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TRIBUTO AO PSICÓLOGO
"
De repente, você encontra alguém, que muda sua vida e passa a fazer
parte dela. |
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| Christina Freire | |||||||||||||
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Prisma |
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O QUE
SIGNIFICOU PARA VOCÊ ESCREVER
O PRISMA?
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COMO
VOCÊ ESTA SE SENTINDO, POR
TER CONSEGUIDO TORNAR VISÍVEL E SEGURAR
EM SUAS MAÕS O QUE ATÉ ENTÃO
SÓ SUA ALMA HAVIA TOCADO?Premiada pela vida e encantada pelo mistério da alma humana. Hoje, quando sou agraciada com o olhar e um novo encontro, mais um lado do meu prisma é revelado. O Prisma, que teve como inspiração primeira o som, a música - matriz de minha identidada - pois sendo minha mãe, Benita, maestrina e musicista, já cedo a melodia fez parte da minha vida e nunca mais deixou de estar presente. Beatriz, minha irmã, com linda voz, já cantou pelas Américas e meu filho Sérgio, músico profissional e minha filha Paola com criatividade e doçura idealizou a forma, a construção por parte do Prisma. |
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Ver
partes de um todo, e reconhecê-las como próprias,
irá nos possibilitar um precioso encontro
com o nosso corpo,dando a ele uma nova imagem de unidade, que até então, era de fragmentação e parcialidade, surgindo assim a possibilidade de reconhecermos nosso corpo como próprio e pessoal. Esse reconhecimento é a construção de uma imagem corporal simbólica, única possibilidade que temos, para superar a sensação de totalidade que perdemos logo após o nascimento. E nos reconhecermos, novamente, na experiência da unicidade, que sentimos a medida que crescemos, não obstantes as limitações e incompletude. COMO VOCÊ DEFINIRIA ESTA SUA EXPERIÊNCIA Vivenciar o Todo nesta composição, foi e está sendo a mais adorável e rica experiência do verdadeiro encontro com o Criador. Como criatura acredito que durante uma existência, nossa história pessoal somente será revelada em partes, adquirindo movimento através dos encontros que nos marcam e nos deixam sensíveis à abertura do ato criador. O QUE VOCÊ GOSTARIA DE FALAR, PARA FINALIZARMOS NOSSA ENTREVISTA. Somente agradecer a Angélica e a Unilever pelo patrocínio cultural. A meu editor Gadelha e toda sua equipe pela dedicação na difícil e trabalhosa construção deste projeto. A Nelson Ayres, e a César Camargo Mariano pela música inspiradora de seu LP Prisma e a todos que direta ou indiretamente participaram de minha vida , inspirando-me nessa co-criação. |
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CHRISTINA
FREIRE, Psicóloga
Clínica e Psicodramatista pelo Instituto Sedes Sapientiae, Professora e
Supervisora credenciada pela Federação Brasileira de Psicodrama,
Criadora e Coordenadora do Somatodrama - Grupo de Estudo e Pesquisas em
Psicossomática e Psicodrama, Docente em Somatodrama na Escola Paulista de
Psicodrama, Membro da Associação Brasileira de Psicodrama, Membro da
Associação Brasileira de Medicina Psicossomática de São Paulo,
Consultora Editorial da Revista Catharsis de Psicologia. Autora do Livro
"O Corpo Reflete O Seu Drama: Somatodrama como abordagem psicossomática"
Editora Ágora. São Paulo 2000. Artigos publicados em revistas nacionais
e internacionais sobre psicodrama, somatodrama e psicologia clínica.
Criadora do Curso de psicossomática com enfoque psicodramático para profissionais da área de
saúde, além de cantora e poeta, participa do grupo vocal: Canto da Boca. AV. IRAÍ 79 CONJ.85B S.PAULO .MOEMA e-mail : crisfreire@sti.com.br LIVRO: PRISMA -EDITORA ESCRITURAS, LANÇAMENTO DIA 16 DE ABRIL NA FENAC ,S.P. APARTIR DAS 18 HORAS |
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| Néri Tadeu Câmara Souza | |||||||||||||
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O CONSENTIMENTO INFORMADO NA ATIVIDADE MÉDICA E A AUTONOMIA DO PACIENTE |
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É
crucial que haja autonomia de vontade na conduta do paciente, ou seja,
estamos frente a um ser como agente único de seus próprios atos, não
transferindo a outrem a responsabilidade moral pelos seus atos, assim,
tendo espontaneidade da ação em seu agir. A crença, a vontade e os
valores morais de um paciente impõe-se que sejam respeitados. Na
sociedade moderna os direitos individuais, na área da saúde, têm
sofrido um impulso e valorização consideráveis. Há uma exigência,
cada vez maior, da sociedade que a autonomia, a autodeterminação, do
paciente seja respeitada. Isso implica em conhecimento. Não pode haver
ignorância por parte do paciente sobre os atos médicos. Ele tem que ser
instruído. As decisões do paciente têm que vir acompanhadas de um
suficiente grau de reflexão. O consentimento é uma escolha voluntária,
advinda desta reflexão baseada, além do conhecimento, em valores próprios.
E, para refletir, tem que ter instrumentos para executar este raciocínio
racional, não de pura emoção, por isto a necessidade de conhecimento
por parte do paciente. O ignorante sobre algo não é livre para escolher,
para decidir, não tem independência nas suas opções pela ignorância
que tem sobre os fatos. Para pensar, decidir, agir de maneira autônoma, o
paciente tem que estar munido dos instrumentos para poder fazê-lo.
Compete ao médico intruí-lo, orientá-lo, sem coerção. A omissão do médico,
no caso, caracteriza um ato omissivo culposo. O profissional médico que não
fornecer ao paciente as verdades corretas, para que em cima destas o
paciente tome uma decisão independente,não está respeitando a autonomia
do paciente, incorrendo, assim, em um agir culposo, pelo qual é passível
de ser responsabilizado. convenientemente
das condições em que vão se realizar estes atos. É, indispensável,
pois, o consentimento informado na relação médico-paciente. Envolve um
diálogo, de caráter cogente, entre o médico e o seu paciente. A falta
de consentimento informado caracteriza uma negligência do médico. O
consentimento informado é parte integrante do ato médico. Não pode
faltar. Se retiver algum dado necessário para que seu paciente tenha
condições de emitir um consentimento informado, de forma inteligente em
relação ao que lhe é colocado como forma de tratamento, o médico pode
ser responsabilizado legalmente por esta omissão. Se não houver a
informação de maneira conveniente, não se pode falar que houve o
consentimento informado. A informação e o consentimento correm irmamente
unidos, sem um não se pode dizer que houve o outro. A informação não
deve ser apenas razoável. Ela deve ser suficiente para que o paciente
tenha um entendimento que lhe seja o bastante para compreender as diversas
opções que se apresentam, podendo, assim, decidir com autonomia sobre
seus objetivos pessoais. O
médico ao instruir, informar, o paciente deve levar em consideração que
há diversas maneiras de esclarecê-lo. Há extrema variabilidade no
consentimento informado. O que vige, portanto, é a não uniformidade na
maneira de se informar ao paciente sobre as características do seu
atendimento. Além disso, uma exposição completa seria bastante difícil
de conseguir, o que é bem fácil de entender. O grau de compreensão de
cada paciente contribui para isto, pois é variável de um para outro.
