pai, a montar cavalo e brincar com ele e não somente com o tio como fazia antes da separação de seus pais. A tia deixou de fazer as lições de casa dele, fazendo com que ele pudesse sentir-se mais valorizado por conseguir realizar suas obrigações sem auxílio, ou quando este era necessário passou a solicitar sua mãe ficando mais próximo dela, podendo cuidar e ser cuidado.

Assim Marcos foi deixando de ser o problema e ajudando seus pais e as três gerações de sua família.

Este caso ilustra o quanto nós como profissionais da saúde devemos estar atentos   ao que nos comunicam as crianças. Será que valeria a pena Marcos repetir de ano, por dificuldades que não  eram só dele? Esta história tem um final feliz se assim podemos dizer, Marcos vai para a primeira série do ensino fundamental e redistribuí o lugar para que cada membro de sua família possa crescer e sentir-se feliz. Este trabalho durou um ano e meio, e ainda hoje lembro-me dos olhos azuis de menino sofrido que passaram a brilhar.

AdrianaCarbone
Mestre pelo programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC/SP;  especialista em terapia familiar e de casal (NUFAC - PUC/SP); membro da APTF – Associação Paulista de Terapia Familiar de São Paulo; professora da UNISA – Universidade Santo Amaro.


   
    Heloisa Helena Garbuglio

SÍNDROME DE TOURETTE
UM CASO EM ANDAMENTO-HIPNOSE ERICKSONIANA

A    Síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico genético, que foi inicialmente descrita pelo médico Jean Marie Itard, em 1825.Relatava o caso de um paciente que emitia sons semelhantes a latidos, além de verbalizar obscenidades nos momentos mais críticos da doença. É considerada uma doença grave, que causa grande comprometimento psicossocial, causando sofrimento aos portadores e seus familiares.
A Síndrome de Tourette se manifesta cerca de três a quatro vezes mais no sexo masculino do que no feminino. É encontrada independente da classe social.A análise de segregação de famílias mostra que a ST é herdada de acordo com o padrão autossômico dominante com penetrância variável dependendo do sexo.

A criança com Síndrome de Tourette exibe muitos tiques motores involuntários e um ou mais tiques vocais durante a doença, que necessariamente não são concomitantes.Os tiques são movimentos súbitos que vão desde os movimentos de cabeça, ombros, todo o corpo, caretas, piscar de olhos, ou comportamentos repetitivos de tocar coisas e piscar os olhos.Os tiques vocais aparecem em algum momento da doença como: fungar, tossir repetidamente, risos involuntários, pigarro e uma variedade de sons e gritos, havendo presença de ecolalia e coprolalia. O inicio da doença se dá antes dos dezoito anos. Um aspecto característico da doença é que os sintomas mudam com o passar dos tempos. Uma criança pode apresentar por uma determinada época ‘piscar os olhos e fungamento’ e mais adiante aparecer ecolalia ou fazer “cleques” com a língua. O diagnóstico é difícil e apresenta muitos sintomas associados à doença.O tratamento da ST consiste em duas abordagens associadas: o tratamento psicossocial e o farmacológico.

Relato de caso clinico

J, 12 anos, sexo feminino, 6ª. série. Foi encaminhado ao meu consultório pelo seu médico neurologista, que já conhecia o meu trabalho em hipnoterapia. J. é filha única. Seu parto foi normal, sem intercorrencias. Apresentou desenvolvimento neuropsicomotor sem anormalidades. Há um caso igual ao seu na família do pai, sua irmã caçula que também apresenta a ST.

 J. vem de uma família de classe média baixa, com educação bastante rígida. Seus pais são católicos. O pai é auxiliar de enfermagem, trabalhando em dois hospitais. A mãe era secretária, mas desde o aparecimento da doença de J. não está mais trabalhando.O casal chegou ao meu consultório descrente de todo e qualquer tratamento médico, pois durante esses cinco anos peregrinaram por consultórios e hospitais de vários profissionais da área de saúde, como também foram realizados vários tratamentos farmacológicos e terapêuticos sem sucesso

J. é uma menina educada, inteligente e amável e como é natural de sua idade, com todos os problemas típicos  de uma pré-adolescente, acrescidos dos da ST. J. manifestou a doença aos seis anos de idade, após presenciar uma briga entre sua mãe e a vizinha.Os tiques começaram de uma maneira discreta e depois foram se intensificando.No último ano os tiques ocorreram sem parar, acrescidos de um piscar intenso dos olhos bem como o aparecimento dos tiques vocais que pareciam latidos e faziam com que J. estremecesse todo o corpo. Associados aos tiques vocais começaram a aparecer palavras obscenas (coprolalia) que ocorriam involuntariamente e fora de qualquer contexto, o que deixava os pais incrédulos e a paciente deprimida.Os tiques motores foram ao longo do tempo mudando de localização. Apresentou movimentos de nariz, caretas faciais e levantar dos ombros. Fungamentos e pigarros também eram presentes.


O tratamento medicamentoso foi realizado por três anos com relativo sucesso. Atualmente todos os medicamentos utilizados apresentam uma serie de sintomas adversos tais como sedação, disforia, ganho de peso, vômitos, ânsias...Várias associações medicamentosas foram feitas sem sucesso. A cada troca de medicação os tiques aumentavam de intensidade ou apareciam outros. Segundo os pais e a paciente, os remédios não faziam mais efeitos como também ela passava muito mal ao tomá-los (sic).

Como a maior parte do dia J. fica na escola e grande parte dos seus problemas vem do convívio social iniciei o meu trabalho encaminhando os pais de J. para a ASTOC (Associação Brasileira se Síndrome de Tourette e Tiques), que é uma associação voluntária, e oferece palestras para pais, educadores e colegas de pessoas com ST.

 J. já havia trocado de escola três vezes e ia trocar pela quarta vez.Com o trabalho envolvendo toda a escola, J. se sentiu acolhida e pode falar do seu problema livremente, até arrumando entre os colegas, muitos aliados.