Tudo isto, faz esta transmissão de ensinamentos, revestir-se de uma
acentuada complexidade, situação para a qual o médico deve estar
preparado, adaptando as suas elucidações ao grau de discernimento de
quem recebe, em cada caso, a sua explanação. informados,
o consentimento para a realização dos atos médicos que se fizerem
necessários. Entenda-se bem, pois é basilar, que quem consente tem que
ter capacidade legal para fazê-lo. Pode
mesmo haver impossibilidade temporal para o consentimento informado, como
nas urgências e emergências. O grau de risco de algum prejuízo ao
paciente, determinará até onde deve ir a intervenção do médico, sem
um prévio consentimento por parte deste. Mas, o risco de vida, sem dúvida,
é mandatário em impor a obrigatoriedade de agir ao médico, mesmo sem
consentimento do paciente, até, conforme o caso, com sua oposição.
Pode-se, até, afirmar que, segundo o direito penal brasileiro,
caracteriza-se nesta situação uma causa supralegal de exclusão da
culpabilidade, a "inexigibilidade de conduta diversa". É, neste
caso, impositiva a prática de um determinado ato por parte do médico, não
podendo ser inculpado por este, também como prevê, expressamente, o Código
Penal Brasileiro, em seus artigos 23, inciso I e 24, como excludente da
antijuricidade, da ilicitude, ou seja, o agir de alguém em "estado
de necessidade". No caso, para salvar a vida de outrem. Tudo isto,
reforçado pelo caráter explícito do artigo146 do nosso Código Penal,
que diz no seu parágrafo 3°, inciso I: "Não se compreendem nas
disposições deste artigo: I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem
o consentimento do paciente ou de seu representante, se justificada por
iminente perigo de vida;". Portanto o constrangimento ilegal - crime
contra a liberdade pessoal - previsto no "caput" do referido
artigo 146, não se aplica ao médico na eventualidade de haver iminente
risco de vida. O nosso direito positivo admite, pois, o "estado de
necessidade", dando este, ao médico, não só a autorização, mas,
inclusive, impondo-lhe, nos casos em que ele se configure, o dever de
agir, para preservar o bem maior, a vida do paciente. O risco de morte,
ou, até mesmo, de lesão física, libera o médico de saber a vontade do
paciente. Se não consegue convencer o paciente, só resta ao médico
intervir contra a vontade do mesmo, para preservar sua integridade física,
sua vida. O
consentimento informado pode ser oral ou escrito, mas a forma escrita,
principalmente do ponto de vista legal, é a mais recomendável. A forma
escrita tem um formato externo que permite um reconhecimento por outros
interessados, se for o caso. Na prática, sempre haverá uma conjugação,
ao se utilizar a forma escrita, com a forma oral de consentimento
informado, até, pela complexidade da explanação de certas situações e
atos médicos. Até, pode ser o consentimento presumido, se óbvio - fácil
de constatar - que o paciente, se consultado, concordaria com o ato médico.
Todo
consentimento informado apresenta-se, necessariamente, composto de um
conteúdo em informações fornecidas pelo médico ao paciente, necessita
que haja compreensão destas informações por parte do paciente, deve ser
voluntária a decisão do paciente e esta deliberação do paciente tem
que se expressar em um consentimento, uma aquiescência. A Confederação
Médica Latino-americana e do Caribe - CONFEMEL, em sua 3ª Assembléia
Ordinária, realizada na cidade de Santa Marta, na Colômbia, em 10 de
dezembro de 1999, como parte da Declaração sobre a Responsabilidade
Legal do Exercício da Medicina, estabelece que se promova como ação
imprescindível ao exercício da medicina, entre outras, a "Utilização
sistemática do consentimento idôneo, e ante uma comunicação clara,
acessível, respeitosa da autonomia do paciente". Também na Declaração
de Princípios Éticos Fundamentais da CONFEMEL estatuído está que
"É direito do paciente decidir livremente a respeito da execução
de práticas diagnósticas e terapêuticas". No mesmo sentido vão os
artigos 56 e 59 do Código de Ética Médica, que dizem: "É vedado
ao médico: Art. 56. Desrespeitar o direito do paciente de decidir
livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas,
salvo em caso de iminente perigo de vida. Art. 59. Deixar de informar ao
paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do
tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa
provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu
responsável legal". É
conveniente, que o consentimento seja obtido próximo à realização do
ato médico ao qual se refere, mas com uma distância deste que permita
uma decisão voluntária e esclarecida. Pode ser obtido no mesmo dia, se
depender de informações adicionais que só se disponibilizem naquele
momento. Trata-se de expor ao paciente as alternativas diagnósticas ,
terapêuticas e prognósticas de seu caso, de uma maneira que isto lhe
seja compreensível. Mas, convém, neste ponto, ressaltar, o consentimento
informado não descaracteriza, em hipótese alguma, responsabilidades
profissionais por parte do médico. O
consentimento informado teve limitada sua utilização, até agora, na prática
, para a ocasião da realização de procedimentos invasivos ou situações
especiais. Encontra, todavia, atualmente, como recomendação, um campo de
aplicação bem mais amplo, inclusive, pelas implicações legais - omissão,
que pode acarretar a sua não formalização em determinado atendimento médico,
no caso de eventuais danos ao paciente. O paciente deve ser alertado, como
dever do médico, dos riscos mais comuns. Chama-se de "risco
residual" àquelas complicações menos freqüentes de acontecerem
que, usualmente, não são necessárias de se informar ao paciente. Porém,
mesmo certos acontecimentos, incluídos na pouca probabilidade do
"risco residual", devem ter comunicada a sua possibilidade de
ocorrerem ao paciente, devido ao grau de prejuízo que a sua ocorrência,
mesmo pouco provável, traria ao paciente. Quando se tratar de cirurgia plástica
estética a exigência, no tocante às informações que devam ser dadas
ao paciente, inclui que deva ser informado, principalmente, dos riscos
mais raros do procedimento ao qual vai ser submetido. Quando
escrito, ou mesmo na exposição oral, o consentimento informado deve ser
obtido através de uma linguagem acessível, adaptada a cada tipo de
paciente. Isto implica em conhecimentos de psicologia, por parte do médico,
para, até mesmo, evitar o uso de expressões que traumatizem
desnecessariamente o paciente. A informação deve ser completa, mostrando
a realidade, mas, enfatizamos, adaptada às condições emocionais de cada
paciente. Isto exige um conhecimento suficiente da personalidade do
paciente, permitindo uma abordagem clínica adequada da situação, em
termos de consentimento informado. É conveniente que a explanação
inclua, necessariamente, os benefícios advindos do tratamento proposto,
os possíveis riscos e tratamentos outros que sejam viáveis para o caso.