Para os professores foi importante conhecer á respeito da doença, pois muitos atribuíam aos tiques de J. indisciplina e gozação, fazendo com que ela fosse expulsa da classe por diversas vezes.Para tranqüilidade e supresa de J. seus colegas reagiram positivamente às explicações da doença, pois muitos não entendiam as caretas e os movimentos de J. principalmente os tiques vocais .Assim a paciente pode ser vista na escola sem discriminação por parte dos alunos e professores, como também ficando claro que atitudes superprotetoras eram o que menos J. precisava.  J. não apresentava outros distúrbios associados a ST.Seu nível de atenção é bom e até o momento não se tem observado comportamentos obsessivos compulsivos e não há a utilização por parte de J. em rituais. Não há distúrbio de aprendizagem.

Com a família mais estruturada iniciei o meu trabalho no consultório com J. Na hipnose Ericksoniana cada paciente é único e as sessões são planejadas antecipadamente.Para o terapeuta ericksoniano é importantíssimo conhecer o funcionamento cerebral, já que os hemisférios cerebrais realizam funções diferentes, interconectados pelo corpo caloso. Na hipnose nossas funções estão mais orientadas pelo cérebro direito, que possui uma linguagem não-verbal, que inclui sensações, imaginações e fantasias, que são instrumentos que podem ser usados para a mudança do paciente. O cérebro direito, que é emocional e subjetivo, contrapõe-se ao cérebro esquerdo, cuja função é lógica, objetiva e formal. No transe a gama da consciência é ampliada facilitando que a percepção e a expressão sejam complementadas.

O primeiro objetivo no tratamento de J. é que ela conseguisse tomar a medicação, o que talvez fizesse com que a freqüência dos tiques abaixasse. Assim usando o principio da Utilização de Erickson, comecei a “Semeadura”, visando estabelecer mudanças futuras, por meio de aprendizados de J. adquiridos durante toda a vida.

J. entrava em transe muito facilmente, pois havia um bom rapport e motivação para que o trabalho fosse realizado. Seu transe é de nível médio e acredito que é o transe que mais desenvolve a capacidade de abrir possibilidades para o inconsciente. Aqui J. participava de todo o processo, aparecendo todos os sinais físicos de uma constelação hipnótica. Durante a indução procurei usar a absorção, a ratificação e a eliciação.

Na absorção usei o método da percepção cinestésica, fazendo-a perceber o calor, o tônus muscular,a temperatura,o conforto, misturando também alguma coisa da percepção visual incluindo imagens, lugares e cores. Truísmos foram associados, yes set utilizados com pressuposições e injunções simbólicas. A dissociação entre mente consciente e inconsciente também foi utilizada, aliando-se a dissociação o porquê de fazê-la.

 Na eliciação trabalhei a aceitação do remédio por parte do organismo da paciente, que era o principal objetivo do nosso tratamento. Aqui foram usadas várias metáforas, algumas conhecidas, mas todas adaptadas à realidade de J. Eis algumas das metáforas: A porta negra,... A borboleta,... Solos,... O que você quer ser?...Pintas de cores diferentes... 

Com este trabalho o organismo da paciente começou a aceitar os medicamentos, o que fez com que os tiques reduzissem na ordem de 60%. A paciente estava mais calma e interagindo com o meio de uma maneira diferente, e seus pais também passaram a apreciar mais o trabalho feito com J.

Entretanto na Páscoa J. foi viajar. Fiquei sem vê-la por duas semanas. Sua mãe suspendeu a medicação o que fez com que os tiques voltassem numa intensidade violenta.Os olhos piscavam sem parar, o corpo balançava e estremecia a todo o momento, os tiques vocais estavam mais freqüentes e guturais, os cleques com a língua ocorriam sem parar...O médico de J. e eu suspeitávamos que não era a primeira vez que sua mãe alterava a medicação.

Assim readaptamos os objetivos no tratamento de J. Nossa intenção era que a paciente se tornasse responsável por tomar a sua medicação não tendo mais a atitude passiva de receber o remédio pelas mãos da mãe, que interferia no processo.Desenvolvemos todo um trabalho, no sentido de responsabilizar a paciente para o seu processo de cura .Novas técnicas foram usadas no tratamento de J. A paciente então teve uma melhora de 90% nos tiques, segundo o médico que a trata.Utilizamos os seguintes exercícios: eu aprendo o que se chama o que eu sinto..., a ensaiar o meu futuro...,a colaborar com minha cura física e emocional...confeccionar novos trajes para mim......(Autohipnose: Apriendendo a caminar por la vida).

Atualmente estamos com novas propostas no tratamento de J. É sabido que pacientes com a ST, ao menstruarem os tiques desaparecem.Como a paciente está na fase pré-menstrual, estamos desenvolvendo todo um trabalho usando todos os recursos da hipnose naturalista, no sentido que talvez o organismo dela elimine os tiques quando a menarca ocorrer. J. tem reagido muito bem nesta fase do tratamento, e atualmente sua única preocupação é o de uma adolescente que quer namorar.. ..

Heloisa Helena Garbuglio - Psicoterapeuta


   
    Sergio Mascoli

E A AIDS COMO VAI?

Esta pergunta não tem o interesse de que nós a respondamos com um “vai bem, obrigado” ou “vai indo, né?”, mas é um meio para que possamos levantar um debate e fazer uma reflexão sobre o tema. 

A verdade é que o HIV não tem dado folga ou descanso a ninguém hoje em dia, ele continua infectando pessoas de todas as classes sociais, de todas as raças de todas idades; poderíamos; até dizer que o vírus parece ser “onipotente” e “democrático”. 

Porém; há meios de impedirmos sua expansão, a primeira e a mais importante é a prevenção,
que é a cautela que uma pessoa deve ter quando mantém relações sexuais com uso da camisinha, ou usar drogas injetáveis com outras pessoas, usando seringas e agulhas descartáveis sem compartilhá-las com ninguém.

Agindo assim o corpo não será contaminado. Contudo, quando o corpo já foi contaminado a segunda forma de combater a expansão do HIV é estruturar-se psicologicamente.