Uma má avaliação do estado psicológico do paciente pode encontrá-lo
mal preparado para estar ciente do seu estado clínico, portanto, para não
incorrer em imprudência, antes de expor os dados de sua doença ao
paciente, o médico deve avaliar a sua possibilidade emocional de receber
estas informações. Revelações brutais de diagnóstico e prognóstico
que o paciente não suporte têm que ser evitadas. Por vezes, devido à
complexidade da situação médica que se apresenta, para uma explanação
completa, serão necessários vários encontros entre o médico e o
paciente e, ou, seu responsável. Este modo de agir, vem ao encontro do
paradigma bioético antropológico de que cada pessoa tem como caráter
ser único, não se repetir, sendo aberta à inter-relação com os outros
e com o mundo, passível de se comunicar e ser solidária em sociedade,
merecendo, portanto, uma abordagem sempre individualizada quando se
encontre na situação de paciente. Falando objetivamente, compete ao médico
informar ao paciente ou seu responsável, em linguagem simples, todos os
aspectos que envolvem a sua doença. O
reconhecimento pela sociedade dos direitos fundamentais das pessoas, está
repercutindo nas relações entre os médicos e os pacientes, levando,
cada vez mais, a uma maior emancipação do paciente quando se trate de
decidir sobre os tratamentos aos quais deseja se submeter. E, para
decidir, o paciente tem que ser bem informado. Tudo isto se baseia no
princípio da autonomia, o princípio do respeito às pessoas. |
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Neri
Tadeu Camara Souza |
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| Adriana Carbone | |||||||||||||
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TERAPIA
FAMILIAR SISTÊMICA |
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O
advento da Terapia Familiar foi marcado pela interdiciplinariedade,
iniciando-se nos anos 40 . O pensamento
sistêmico(1) proposto por von Bertalanffy, casado com a cibernética(2),originária
das idéias de Wiener, derivou-se de campos distantes da psicoterapia e até
mesmo da psicologia. Enquanto a teoria
geral dos sistemas propunha-se a estudar as correspondências ou
isomorfismos entre os sistemas de todo o tipo, a cibernética ocupava-se
dos processos de comunicação e controle nestes sistemas. A
aplicação deste pensamento à prática psicoterápica teve como
perspectiva central o olhar do antropólogo Gregory Bateson que
transforma o conceito de informação(3)
para as praticas relacionais e circulares ao dizer que o “observado tem
a marca de quem observa”, do psiquiatra Don Jackson que supervisionou o
projeto de comunicação(4) desenvolvido por Bateson e foi o
primeiro a utilizar o termo homeostasia
familiar, e da assistente social Virginia Satir que
trabalhava com crianças e famílias(5). Os
primeiros trabalhos em terapia familiar iniciaram-se com famílias de
esquizofrênicos na década de 50 e basearam-se na teoria
da comunicação(6) elaborada com base nas pesquisas de
Weakland, D.Jackson, G. Bateson e Jay Haley. Embora
a teoria geral dos sistemas, em parceria com a cibernética, tenha
configurado os limites dos paradigmas para uma teoria clinica de
psicoterapia, na prática diferentes sistemas de crenças resultaram em
distintos modelos de terapia familiar, caracterizando diversos sistemas de
inteligibilidade que, praticamente coexistiram(7). Comunicacional
- Bateson, Haley, Satir e Jackson Os
modelos com suas distintas maneiras de definir o que vem a ser o problema,
a teoria da mudança e a prática psicoterapêutica preocuparam os
estudiosos do campo da terapia familiar quanto a precisão conceitual que
então, consideraram as práticas da terapia familiar como sistêmicas e a
epistemologia como cibernética(8). O
terapeuta familiar na pós-modernidade Se
pelo aspecto teórico a terapia familiar permitiu muitas contribuições,
no âmbito das práticas gerou um novo olhar sobre o terapeuta
dismistificando-o como expert,
que passou a assumir um papel de facilitador, cujo conhecimento, como
qualquer outro conhecimento esta livre de um status
previligiado e, é auto-referêncial.
A
escuta feita pelo terapeuta pressupõe sua formação teórica e prática
e sua bagagem transportada por sua própria história de vida, isto
implica na formação como especialista em terapia familiar e de casal e
na vivência da terapia individual, supervisão e consultoria clínica.
Elkain, partindo da auto-referência propõe o conceito de ressonâncias(10)
que indica uma intersecção entre as histórias de vida pessoal do
terapeuta e da família ou dos clientes atendidos. A
terapia propõe que o cliente seja o especialista no que diz respeito ao
conteúdo, isto quer dizer que ele sabe sobre suas própria vida e dos
motivos que o trouxeram para a terapia, enquanto que o terapeuta é o
especialista no processo, permitindo por sua especialidade criar um
contexto propiciador e facilitador para uma conversação que permita a
reconstrução dos significados da história de vida do cliente(11). Neste
sentido também o sistema terapêutico, passa da família para ser
definido como aqueles que estão envolvidos em conversação em torno de
um problema. Estes sistemas não são determinados por sua estrutura ou
seu papel social, mas por uma dinâmica
relacional que se organiza em torno dos significados
compartilhados, nos quais estão os problemas que levam as pessoas a
buscarem terapia. Tal
concepção em primeiro plano coloca ênfase sobre a linguagem e a pessoa
do terapeuta, e segundo
estende o território da terapia sistêmica, originalmente uma terapia de
família como um sistema, para além das fronteiras, ao incluir o indivíduo,
as comunidades e outras organizações sociais, envolvidos numa trama
significativa. Grandesso diz que estamos “apoiados em torno dos princípios de imprevisibilidade e incerteza, da impossibilidade de um conhecimento objetivo, da auto-referência, da linguagem da autopoiese, o campo da terapia sistêmica organizou-se nas chamadas terapias sistêmicas construtivistas, construcionistas sociais, desenvolvidas nos modelos conhecidos como conversacionais, dialógicos ou narrativos. Em comum pode-se destacar que todas questionam os modelos diagnósticos tradicionais, as teorias clínicas e teorias de mudança, tradicionalmente centradas nos modelos apriorísticos de disfuncionalidades e patologias, ou de funcionamento saudável.” O
que é a terapia familiar e para quem servem as terapias familiares? A
terapia sistêmica da família organizou-se em torno de alguns conceitos básicos,
definidores de sistemas: O
aspecto fundamental é a de que o ser “doente” ou a pessoa que
apresenta problemas, é apenas um representante circunstancial de alguma
disfunção no sistema familiar. Enquanto o modelo tradicional de práticas
psicoterapeuticas diria que o transtorno mental se manifesta pela força
dos conflitos internos ou intra-psiquícos, tendo sua origem no próprio
indivíduo, o modelo sistêmico daria ênfase a tal transtorno como
expressão de padrões inadequados de interações familiares.