Quando uma pessoa tem o resultado positivo de seu primeiro exame, geralmente, fica muito triste, deprimido, revoltado, confuso, desanimado, fica sem saber o que fazer. Depois de um resultado positivo confirmado é importante ter um acompanhamento de um psicólogo, além do seu medico, para poder re-estruturar seu mundo psicológico.

É importante que o portador do HIV dê um novo significado e sentido para o fato de estar contaminado. É preciso estar esclarecido sobre como se relacionar sexualmente, é necessário cuidar de sua saúde, aprender sobre os anti-retrovirais, enfim, é importante re-educar-se para a vida. 

Mudar o significado da contaminação pelo HIV não é como num passe de mágica; é um processo lento que se inicia com uma sensação de que a morte vai chegar amanhã para uma certeza de que viver é o brotar de uma força que resiste à
morte com valentia.

A estruturação psicológica começa quando a pessoa não quer desistir de viver e viver com qualidade; que compreende que apesar do vírus, ainda pode resisti-lo. O HIV demonstra para a pessoa que o corpo dela é frágil, mas a mente mostra para a pessoa que o psicológico é quem determina o valor desta fragilidade.

Como diz o ditado antigo “mente sã num corpo são”, uma mente que luta pela saúde fará um corpo ser mais saudável mesmo que ele tenha HIV, sendo que o inverso também é verdade, ou seja, se uma mente não está saudável, mesmo que o corpo esteja bem, ele poderá adoecer.

 O HIV fragiliza o sistema imunológico que passa a não resistir às infecções e os médicos fazem de tudo para mudar este quadro. Toda fragilidade pode nos ensinar como ser mais fortes, basta aprendermos a lição com ela, enfim, a fragilidade nos mostra como e onde ficar mais resistentes e os psicólogos podem ajudar muito nesta situação. Os anti-retrovirais ajudam o corpo a ficar mais resistente e a mente auxilia o corpo a ficar mais vivo e saudável.

Cada pessoa é um conjunto onde o corpo (do grego “soma”) e a mente (do grego “psique”) não se separam nunca, mas que nem sempre trabalham juntos, por isso, podem aparecer problemas físicos/biológicos e problemas emocionais/psíquicos.

Integrar mente e corpo é uma tarefa que o psicólogo pode ajudar a acontecer. Dar um outro significado e sentido para o fato de se ter o HIV é uma tarefa que a psicoterapia (de grupo, individual ou familiar) pretende promover.

Sabe-se que o corpo quando está sob o efeito de ansiedade e/ou depressão fica mais vulnerável a um rebaixamento da imunidade, então, para se ter uma qualidade de vida satisfatória é necessário combater estes sentimentos,

utilizando-se de medicações indicadas pelos médicos ou através da psicoterapia.

Quando alguém reconhece que está deprimido e/ou ansioso fica mais fácil combatê-las.

Sabe-se, também, que o corpo quando está sob o efeito da endorfina, aumenta-se a imunidade. A endorfina é produzida quando praticamos exercícios físicos (como caminhar), quando falamos de nossos problemas, quando relaxamos, quando reconhecemos que estamos infelizes, com raiva, nervosos.

Para isso é importante nos importar mais conosco mesmo. É preciso que o soropositivo olhe para si mesmo e perceba que uma “nova identidade” surgiu, agora existe o fulano ou beltrano que é portador do HIV.

É necessário não se esconder mais e nem se envergonhar; quando alguém assume sua identidade real, ocorre um fenômeno que é a liberdade, a paz consigo mesmo.

Reconhecer esta “nova identidade” não é simples ou fácil. Uma identidade surge através de um processo psicológico de metamorfose (quando mudanças profundas ocorrem dentro de alguém, mesmo que ela não possa dominar), e de um processo de emancipação (quando as mudanças já ocorridas na psique da pessoa, a promovem para um novo modo de ser).

Então, esta “nova identidade” psicológica gera novas condições de vida que poderão ser muito melhores que a “velha identidade”, isto pode ser uma forma de re-estruturação psicológica.Porém, tal identidade só ocorre quando a pessoa a deseja e se abre para isso.

Agora quando retomamos a pergunta inicial do artigo: “E a aids como vai?”, o que você responderia?

Pense nisso... 

SÉRGIO MÁSCOLI 
PSICÓLOGO (membro da Associação Brasileira de Medicina  Psicossomática) 
CRP 06/55. 743-5 
Titulo:
MESTRANDO EM PSICOLOGIA SOCIAL pela UNIVERSIDADE SÃO MARCOS 
Tema de Pesquisa: “O sentido da gravidez para a mulher soropositiva”. 
Fone: 6966-8570 e 6965-9403 (Clínica) 
E-mail: sermascoli@ig.com.br


   
    Sérgio Gomes da Silva

TRAÍDOS PELO DESEJO:  
O público e o privado na enunciação da
cidadania

“(...) Toda cultura produz diferenças, e sustenta alguma forma de hierarquia para ordená-las. Mesmo as sociedades igualitaristas da modernidade ocidental, fundadas no individualismo, abrigam estruturas hierarquizadas. Além disso, toda cultura implica normas. E toda norma implica o seu oposto, a antinorma, o desvio, a diferença. Uma sociedade que visasse a igualdade absoluta entre seus membros seria inclusive indesejável; dificilmente poderia não ser uma forma qualquer de totalitarismo”. Benilton Bezerra

Identidade, diferença e exclusão na sociedade brasileira contemporânea.


                   O Censo 2000 passou.

Mais uma vez os cidadãos brasileiros foram interpelados acerca da sua vida, da sua situação familiar, do seu estado civil, da sua profissão, da sua condição econômico-financeira, do seu grau de escolaridade, enfim, foram sabatinados sobre um conjunto de dados que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) necessitava para retratar a “realidade e o perfil sócio-econômico e geográfico” do povo brasileiro.

Para alguns, o Censo 2000 tende a retratar a “privacidade” de um povo. Para outros, busca-se apenas conhecer essa chamada “realidade” de um país, com tantas diferenças inter-culturais e de um contingente tamanho como é o caso do Brasil.