Assim
sendo considera-se relevante priorizar o trabalho direto e efetivo com as
necessidades da família e do meio ambiente, sendo que esta
família é definida
pelos seus padrões de interação, em detrimento de rebuscar somente os
dificuldades de ordem intra-psíquica individuais. A
Terapia Familiar/Casal não é recomendada para qualquer caso, porém tem
indicação clara para certas situações(12): Na
terapia são consideradas todas as informações levando em conta até três
gerações da família envolvidas no tratamento o que caracteriza mais do
que um trabalho de remediação às possibilidades preventivas, quando se
pensa numa mudança de Segunda Ordem, que implica na transformação dos padrões
de transacionais que constituem a estrutura familiar(13) .
A mudança terapêutica é decorrente da ampliação de
possibilidades de experiências vividas pela família nos diferentes
contextos. Em contrapartida ao conceito de mudança próprio das terapias
familiares da cibernética do primeiro período está o conceito de reconstrução
enfatizado pelos terapeutas que trabalham na perspectiva das
(re)construções de narrativas.
O
tratamento possibilita que mais de uma pessoa seja atendida por um
profissional ou uma equipe de profissionais que compartilham da mesma visão
de homem e de mundo permitindo o
vínculo e a linguagem comum com todos os membros da família,
possibilitando uma re-construção dos significados que giram em torno do
problema. O
atendimento de famílias com
crianças geralmente parte de alguma dificuldade observada pelos pais em
seus filhos com relação a problemas escolares, psicomotores ou de
relacionamento intra e extra familiar. É comum que os pais tragam seus
filhos para que a terapia seja realizada somente com eles. A fala dos pais
é “meu filho tem o problema” ou então
“ele é o problema, nós não sabemos mais o que fazer”. Curiosamente
é a criança que pode ser consultora ou co-terapeuta do terapeuta
familiar no atendimento, sendo sua ajuda solicitada para que juntos,
terapeuta e criança possam ajudar os pais. Imediatamente dissolve-se o
foco da criança como problema, o “Bode expiatório”. Primeiro
promove-se a busca de recursos na própria criança fazendo que ela
sinta-se capaz, o que faz com que os pais não vejam-na somente como frágil
e problemática, mas como gestora de recursos promotores de mudanças e
também envolve os pais como participativos no processo de tratamento
daquela família. Valorizando a competência da criança indiretamente o
terapeuta também cumprimenta os pais que criaram-na tão bem. É
muito freqüente que as crianças escolham os sintomas de acordo com o que
elas queiram afetar profundamente. Assim foi
o que Marcos fez (nome fictício). Em
fase de separação conjugal Marta e João procuram a terapia de casal
preocupados com as conseqüências deste rompimento sobre seus filhos.
Marcos estava indo mal na escola. Numa entrevista realizada com a
coordenadora da escola soubera que, não passaria do pré para primeira série
do ensino fundamental, recusava-se a participar do “mundo letrado”,
isto é do “mundo dos adultos”. Não era para menos vivendo no meio de
tantas brigas entre seus pais, para ele o melhor era continuar
“brincando” e não lendo ou escrevendo.
Foram
realizadas sessões com diversos sub-sistemas da família. 1ª)
Entre Marcos e sua irmã, configurando o sub-sistema fraterno, nas quais
foram trabalhados os aspectos de rivalidade e apego, isto é, o quanto
esses irmãos poderiam ajudar-se nesta fase de reorganização familiar
diante da separação de seus pais. 2ª)
com a mãe, Marcos e a irmã, com intuito
de fortalecimento do
vínculo entre Marcos e sua mãe, visto que esta permitiu a guarda
das crianças ao pai. 3ª)
com os avós paternos de Marcos e seu pai. Na medida que o pai de Marcos
pode conversar com seu pai sobre o quanto se sentira desqualificado na infância,
reconstrói o significado de sua relação também com seu filho e deixa
de agredi-lo fisicamente como também chamá-lo de “burro”. 4ª)
com avós maternos de Marcos e sua mãe. A mãe, filha de pais
separados também, consegue resignificar aquilo que entendeu como abandono
vivido na infância na relação com sua própria mãe e retoma a guarda
do filho. Durante as sessões a mãe de Marcos sentia-se deprimida e ele
preocupava-se com ela que havia ficado só após a separação, pois ele e
a irmã foram morar com o pai e a nova esposa dele. 5ª)
com família substituta de Marcos , agora composta pela irmã, o pai e a
madrasta. Foi extremamente importante a sessão que configurou-se como
ritual de uma outra família que se construía simultaneamente com a
entrada da nova esposa do pai. Fez-se necessário redefinir papéis e
tarefas de cada membro da família, o que permitiu um lugar de maior prestígio
para Marcos que também ganhará mais um irmão o filho da esposa de seu
pai, e este passou a ser seu colega de quarto. Assim nem todos os
“fracassos” recaiam sobre ele.
6ª) com os tios por parte de pai, foi uma sessão na qual se
redefiniram os papéis, pois estes tios exerciam funções paternas, e
assim tanto o pai quanto a mãe sentiam-se menos valorizados diante de
Marcos, que embora tomasse o tio “como pai afetivo”, na medida que o
fazia mais impedia a possibilidade de ter uma relação feliz com seu pai,
isto quer dizer que nos finais de semana passou a
viajar com o pai, a montar cavalo e brincar com ele e não somente
com o tio como fazia antes da separação de seus pais. A tia deixou de
fazer as lições de casa dele, fazendo com que ele pudesse sentir-se mais
valorizado por conseguir realizar suas obrigações sem auxílio, ou
quando este era necessário passou a solicitar sua mãe ficando mais próximo
dela, podendo cuidar e ser cuidado. Assim
Marcos foi deixando de ser o problema e ajudando seus pais e as três gerações
de sua família. Este
caso ilustra o quanto nós como profissionais da saúde devemos estar
atentos ao que nos comunicam as crianças. Será que valeria a
pena Marcos repetir de ano, por dificuldades que não
eram só dele? Esta história tem um final feliz se assim podemos
dizer, Marcos vai para a primeira série do ensino fundamental e
redistribuí o lugar para que cada membro de sua família possa crescer e
sentir-se feliz. Este trabalho durou um ano e meio, e ainda hoje lembro-me
dos olhos azuis de menino sofrido que passaram a brilhar. |
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AdrianaCarbone Mestre pelo programa de estudos pós-graduados em psicologia clínica da PUC/SP; especialista em terapia familiar e de casal (NUFAC - PUC/SP); membro da APTF – Associação Paulista de Terapia Familiar de São Paulo; professora da UNISA – Universidade Santo Amaro. |
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Heloisa
Helena Garbuglio |
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SÍNDROME
DE TOURETTE |
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A
Síndrome de Tourette é um distúrbio neurológico genético, que
foi inicialmente descrita pelo médico Jean Marie Itard, em 1825.Relatava
o caso de um paciente que emitia sons semelhantes a latidos, além de
verbalizar obscenidades nos momentos mais críticos da doença. É
considerada uma doença grave, que causa grande comprometimento
psicossocial, causando sofrimento aos portadores e seus familiares. |
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A
Síndrome de Tourette se manifesta cerca de três a quatro vezes mais no
sexo masculino do que no feminino. É encontrada independente da classe
social.A análise de segregação de famílias mostra que a ST é herdada
de acordo com o padrão autossômico dominante com penetrância variável
dependendo do sexo.A criança com Síndrome de Tourette exibe muitos tiques motores involuntários e um ou mais tiques vocais durante a doença, que necessariamente não são concomitantes.Os tiques são movimentos súbitos que vão desde os movimentos de cabeça, ombros, todo o corpo, caretas, piscar de olhos, ou comportamentos repetitivos de tocar coisas e piscar os olhos.Os tiques vocais aparecem em algum momento da doença como: fungar, tossir repetidamente, risos involuntários, pigarro e uma variedade de sons e gritos, havendo presença de ecolalia e coprolalia. O inicio da doença se dá antes dos dezoito anos. Um aspecto característico da doença é que os sintomas mudam com o passar dos tempos. Uma criança pode apresentar por uma determinada época ‘piscar os olhos e fungamento’ e mais adiante aparecer ecolalia ou fazer “cleques” com a língua. O diagnóstico é difícil e apresenta muitos sintomas associados à doença.O tratamento da ST consiste em duas abordagens associadas: o tratamento psicossocial e o farmacológico. Relato
de caso clinico |
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![]() Como a maior parte do dia J. fica na escola e grande parte dos seus problemas vem do convívio social iniciei o meu trabalho encaminhando os pais de J. para a ASTOC (Associação Brasileira se Síndrome de Tourette e Tiques), que é uma associação voluntária, e oferece palestras para pais, educadores e colegas de pessoas com ST. J. já havia trocado de escola três vezes e ia trocar pela
quarta vez.Com o trabalho envolvendo toda a escola, J. se sentiu acolhida
e pode falar do seu problema livremente, até arrumando entre os colegas,
muitos aliados. Para
os professores foi importante conhecer á respeito da doença, pois muitos
atribuíam aos tiques de J. indisciplina e gozação, fazendo com que ela
fosse expulsa da classe por diversas vezes.Para tranqüilidade e supresa
de J. seus colegas reagiram positivamente às explicações da doença,
pois muitos não entendiam as caretas e os movimentos de J. principalmente
os tiques vocais .Assim a paciente pode ser vista na escola sem
discriminação por parte dos alunos e professores, como também ficando
claro que atitudes superprotetoras eram o que menos J. precisava.
J. não apresentava outros distúrbios associados a ST.Seu nível
de atenção é bom e até o momento não se tem observado comportamentos
obsessivos compulsivos e não há a utilização por parte de J. em
rituais. Não há distúrbio de aprendizagem. J.
entrava em transe muito facilmente, pois havia um bom rapport e
motivação para que o trabalho fosse realizado. Seu transe é de nível
médio e acredito que é o transe que mais desenvolve a capacidade de
abrir possibilidades para o inconsciente. Aqui J. participava de todo o
processo, aparecendo todos os sinais físicos de uma constelação
hipnótica. Durante a indução procurei usar a
absorção, a ratificação e a eliciação. Na
absorção usei o método da
percepção cinestésica, fazendo-a perceber o calor, o tônus muscular,a
temperatura,o conforto, misturando também alguma coisa da percepção
visual incluindo imagens, lugares e cores. Truísmos foram associados, yes
set utilizados com pressuposições e injunções simbólicas. A
dissociação entre mente consciente e inconsciente também foi utilizada,
aliando-se a dissociação o porquê de fazê-la. Na eliciação trabalhei a aceitação do remédio por parte do organismo da paciente, que era o principal objetivo do nosso tratamento. Aqui foram usadas várias metáforas, algumas conhecidas, mas todas adaptadas à realidade de J. Eis algumas das metáforas: A porta negra,... A borboleta,... Solos,... O que você quer ser?...Pintas de cores diferentes... Com
este trabalho o organismo da paciente começou a aceitar os medicamentos,
o que fez com que os tiques reduzissem na ordem de 60%. A paciente estava
mais calma e interagindo com o meio de uma maneira diferente, e seus pais
também passaram a apreciar mais o trabalho feito com J. Entretanto na Páscoa J. foi viajar. Fiquei sem vê-la por duas semanas. Sua mãe suspendeu a medicação o que fez com que os tiques voltassem numa intensidade violenta.Os olhos piscavam sem parar, o corpo balançava e estremecia a todo o momento, os tiques vocais estavam mais freqüentes e guturais, os cleques com a língua ocorriam sem parar...O médico de J. e eu suspeitávamos que não era a primeira vez que sua mãe alterava a medicação. Assim readaptamos os objetivos no tratamento de J. Nossa intenção era que a paciente se tornasse responsável por tomar a sua medicação não tendo mais a atitude passiva de receber o remédio pelas mãos da mãe, que interferia no processo.Desenvolvemos todo um trabalho, no sentido de responsabilizar a paciente para o seu processo de cura .Novas técnicas foram usadas no tratamento de J. A paciente então teve uma melhora de 90% nos tiques, segundo o médico que a trata.Utilizamos os seguintes exercícios: eu aprendo o que se chama o que eu sinto..., a ensaiar o meu futuro...,a colaborar com minha cura física e emocional...confeccionar novos trajes para mim......(Autohipnose: Apriendendo a caminar por la vida). Atualmente
estamos com novas propostas no tratamento de J. É sabido que pacientes
com a ST, ao menstruarem os tiques desaparecem.Como a paciente está na
fase pré-menstrual, estamos desenvolvendo todo um trabalho usando todos
os recursos da hipnose naturalista, no sentido que talvez o organismo dela
elimine os tiques quando a menarca ocorrer. J. tem reagido muito bem nesta
fase do tratamento, e atualmente sua única preocupação é o de uma
adolescente que quer namorar.. .. |
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| Heloisa Helena Garbuglio - Psicoterapeuta | |||||||||||||
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| Sergio Mascoli | |||||||||||||
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E A AIDS COMO VAI? |
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Esta
pergunta não tem o interesse de que nós a respondamos com um “vai bem,
obrigado” ou “vai indo, né?”, mas é um meio para que possamos
levantar um debate e fazer uma reflexão sobre o tema. Agindo
assim o corpo não será contaminado. Contudo, quando o corpo já foi
contaminado a segunda forma de combater a expansão do HIV é
estruturar-se psicologicamente. Quando
uma pessoa tem o resultado positivo de seu primeiro exame, geralmente,
fica muito triste, deprimido, revoltado, confuso, desanimado, fica sem
saber o que fazer. Depois de um resultado positivo confirmado é
importante ter um acompanhamento de um psicólogo, além do seu medico,
para poder re-estruturar seu mundo psicológico. É
importante que o portador do HIV dê um novo significado e sentido para o
fato de estar contaminado. É preciso estar esclarecido sobre como se
relacionar sexualmente, é necessário cuidar de sua saúde, aprender
sobre os anti-retrovirais, enfim, é importante re-educar-se para a
vida. A
estruturação psicológica começa quando a pessoa não quer desistir de
viver e viver com qualidade; que compreende que apesar do vírus, ainda
pode resisti-lo. O HIV demonstra para a pessoa que o corpo dela é frágil,
mas a mente mostra para a pessoa que o psicológico é quem determina o
valor desta fragilidade. Como
diz o ditado antigo “mente sã num corpo são”, uma mente que luta
pela saúde fará um corpo ser mais saudável mesmo que ele tenha HIV,
sendo que o inverso também é verdade, ou seja, se uma mente não está
saudável, mesmo que o corpo esteja bem, ele poderá adoecer. O HIV fragiliza o sistema imunológico que passa a não resistir às infecções e os médicos fazem de tudo para mudar este quadro. Toda fragilidade pode nos ensinar como ser mais fortes, basta aprendermos a lição com ela, enfim, a fragilidade nos mostra como e onde ficar mais resistentes e os psicólogos podem ajudar muito nesta situação. Os anti-retrovirais ajudam o corpo a ficar mais resistente e a mente auxilia o corpo a ficar mais vivo e saudável. |
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Cada
pessoa é um conjunto onde o corpo (do grego “soma”) e a mente (do
grego “psique”) não se separam nunca, mas que nem sempre trabalham
juntos, por isso, podem aparecer problemas físicos/biológicos e
problemas emocionais/psíquicos. Integrar
mente e corpo é uma tarefa que o psicólogo pode ajudar a acontecer. Dar
um outro significado e sentido para o fato de se ter o HIV é uma tarefa
que a psicoterapia (de grupo, individual ou familiar) pretende promover. Sabe-se
que o corpo quando está sob o efeito de ansiedade e/ou depressão fica
mais vulnerável a um rebaixamento da imunidade, então, para se ter uma
qualidade de vida satisfatória é necessário combater estes sentimentos,
utilizando-se
de medicações indicadas pelos médicos ou através da psicoterapia. Quando
alguém reconhece que está deprimido e/ou ansioso fica mais fácil combatê-las.