De todos os dados que foram levantados através do Censo 2000, um seleto grupo reivindicou uma categoria que até então não fora incluída nos Censos anteriores: a orientação sexual.

Vamos direto aos nove foras: qual a utilidade prática de sabermos qual a orientação sexual da população brasileira? De que nos serve o conhecimento de quantos são os homossexuais e quais são suas atividades profissionais, seu status econômico-financeiro, seu grau de escolaridade ou seu estado civil, em detrimento à “predominante” população heterossexual do país? Onde e quando a “identidade afetiva” pode espelhar o contexto familiar da nossa população? E por último, o que podemos fazer com estes dados, caso eles representem a realidade da “população homossexual” no Brasil?

Para a Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família e autora do livro “União Civil Homossexual”, a senhora Maria Berenice Dias, e para o Antropólogo e docente da Universidade Federal da Bahia e Presidente do GGB (Grupo Gay da Bahia), o Professor Luiz Mott, a resposta a essas questões justifica-se através de alguns argumentos postos a seguir.

De acordo com a Desembargadora Maria Berenice, foi injustificável a ausência do questionamento sobre orientação sexual no Censo 2000, por tratar-se de um direito à própria identidade, e por isto termos direitos a garantias constitucionais. Ora, mas desde quando, todos os homossexuais se vêem de igual modo? Como saber se “ser homossexual , é ser “isto” ou “aquilo”, comportar-se “desta” ou “daquela maneira”, ter em mente os mesmos preceitos ideológicos e partilhar os mesmos ideais? A partir de quais pressupostos metafísicos iremos saber de fato “o que é ser um homossexual?”. E finalmente, por que o desejo afetivo e sexual pelo ser humano do mesmo sexo deveria dar garantias maiores ou melhores do que o sujeito que sente os mesmos desejos pelo sexo oposto ao seu?

O que torna-se inconcebível, do meu ponto de vista, é que possamos acreditar que o direito à cidadania ainda esteja imbuído na falsa crença, no imaginário social coletivo, de que as “espécies sexuais” que historicamente criamos (hetero, homo, bi, trans, assexual, etc.), seja um tipo que mereça respeito justamente por se achar diferente do resto da população. E ainda que mal lhe pergunte: resto de que população? Da população hetero, machista e preconceituosa? Mas só somos hetero, machista e preconceituosos porque acreditamos que ser sujeito, ser um humano, seja sentir desejos afetivos e sexuais pelo sujeito do sexo oposto ao meu, e que isso tenha se tornado norma incondicional e hegemônica única. Daí portanto, acreditar que ser homossexual, seja uma espécie diferente da maioria, e que por isso mereça respeito, sendo necessário criar leis que os defendam, segundo penso, precisa ser urgentemente revisto, para que não passemos a fomentar a diferença entre nossos semelhantes.

O segundo motivo, de acordo com a desembargadora, estaria na forma discriminatória e preconceituosa que o silêncio da pesquisa enfatizou em relação à omissão da orientação sexual em seu questionário, haja visto que a jurisprudência tenha conseguido ganhos de direitos em relação à cidadania homossexual, seja no Direito da Família ou nos direitos previdenciários.

Claro, só se torna discriminatório, na medida em que acreditamos que a família hoje ainda seja constituída exclusivamente por casais de sexos diferentes, e essa única estrutura seja decisiva na formação da personalidade de um sujeito (o que é uma impropriedade, pois temos inúmeros casos de que a existência do pai ou da mãe na organização familiar pode ou não influenciar positivamente o desenvolvimento da personalidade humana), que o casamento entre iguais não seja uma realidade palpável, e que não possa conjurar um lar tão normalmente apropriado quanto conformaria um lar constituído por um homem e uma mulher, nas mentes arcaicas de grande parte da população preconceituosa que hoje ainda temos no Brasil. Se esta fosse uma verdade incontestável, como então assegurar que inúmeras “personalidade desviantes” foram construídas justamente dentro de lares onde havia a figura dos dois cônjuges?

No tocante ao direito previdenciário, o caso não seria diferente. É justo que homossexuais tenham que provar de forma tão exeqüível, a sua parceria diante do INSS quando isto se dá naturalmente entre casais de sexo oposto, apresentando alguns poucos documentos?

O que temos feito, de fato, para conseguirmos sair desse jogo tautológico que criamos para acreditar que ser homem ou ser mulher seja pertencer a esta ou aquela “espécie sexual”, e a partir disto, pautarmos nossa cidadania, a nossa subjetividade, através destes jogos identificatórios na construção de uma cidadania?

Passemos à crítica às afirmações do Prof. Luiz Mott.

Segundo o antropólogo, o fato de que alguns homossexuais masculinos e femininos solicitarem a inclusão de sua parceria civil no último Censo, abriu uma precedência para que fosse criado a referência à opção sexual dentro do Censo 2000. Mas e para os homossexuais que não possuem uma relação conjugal estruturada, rigidamente estabelecida, nos moldes das relações homem x mulher, ou daqueles que não querem ou não podem identificar-se com a hegemonia do homoerotismo? Serão obrigados publicamente a falar de sua vida privada? O que me faz, eu perguntaria, ter vontade de “sair do armário” de modo a “revelar” para o espaço público (pai, mãe, amigos, pessoas da família, colegas do trabalho, etc.) a minha vida privada? De que nos serve a publicidade sobre nossa vida sexual e qual será o preço pago por trocarmos o espaço privado pelo público na enunciação da nossa cidadania? Mais ainda: o que responderiam crianças e adolescentes que nem ao menos sabem qual será a sua “identidade sexual” no futuro, se nem ao menos aprenderam a definir-se sexualmente falando?

Por que toda a sociedade e órgãos governamentais, nas palavras do Prof. Luiz Mott, deveriam ser informados que os gays são muito mais numerosos que índios, deficientes físicos, judeus, etc., se também podemos encontrar índios, deficientes físicos, judeus e negros homossexuais? Quem garante que os homossexuais são maioria do que todos eles juntos?