Sabe-se,
também, que o corpo quando está sob o efeito da endorfina, aumenta-se a
imunidade. A endorfina é produzida quando praticamos exercícios físicos
(como caminhar), quando falamos de nossos problemas, quando relaxamos,
quando reconhecemos que estamos infelizes, com raiva, nervosos. Para
isso é importante nos importar mais conosco mesmo. É preciso que o
soropositivo olhe para si mesmo e perceba que uma “nova identidade”
surgiu, agora existe o fulano ou beltrano que é portador do HIV. É
necessário não se esconder mais e nem se envergonhar; quando alguém
assume sua identidade real, ocorre um fenômeno que é a liberdade, a paz
consigo mesmo. Reconhecer
esta “nova identidade” não é simples ou fácil. Uma identidade surge
através de um processo psicológico de metamorfose (quando mudanças
profundas ocorrem dentro de alguém, mesmo que ela não possa dominar), e
de um processo de emancipação (quando as mudanças já ocorridas na
psique da pessoa, a promovem para um novo modo de ser). Então,
esta “nova identidade” psicológica gera novas condições de vida que
poderão ser muito melhores que a “velha identidade”, isto pode ser
uma forma de re-estruturação psicológica.Porém, tal identidade só
ocorre quando a pessoa a deseja e se abre para isso. Agora
quando retomamos a pergunta inicial do artigo: “E a aids como vai?”, o
que você responderia? Pense nisso... |
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SÉRGIO
MÁSCOLI |
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| Sérgio Gomes da Silva | |||||||||||||
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TRAÍDOS
PELO DESEJO:
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“(...) Toda cultura produz diferenças,
e sustenta alguma forma de hierarquia para ordená-las. Mesmo as
sociedades igualitaristas da modernidade ocidental, fundadas no
individualismo, abrigam estruturas hierarquizadas. Além disso, toda
cultura implica normas. E toda norma implica o seu oposto, a antinorma, o
desvio, a diferença. Uma sociedade que visasse a igualdade absoluta entre
seus membros seria inclusive indesejável; dificilmente poderia não ser
uma forma qualquer de totalitarismo”. |
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Identidade, diferença e exclusão na sociedade brasileira contemporânea. |
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Mais
uma vez os cidadãos brasileiros foram interpelados acerca da sua vida, da
sua situação familiar, do seu estado civil, da sua profissão, da sua
condição econômico-financeira, do seu grau de escolaridade, enfim,
foram sabatinados sobre um conjunto de dados que o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística)
necessitava para retratar a “realidade e o perfil sócio-econômico e
geográfico” do povo brasileiro. Para
alguns, o Censo 2000 tende a retratar a “privacidade” de um povo. Para
outros, busca-se apenas conhecer essa chamada “realidade” de um país,
com tantas diferenças inter-culturais e de um contingente tamanho como é
o caso do Brasil. De
todos os dados que foram levantados através do Censo 2000, um seleto
grupo reivindicou uma categoria que até então não fora incluída nos
Censos anteriores: a orientação sexual. Vamos
direto aos nove foras: qual a utilidade prática de sabermos qual a
orientação sexual da população brasileira? De que nos serve o
conhecimento de quantos são os homossexuais e quais são suas atividades
profissionais, seu status econômico-financeiro,
seu grau de escolaridade ou seu estado civil, em detrimento à
“predominante” população heterossexual do país? Onde e quando a “identidade
afetiva” pode espelhar o
contexto familiar da nossa população? E por último, o que podemos fazer
com estes dados, caso eles representem a realidade da “população
homossexual” no Brasil? Para
a Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul,
Vice-Presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família e autora do
livro “União
Civil Homossexual”, a senhora Maria Berenice Dias, e para o
Antropólogo e docente da Universidade Federal da Bahia e Presidente do
GGB (Grupo Gay da Bahia), o Professor Luiz
Mott, a resposta a essas questões justifica-se através de alguns
argumentos postos a seguir. |
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De
acordo com a Desembargadora Maria Berenice, foi injustificável a ausência
do questionamento sobre orientação sexual no Censo 2000, por tratar-se
de um direito à própria identidade, e por isto termos direitos a
garantias constitucionais. Ora, mas desde quando, todos os homossexuais se
vêem de igual modo? Como saber se “ser homossexual , é ser “isto”
ou “aquilo”, comportar-se
“desta” ou “daquela maneira”, ter em mente os mesmos preceitos ideológicos e
partilhar os mesmos ideais? A partir de quais pressupostos metafísicos
iremos saber de fato “o que é
ser um homossexual?”. E finalmente, por que o desejo afetivo e
sexual pelo ser humano do mesmo sexo deveria dar garantias maiores ou
melhores do que o sujeito que sente os mesmos desejos pelo sexo oposto ao
seu? O
que torna-se inconcebível, do meu ponto de vista, é que possamos
acreditar que o direito à cidadania ainda esteja imbuído na falsa crença,
no imaginário social coletivo, de que as “espécies sexuais” que
historicamente criamos (hetero, homo, bi, trans, assexual, etc.), seja um
tipo que mereça respeito justamente por se achar diferente do resto da
população. E ainda que mal lhe pergunte: resto de que população? Da
população hetero, machista e preconceituosa? Mas só somos hetero,
machista e preconceituosos porque acreditamos que ser sujeito, ser um humano,
seja sentir desejos afetivos e sexuais pelo sujeito do sexo oposto ao meu,
e que isso tenha se tornado norma incondicional e hegemônica única. Daí
portanto, acreditar que ser homossexual, seja uma espécie diferente da
maioria, e que por isso mereça respeito, sendo necessário criar leis que
os defendam, segundo penso, precisa ser urgentemente revisto, para que não
passemos a fomentar a diferença entre nossos semelhantes. O
segundo motivo, de acordo com a desembargadora, estaria na forma
discriminatória e preconceituosa que o silêncio da pesquisa enfatizou em
relação à omissão da orientação sexual em seu questionário, haja
visto que a jurisprudência tenha conseguido ganhos de direitos em relação
à cidadania homossexual, seja no Direito da Família ou nos direitos
previdenciários. Claro,
só se torna discriminatório, na medida em que acreditamos que a família
hoje ainda seja constituída exclusivamente por casais de sexos
diferentes, e essa única estrutura seja decisiva na formação da
personalidade de um sujeito (o que é uma impropriedade, pois temos inúmeros
casos de que a existência do pai ou da mãe na organização familiar
pode ou não influenciar positivamente o desenvolvimento da personalidade
humana), que o casamento entre iguais não seja uma realidade palpável, e
que não possa conjurar um lar tão normalmente apropriado quanto
conformaria um lar constituído por um homem e uma mulher, nas mentes
arcaicas de grande parte da população preconceituosa que hoje ainda
temos no Brasil. Se esta fosse uma verdade incontestável, como então
assegurar que inúmeras “personalidade desviantes” foram construídas
justamente dentro de lares onde havia a figura dos dois cônjuges? No
tocante ao direito previdenciário, o caso não seria diferente. É justo
que homossexuais tenham que provar de forma tão exeqüível, a sua
parceria diante do INSS quando isto se dá naturalmente entre casais de
sexo oposto, apresentando alguns poucos documentos? O
que temos feito, de fato, para conseguirmos sair desse jogo tautológico
que criamos para acreditar que ser homem ou ser mulher seja pertencer a
esta ou aquela “espécie sexual”,
e a partir disto, pautarmos nossa cidadania, a nossa subjetividade, através
destes jogos identificatórios na construção de uma cidadania? Passemos
à crítica às afirmações do Prof. Luiz Mott. Por
que toda a sociedade e órgãos
governamentais, nas palavras do Prof. Luiz Mott, deveriam
ser informados que os gays são
muito mais numerosos que índios, deficientes físicos, judeus, etc.,
se também podemos encontrar índios, deficientes físicos, judeus e
negros homossexuais? Quem garante que os homossexuais são maioria do que
todos eles juntos? Por fim, por que apenas conhecendo quanto são os homossexuais, quais profissões estes desempenham, e que bens estes possuem, é que se poderá planejar políticas públicas, visando diminuir e erradicar o preconceito contra homossexuais? Por que não acreditar que a cidadania pertença a todo e qualquer ser humano, e por SER UM HUMANO, ele mereça ser respeitado independente de sua opção sexual, sem que possa ser alvo de preconceito? |
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Devemos planejar políticas públicas, criar leis, dar subsídios legais a cidadãos desse país, não porque aprendemos a definir nossas subjetividades e nossa sexualidade a partir de nossas preferências afetivas, do tipo de sexo que praticamos, ou muito menos do sexo biológico a que pertencemos ou da pessoa com que nos relacionamos. Precisamos não reduzir nossos direitos enquanto cidadãos ao sexo propriamente dito, porque não é confundindo os espaços público e privado que vamos conseguir reconhecimentos legais pela nossa cidadania, independente se sejamos “qualquercoisa sexual”. Acredito que quando partirmos deste pressuposto, criaremos uma abertura maior para se pensar que estas “tipologias sexuais” de fato apenas fizeram sofrer todo aquele que reconheceu a si e o outro dentro desta prisão identitária. Que
mundo é este que queremos construir para nossos filhos e netos, ao se
acreditar que a cidadania pode ser garantida a partir da inversão dos
espaços público e privado? Devemos lembrar que cidadania pública e emoção
afetiva privada não necessariamente andam juntas.Não podemos e nem devemos ser obrigados a ser incitados ao discurso acerca da nossa sexualidade, da nossa privacidade, de modo a expor os nossos desejos afetivos e sexuais, afinal, apesar desta nossa “vontade de saber”, o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) em sua História da Sexualidade já nos advertia sobre os perigos da “hipótese repressiva” (falar da nossa vida privada, da nossa sexualidade, para poder reprimi-la). |
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Mas
será que existe uma única forma de ser hetero, homo ou bissexual, de
modo a representar toda uma população com suas singularidades? Será que
a nossa sexualidade perpassa única e exclusivamente por essas três “espécies sexuais” que secular, cultural e historicamente
aprendemos definir? Onde caberia, no mesmo questionário, a classificação
de homens e mulheres assexuados, travestis, transexuais, pedófilos, zoófilos,
necrófilos, coprófilos, sadomasoquistas, hermafroditas, drag
queens e drag kings, ou
tantas quantas sejam possíveis imaginarmos a variedade de tipologias
sexuais nas quais a pluralidade lingüística nos fornece ou que a
finitude histórica ainda pode nos fornecer? Buscamos
um mundo onde iguais e dessemelhantes possam viver em harmonia. Aliás,
prefiro acreditar que lutamos por um mundo onde não possa existir essas
dessemelhanças, e que não podemos ser nem melhores e nem piores,
independente do que meu irmão em humanidade possa parecer, ter ou ser,
para que não possamos recrudescer aquilo que Freud denominou de “narcisismo
das pequenas diferenças”, na qual rejeitamos o próximo, a
partir de alguma particularidade que o faz parecer diferente do resto da
população, como por exemplo ser judeu, negro, pobre, índio, velho,
criança, mulher, deficiente físico, ou até mesmo homossexual. Portanto,
discordo do destaque que se quis dar à opção sexual no Censo 2000, de
modo que possa trazer algum ganho no que concerne às políticas públicas
e de cidadania, e que esta seja uma variável que pode espelhar a
realidade do povo brasileiro. Não
precisamos expor nossa intimidade, nossa privacidade na promoção de uma
cidadania e da garantia dos nossos direitos, sejamos homo, hetero ou
bissexuais. Já temos esses direitos garantidos. Já somos cidadãos. Já
pertencemos e dividimos o espaço púbico sem precisarmos saber quais são
as nossas preferências nos domínios do campo privado. A minha vida
privada só compete a mim, e só deve vir a público quando eu sentir
necessidade de expô-la. Nem Governo, nem Estado, nem muito menos órgãos
públicos federais ou de fomento à pesquisa têm o direito de requerer,
ordenar ou cobrar a minha privacidade. É a isso que entendo por
democracia: não infringir o meu direito e o direito do outro de ir e vir,
de falar ou até mesmo de calar. Temos
que fazer valer os nossos direitos. Não merecemos respeito nem mais nem
menos por sermos índio, branco ou negro, pobre ou rico, judeu, católico,
espírita ou ateu, deficiente físico ou visual, homem, mulher ou criança,
gay, lésbica ou “simpatizante”. Merecemos respeito porque somos
sujeitos, porque somos humanos. Merecemos respeito, e não precisamos
conquistá-lo. Precisamos sim, fazê-los ser respeitados para que não
promovamos a exclusão social. A exclusão social só existe, porque
acreditamos que o mundo pertence a uma minoria que prosaicamente se
definiu como sendo necessariamente branca, rica, culta, masculina, com