Por fim, por que apenas conhecendo quanto são os homossexuais, quais profissões estes desempenham, e que bens estes possuem, é que se poderá planejar políticas públicas, visando diminuir e erradicar o preconceito contra homossexuais? Por que não acreditar que a cidadania pertença a todo e qualquer ser humano, e por SER UM HUMANO, ele mereça ser respeitado independente de sua opção sexual, sem que possa ser alvo de preconceito?


Devemos planejar políticas públicas, criar leis, dar subsídios legais a cidadãos desse país, não porque aprendemos a definir nossas subjetividades e nossa sexualidade a partir de nossas preferências
afetivas, do tipo de sexo que praticamos, ou muito menos do sexo biológico a que pertencemos ou da pessoa com que nos relacionamos. Precisamos não reduzir nossos direitos enquanto cidadãos ao sexo propriamente dito, porque não é confundindo os espaços público e privado que vamos conseguir reconhecimentos legais pela nossa cidadania, independente se sejamos “qualquercoisa sexual”. Acredito que quando partirmos deste pressuposto, criaremos uma abertura maior para se pensar que estas “tipologias sexuais” de fato apenas fizeram sofrer todo aquele que reconheceu a si e o outro dentro desta prisão identitária. 

Que mundo é este que queremos construir para nossos filhos e netos, ao se acreditar que a cidadania pode ser garantida a partir da inversão dos espaços público e privado? Devemos lembrar que cidadania pública e emoção afetiva privada não necessariamente andam juntas.
Não podemos e nem devemos ser obrigados a ser incitados ao discurso acerca da nossa sexualidade, da nossa privacidade, de modo a expor os nossos desejos afetivos e sexuais, afinal, apesar desta nossa “vontade de saber”, o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) e
m sua  História da Sexualidade já nos advertia sobre os perigos da “hipótese repressiva” (falar da nossa vida privada, da nossa sexualidade, para poder reprimi-la). 


Em uma entrevista em 1984, publicada no seu “Ditos e Escritos I”, o próprio Michel Foucault (1926-1984) afirmava: “Para mim, a sexualidade é uma questão de modo de vida, ela remete à técnica de si (soi). Nunca esconder um aspecto de sua sexualidade, nem se formular a questão do segredo, parece-me uma linha de conduta necessária que não implica, entretanto, que se deve tudo proclamar”.

Mas será que existe uma única forma de ser hetero, homo ou bissexual, de modo a representar toda uma população com suas singularidades? Será que a nossa sexualidade perpassa única e exclusivamente por essas três “espécies sexuais” que secular, cultural e historicamente aprendemos definir? Onde caberia, no mesmo questionário, a classificação de homens e mulheres assexuados, travestis, transexuais, pedófilos, zoófilos, necrófilos, coprófilos, sadomasoquistas, hermafroditas, drag queens e drag kings, ou tantas quantas sejam possíveis imaginarmos a variedade de tipologias sexuais nas quais a pluralidade lingüística nos fornece ou que a finitude histórica ainda pode nos fornecer?

Buscamos um mundo onde iguais e dessemelhantes possam viver em harmonia. Aliás, prefiro acreditar que lutamos por um mundo onde não possa existir essas dessemelhanças, e que não podemos ser nem melhores e nem piores, independente do que meu irmão em humanidade possa parecer, ter ou ser, para que não possamos recrudescer aquilo que Freud denominou de “narcisismo das pequenas diferenças”, na qual rejeitamos o próximo, a partir de alguma particularidade que o faz parecer diferente do resto da população, como por exemplo ser judeu, negro, pobre, índio, velho, criança, mulher, deficiente físico, ou até mesmo homossexual.

Portanto, discordo do destaque que se quis dar à opção sexual no Censo 2000, de modo que possa trazer algum ganho no que concerne às políticas públicas e de cidadania, e que esta seja uma variável que pode espelhar a realidade do povo brasileiro.

Não precisamos expor nossa intimidade, nossa privacidade na promoção de uma cidadania e da garantia dos nossos direitos, sejamos homo, hetero ou bissexuais. Já temos esses direitos garantidos. Já somos cidadãos. Já pertencemos e dividimos o espaço púbico sem precisarmos saber quais são as nossas preferências nos domínios do campo privado. A minha vida privada só compete a mim, e só deve vir a público quando eu sentir necessidade de expô-la. Nem Governo, nem Estado, nem muito menos órgãos públicos federais ou de fomento à pesquisa têm o direito de requerer, ordenar ou cobrar a minha privacidade. É a isso que entendo por democracia: não infringir o meu direito e o direito do outro de ir e vir, de falar ou até mesmo de calar.

Temos que fazer valer os nossos direitos. Não merecemos respeito nem mais nem menos por sermos índio, branco ou negro, pobre ou rico, judeu, católico, espírita ou ateu, deficiente físico ou visual, homem, mulher ou criança, gay, lésbica ou “simpatizante”. Merecemos respeito porque somos sujeitos, porque somos humanos. Merecemos respeito, e não precisamos conquistá-lo. Precisamos sim, fazê-los ser respeitados para que não promovamos a exclusão social. A exclusão social só existe, porque acreditamos que o mundo pertence a uma minoria que prosaicamente se definiu como sendo necessariamente branca, rica, culta, masculina, com alto poder aquisitivo, heterossexual e independente economicamente.

No dia em que pararmos de fomentar a pulsão de morte contra a pulsão de vida, ou seja, no dia em que formos capazes de não mais precisar de nenhum argumento metafísico para definir o sujeito em suas singularidades, no dia em que não mais nos utilizarmos de tais e quais predicativos para falar do nosso “eu”, no dia em que direito e cidadania forem algo que não precisamos lutar para conquistá-los, talvez estejamos bem perto de um mundo infinitamente mais rico, mais justo e infinitamente mais solidário para o ser humano. No dia em que conseguirmos nos aproximar, que seja um pouco disto, nada mais será necessário, nada mais será preciso.

 

Sérgio Gomes da Silva
Psicólogo formado pela UFPB, (CRP 13/2768), e Pos-Graduação Lato Sensu (Especialização em Sexualidade Humana pelo Centro de Educação). Contatos pelo email sergiogsilva1@bol.com.br.


   
     Ana Lúcia Pereira                       

O PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL E  A   GLOBALIZAÇÃO


Neste trabalho abordamos a questão do engajamento de psicólogos organizacionais como possíveis agentes de mudanças sociais significativas, contradizendo as tendências que os classificam como profissionais vendidos ao sistema e criticando a postura corrente dos meios científicos-sociais de não proporem ações alternativas aos seus objetos de crítica.


O psicólogo organizacional é freqüentemente discriminado pelo meio acadêmico e pelos estudantes de psicologia, por ser supostamente conivente com práticas administrativas que nem sempre levam em consideração as necessidades dos trabalhadores. É acusado também de esquecer sua responsabilidade social e colaborar com a exclusão social, com a retirada dos mecanismos de proteção ao trabalhador e com o esmagamento da individualidade do mesmo, tudo isso em prol do atendimento das necessidades de seu empregador.

Em função das exigências da globalização as empresas têm procurado adaptar-se as necessidades do mercado internacional e adotado a filosofia do “quem não almoçar será jantado”. Para atender tal demanda, cada vez mais, novas práticas administrativas tem sido exportadas e implantadas nas empresas, não levando, muitas vezes, em consideração o contexto cultural e social do país. E com os empregados o sistema não é menos impiedoso: “adapta-se ao novo sistema ou está fora da empresa”.

Não negamos a existência de profissionais de fato pouco comprometidos com as necessidades dos trabalhadores, porém chamamos a atenção para o perigo de uma generalização.

Pode parecer, em um primeiro momento, um ato heróico o psicólogo recusar-se a fazer parte de um sistema que explora o trabalhador, sem que ao menos este tenha consciência de que está sendo explorado, uma vez que é envolvido de tal forma pelo processo, que internaliza como seus, os objetivos da empresa. 


Afinal de contas, imagine o psicólogo, tão “boa praça”,  tão engajado com as questões sociais, concordar com um sistema que, entre outras “atrocidades”, convence o desempregado de que se no mercado de trabalho não existe lugar para ele, a culpa é única e
 exclusivamente dele mesmo que não conseguiu contribuir com a empresa sendo um profissional com todas os requisitos de um “super homem”: criatividade,
responsabilidade, facilidade para resolver problemas e para trabalhar em equipe, disponibilidade para trabalhar “25” horas por dia e, ainda assim, praticar esportes e ter uma vida social ativa, bom humor constante e nem sinal de estresse. Isso porque talvez não seja interessante para os detentores do poder que os desempregados percebam que não são eles, na verdade, os grandes responsáveis por sua situação. Que o desemprego enfrentado no Brasil é estrutural, ou seja, conseqüência do avanço tecnológico, que foi pouco a pouco trocando homens por máquinas. Que mesmo em países onde a grande maioria da população é considerada suficientemente qualificada o desemprego é presente, pois a questão é numérica: existem mais pessoas para trabalhar que postos de trabalho disponíveis.

Mas será que é cruzando os braços e torcendo o nariz para as organizações e para os colegas que nelas trabalham, que os psicólogos estarão contribuindo para a conscientização dos trabalhadores sobre seus próprios limites, direitos e necessidades? E mais, não estarão abrindo mão de um valioso espaço de questionamento, que poderia contribuir para a busca.

Será como observador passivo, em seu consultório, que o psicólogo fará com que empregadores percebam a importância de considerar as necessidades de seus funcionários ao estabelecer suas metas de crescimento e lucratividade?

Será que o profissional de psicologia enquanto observador passivo, é menos conivente com o sistema do que aquele que está na empresa dizendo “amém” às ordens do chefe?

Acreditamos que tais perguntas deveriam servir de reflexão a todos os psicólogos que preferem simplesmente fazer críticas não construtivas ao psicólogo organizacional. Quanto a nós, fazemos coro a Codo [1], quando afirma que:

 “(...) o psicólogo deveria estar na indústria, refletindo conscientemente para tentar subverter suas funções. Franzindo o nariz e se recusando a cumprir tão “vil papel”, os defensores desse tipo de crítica fazem coro exatamente ao sistema, pois reivindicam pelo avesso a neutralidade da ciência, que denunciam como falsa, e poupam os industriais do incômodo de ter entre suas fileiras um profissional preocupado com a defesa dos direitos do trabalhador”.  

Se é inevitável que a globalização traga consigo exclusão social e prejuízo aos direitos trabalhistas, não adianta o psicólogo simplesmente “ser contra” a de alternativas que poderiam amenizar os transtornos da atual situação?

Será como observador passivo, em seu consultório, que o psicólogo fará com que empregadores percebam a importância de considerar as necessidades de seus funcionários ao estabelecer suas metas de crescimento e lucratividade?

Será que o profissional de psicologia enquanto observador passivo, é menos conivente com o sistema do que aquele que está na empresa dizendo “amém” às ordens do chefe?

Acreditamos que tais perguntas deveriam servir de reflexão a todos os psicólogos que preferem simplesmente fazer críticas não construtivas ao psicólogo organizacional. Quanto a nós, fazemos coro a Codo [1], quando afirma que:  

“(...) o psicólogo deveria estar na indústria, refletindo conscientemente para tentar subverter suas funções. Franzindo o nariz e se recusando a cumprir tão “vil papel”, os defensores desse tipo de crítica fazem coro exatamente ao sistema, pois reivindicam pelo avesso a neutralidade da ciência, que denunciam como falsa, e poupam os industriais do incômodo de ter entre suas fileiras um profissional preocupado com a defesa dos direitos do trabalhador”.  

Se é inevitável que a globalização traga consigo exclusão social e prejuízo aos direitos trabalhistas, não adianta o psicólogo simplesmente “ser contra” a globalização. Precisa sim, juntamente com empregados e empregador, repensá-la de forma a oferecer ao trabalhador contrapartidas que possam amenizar seus prejuízos. Mas para que isso seja possível é necessário, antes de tudo, conhecer os conceitos que permeiam tal prática, pois não é possível criticar e sugerir mudanças a respeito de fatos que não dominamos. É preciso entender a linguagem e as expectativas dos empresários sim, para a partir delas sugerirmos mudanças que levem em consideração o bem estar dos trabalhadores.

E será que os psicólogos, em sua formação, entram em contato com tais conceitos? Acreditamos que na maioria das vezes não, e que isso seja uma das falhas da formação que é oferecida em psicologia organizacional na maioria das universidades. Contribuindo, dessa forma, não só para a formação de profissionais menos qualificados e com menor poder de barganha junto às organizações, como também para a perpetuação do preconceito já existente com relação aos psicólogos organizacionais.  

Ana Lúcia Pereira 
alp_psicologa@yahoo.com
– CRP: 06/62140-9
Psicóloga Clínica e Organizacional & Administradora de Empresas


   
    HELOISA HELENA GARBUGLIO

TERAPIA DE VIDAS PASSADAS UM PROCESSO DE AUTOCURA

A Terapia de Vidas passadas é também conhecida como Terapia da Regressão, porque tem como pressuposto teórico que o paciente pode determinar a origem de seus conflitos e traumas da vida atual, quer sejam emocionais, somáticos, energéticos ou mentais, em acontecimentos passados nesta vida, na vida intra-uterina ou mesmo em vidas passadas.


A Terapia da Regressão é uma técnica psicoterápica que possui uma metodologia própria embasada nos conceitos da Psicologia e vem aprofundar cada uma das teorias psicológicas existentes.Não está de modo algum associada ao ocultismo, a práticas religiosas, adivinhatórias ou parapsicológicas, embora trabalhe com a hipótese da reencarnação.  

A regressão de memória é a técnica que a Terapia da Regressão utiliza para trazer à memória o trauma original. Muito de nossos problemas atuais, tais como fobias e medos irracionais, depressão e falta de energia, problemas sexuais, doenças psicossomáticas (diabetes, úlceras, bulimia, anorexia, obesidade, enxaquecas) epilepsia, problemas de relacionamentos familiares, indisposições crônicas, podem ter origem em eventos traumáticos ocorridos em vidas anteriores. As emoções que geraram esses fatos do passado ficaram gravadas em nossa memória inconsciente, e podem estar influenciando positiva ou negativamente a vida atual do paciente. Esta ação conscientizadora prevê, para sua eficácia, a transformação do indivíduo, tanto no âmbito pessoal como no familiar, o que possibilitará ao paciente, rever seu sistema de crenças e valores.

 A Terapia da Regressão reconhece a existência de um inconsciente que é atemporal (Freud), onde ficam registradas as experiências vividas pelos indivíduos.Esses fatos não desaparecem da memória, o que possibilita ao paciente explorar memórias primitivas, revivendo experiências e sentimentos significativos. Esse inconsciente trabalha por meio de uma energia livre, libido, com representação de ideais (conteúdo reprimido) que ao serem catexizadas têm livre acesso ao consciente determinando normas e padrões de conduta dos indivíduos.

 Na regressão observamos frases ou palavras que parecem destacar-se do contexto verbalizado do paciente, por sua incongruência ou por serem repetidas muitas vezes com exagero ou de maneira inadequada, ou ainda porque essa repetição não parece claramente consciente. Tudo isso representa material reprimido ou inconsciente, cujo real sentido poderá ser encontrado durante a regressão. Frases desconexas podem estar ligadas a acontecimentos de vidas passadas, que servem de ponte de entrada para revivências de outras vidas, como também indicam momentos que o paciente está vivenciando.Eu não consigo ser feliz”.“A minha vida não tem sentido...” Quero morrer...Tudo acabou.....Não estou pronta...Eu tenho medo...

Para a Terapia Regressiva o paciente estruturará sua personalidade conforme vivenciar o período pré-natal, o nascimento e a morte.

Nossas vidas são como uma série de jornadas, e cada jornada começa no útero. O feto não tem identidade consciente, nem capacidade cognitiva para decisões independentes. A mente inconsciente desenvolve estruturas para sustentar as habilidades cognitivas enquanto o corpo aprende a andar, correr, planejar. A função consciente é dada ao feto pela mãe como parte do sistema total de apoio que existe até a separação após o nascimento.Ressentimentos, rejeição e rejeição e hostilidades em relação aos pais, são problemas que podem ocorrer no período pré-natal e que moldam o comportamento da criança e encontram melhora na terapia, á medida que a recordação desses sentimentos é revivida.Não quero este bebê... Não suporto esta criança....Agora não tem mais jeito...Não consigo sair...estou preso.
 
O nascimento e a morte são experiências traumáticas que imprimem no inconsciente as emoções de sensações negativas desta vida ou de uma vida passada. Um parto doloroso, hemorragia e transfusão de sangue, asfixia, apresentação de bebê de nádegas, corte de cesariana na hora do nascimento, podem acionar memórias de violências nas vidas passadas, que podem influenciar na vida presente do indivíduo.

A morte é vista como o maior trauma sem solução, como também uma experiência estressante que passamos.Inconscientemente tentamos resolver o problema da vida passada na vida presente.Mortes repentinas deixam sentimentos inacabados e mortes com demorada agonia são carregadas de sentimentos de amargura e.ressentimentos.

Eu sou um fracasso... é o único jeito....a dor é atroz.....Estou completamente sozinho....

A compreensão do que realmente acontece na Terapia Regressiva pode não ser em si tão importante, o resultado é o que realmente conta e não importa se as histórias são verdadeiras ou se elas podem ser historicamente comprovadas. O paciente também não precisa acreditar em reencarnação. Fique com a verdade que a mente inconsciente lhe traz, o que importa é realmente a cura do paciente.Na realidade, os pacientes recebem muitos benefícios com a terapia de vidas passadas, pois passam a observar que mudando seus padrões, passam também a agir de uma forma diferente, sem hostilidades ou comportamentos negativos, o que faz os outros a sua volta também mudarem.

O objetivo da TERAPIA DA REGRESSAO é o bem estar do paciente, ajudando-o a definir sua visão de mundo, possibilitando que ele rompa as amarras do passado, atingindo um grau elevado de satisfação, maturidade, equilíbrio emocional e  energético.

HELOISA HELENA GARBUGLIO
AV. Vereador José Diniz, 3300, cj. 505
Campo Belo - São Paulo-Capital
F-55330587--55435313

 agenor@terra.com.br


   

ESTUDO REVELA PREJUÍZOS CAUSADOS PELA ENXAQUECA

 

Um estudo realizado por neurologistas de Ribeirão Preto revelou os prejuízos causados pela enxaqueca em funcionários de um hospital público brasileiro.

Foram analisados 846 trabalhadores com enxaqueca do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, no período de um ano (1998). Desse total, 91% apresentaram algum grau de debilidade por causa da dor. A queda de rendimento média foi de 56,9%.

De acordo com o neurologista Dr. Marcelo Eduardo Bigal, um dos responsáveis pelo estudo, o custo indireto da enxaqueca para o hospital foi de US$
815.622,54. Em média, esses trabalhadores perderam 6,5 horas de trabalho por mês. “A análise dos dados evidenciou que os funcionários do HC optam por trabalhar com dor, em vez de se ausentarem”, revela o médico. “Mas a maior perda de horas de trabalho ocorreu devido à queda de rendimento, e não ao absenteísmo”.

Pesquisa semelhante, realizada com estudantes universitários, mostrou que a
enxaqueca causa queda de rendimento de 62,7%. No Reino Unido, esse índice é de 49%. Nos Estados Unidos, a doença faz com que homens e mulheres percam dois dias de trabalho por ano, o que gera um prejuízo de US$ 17,2 bilhões para o país.

Segundo o estudo realizado em Ribeirão Preto, os custos da enxaqueca aumentam conforme a intensidade e duração da dor. “A enxaqueca deve ser encarada como problema de saúde pública”, afirma Dr. Bigal. “É necessária a adoção de medidas que visem diminuir o impacto da doença sobre o indivíduo e sobre a sociedade”.

USO ABUSIVO DE ANALGÉSICOS PODE TRANSFORMAR A CEFALÉIA EM DOENÇA CRÔNICA

“ O uso regular e freqüente de analgésicos transforma, ao longo do tempo, a dor que não era constante em sintoma que se manifesta todos os dias”, alerta o Dr. Getúlio Daré Rabello, responsável pelo Ambulatório  de Cefaléia do HC-FMUSP.

É certo que nove a cada dez pessoas já sofreram de dor de cabeça ao menos uma vez na vida. No Brasil, pelo menos 30 milhões de pessoas conhecem bem a aflição de sofrer de enxaqueca. O problema está justamente em como estas pessoas estão se tratando. O hábito de consumir analgésicos sem prescrição ou acompanhamento médico é corriqueiro no Brasil. Quando não é o próprio paciente com cefaléia que se automedica com um determinado analgésico já conhecido, são os balconistas das farmácias, amigos ou vizinhos que recomendam medicamentos nos quais confiam.

Ao tentar se automedicar sem combater as causas da dor e sem orientação para um tratamento preventivo, os pacientes geralmente relatam que seus sintomas evoluem gradualmente para a piora: “Sob constante ação de analgésicos, o sistema serotoninérgico vai sendo mais neutralizado e perde suas defesas, causando a tolerância e a dependência. Um círculo vicioso bem conhecido é construído. Primeiro a dor, depois o uso de analgésicos e em seguida a melhora. Depois novamente a dor, mais analgésicos e assim por diante”, explica o Dr. Abouch Valenty Krymchantowski, diretor e fundador do Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro.

Os riscos associados ao consumo indiscriminado de analgésicos vão de uma reação alérgica, que em casos graves pode resultar em asfixia mecânica e morte, até doenças renais, depressão e hipersensibilidades próprias de cada paciente, incomuns, que resultam em reações inesperadas e que, não sendo diagnosticadas a tempo, também levam ao óbito.  Por serem em grande parte  dos casos doenças bioquímicas do cérebro, transmitidas geneticamente, as enxaquecas - um tipo de cefaléia - não podem ser totalmente curadas. Porém, tratamentos corretos e eficazes podem reduzir a incidência, a intensidade e a duração das crises em mais de 90%. “ O mais importante é esclarecer e orientar o paciente, o que também envolve conscientização da população contra a automedicação abusiva” , diz o Dr. Krymchantowski.

TRATAMENTO ESPECÍFICO

Atualmente, existem medicamentos específicos para o tratamento das crises de enxaqueca, tais como os triptanos, que têm ação antienxaquecosa mais específica e perfil de efeitos colaterais mais favorável.

Os triptanos representam um expressivo avanço farmacológico graças a sua ação rápida e eficaz nas crises agudas de enxaqueca e já foram utilizados por mais de uma dezena de milhões de pessoas com enxaqueca no mundo.

Na prática, esses medicamentos contribuem para aperfeiçoar o tratamento de enxaqueca, para evitar internações em casos mais difíceis e para combater o consumo excessivo de medicação. Nessa classe de medicamentos, inclui-se Maxalt® (benzoato de rizatriptano, MSD).

FATOS SOBRE A  ENXAQUECA

A Sociedade Brasileira de Cefaléia estima que 30 milhões de brasileiros sofrem de enxaqueca e precisam de tratamento.
Os ataques de enxaqueca podem durar de quatro até 72 horas.
A enxaqueca afeta cerca de 18% das mulheres e 6% dos homens em todo o mundo.
75% dos diagnósticos de enxaqueca são feitos entre 21 e 49 anos de idade.
As crises podem ser debilitantes e limitar a capacidade de atuação de uma pessoa.
Mais de metade de todos os casos de enxaqueca são diagnosticados incorretamente.
Os custos econômicos da enxaqueca são substanciais.  No Reino Unido, por exemplo, o custo total da enxaqueca é estimado em 280 milhões de libras por ano, dos quais 250 milhões de libras são devidos a custos indiretos, como, por exemplo, produtividade perdida.
O mercado mundial de produtos de prescrição para o tratamento agudo da enxaqueca está estimado em US$ 1,1 bilhão e cresceu em torno de 21% nos últimos cinco anos.


   

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