alto poder aquisitivo, heterossexual e independente economicamente. No dia em que pararmos de fomentar a pulsão de morte contra a pulsão de vida, ou seja, no dia em que formos capazes de não mais precisar de nenhum argumento metafísico para definir o sujeito em suas singularidades, no dia em que não mais nos utilizarmos de tais e quais predicativos para falar do nosso “eu”, no dia em que direito e cidadania forem algo que não precisamos lutar para conquistá-los, talvez estejamos bem perto de um mundo infinitamente mais rico, mais justo e infinitamente mais solidário para o ser humano. No dia em que conseguirmos nos aproximar, que seja um pouco disto, nada mais será necessário, nada mais será preciso. |
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Sérgio
Gomes da Silva |
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Ana Lúcia
Pereira |
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O PSICÓLOGO ORGANIZACIONAL E A GLOBALIZAÇÃO |
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Neste trabalho abordamos a questão do engajamento de psicólogos organizacionais como possíveis agentes de mudanças sociais significativas, contradizendo as tendências que os classificam como profissionais vendidos ao sistema e criticando a postura corrente dos meios científicos-sociais de não proporem ações alternativas aos seus objetos de crítica. |
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Em
função das exigências da globalização as empresas têm procurado
adaptar-se as necessidades do mercado internacional e adotado a
filosofia do “quem não almoçar será jantado”. Para atender tal
demanda, cada vez mais, novas práticas administrativas tem sido
exportadas e implantadas nas empresas, não levando, muitas vezes, em
consideração o contexto cultural e social do país. E com os
empregados o sistema não é menos impiedoso: “adapta-se ao novo
sistema ou está fora da empresa”. Não
negamos a existência de profissionais de fato pouco comprometidos com
as necessidades dos trabalhadores, porém chamamos a atenção para o
perigo de uma generalização. Pode parecer, em um primeiro momento, um ato heróico o psicólogo recusar-se a fazer parte de um sistema que explora o trabalhador, sem que ao menos este tenha consciência de que está sendo explorado, uma vez que é envolvido de tal forma pelo processo, que internaliza como seus, os objetivos da empresa. |
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Afinal de contas, imagine o psicólogo, tão “boa praça”, tão engajado com as questões sociais, concordar com um sistema que, entre outras “atrocidades”, convence o desempregado de que se no mercado de trabalho não existe lugar para ele, a culpa é única e exclusivamente dele mesmo que não conseguiu contribuir com a empresa sendo um profissional com todas os requisitos de um “super homem”: criatividade, responsabilidade, facilidade para resolver
problemas e para trabalhar em equipe, disponibilidade para trabalhar
“25” horas por dia e, ainda assim, praticar esportes e ter uma vida
social ativa, bom humor constante e nem sinal de estresse. Isso porque
talvez não seja
interessante para os detentores do poder que os desempregados percebam
que não são eles, na verdade, os grandes responsáveis por sua situação.
Que o desemprego enfrentado no Brasil é estrutural, ou seja, conseqüência
do avanço tecnológico, que foi pouco a pouco trocando homens por máquinas.
Que mesmo em países onde a grande maioria da população é considerada
suficientemente qualificada o desemprego é presente, pois a questão é
numérica: existem mais pessoas para trabalhar que postos de trabalho
disponíveis.Mas
será que é cruzando os braços e torcendo o nariz para as organizações
e para os colegas que nelas trabalham, que os psicólogos estarão
contribuindo para a conscientização dos trabalhadores sobre seus próprios
limites, direitos e necessidades? E mais, não estarão abrindo mão de
um valioso espaço de questionamento, que poderia contribuir para a
busca. |
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Será como
observador passivo, em seu consultório, que o psicólogo fará com que
empregadores percebam a importância de considerar as necessidades de
seus funcionários ao estabelecer suas metas de crescimento e
lucratividade? Será que o
profissional de psicologia enquanto observador passivo, é menos
conivente com o sistema do que aquele que está na empresa dizendo “amém”
às ordens do chefe? Acreditamos que
tais perguntas deveriam servir de reflexão a todos os psicólogos que
preferem simplesmente fazer críticas não construtivas ao psicólogo
organizacional. Quanto a nós, fazemos coro a Codo [1],
quando afirma que: “(...) o
psicólogo deveria estar na indústria, refletindo conscientemente para
tentar subverter suas funções. Franzindo o nariz e se recusando a
cumprir tão “vil papel”, os defensores desse tipo de crítica fazem
coro exatamente ao sistema, pois reivindicam pelo avesso a neutralidade
da ciência, que denunciam como falsa, e poupam os industriais do incômodo
de ter entre suas fileiras um profissional preocupado com a defesa dos
direitos do trabalhador”. Se é inevitável que a globalização traga consigo exclusão social e prejuízo aos direitos trabalhistas, não adianta o psicólogo simplesmente “ser contra” a de alternativas que poderiam amenizar os transtornos da atual situação? Será como
observador passivo, em seu consultório, que o psicólogo fará com que
empregadores percebam a importância de considerar as necessidades de
seus funcionários ao estabelecer suas metas de crescimento e
lucratividade? Será que o
profissional de psicologia enquanto observador passivo, é menos
conivente com o sistema do que aquele que está na empresa dizendo “amém”
às ordens do chefe? Acreditamos que
tais perguntas deveriam servir de reflexão a todos os psicólogos que
preferem simplesmente fazer críticas não construtivas ao psicólogo
organizacional. Quanto a nós, fazemos coro a Codo [1],
quando afirma que: Se é inevitável
que a globalização traga consigo exclusão social e prejuízo aos
direitos trabalhistas, não adianta o psicólogo simplesmente “ser
contra” a globalização. Precisa sim, juntamente com empregados e
empregador, repensá-la de forma a oferecer ao trabalhador
contrapartidas que possam amenizar seus prejuízos. Mas para que isso
seja possível é necessário, antes de tudo, conhecer os conceitos que
permeiam tal prática, pois não é possível criticar e sugerir mudanças
a respeito de fatos que não dominamos. É preciso entender a linguagem
e as expectativas dos empresários sim, para a partir delas sugerirmos
mudanças que levem em consideração o bem estar dos trabalhadores. E
será que os psicólogos, em sua formação, entram em contato com tais
conceitos? Acreditamos que na maioria das vezes não, e que isso seja
uma das falhas da formação que é oferecida em psicologia
organizacional na maioria das universidades. Contribuindo, dessa forma,
não só para a formação de profissionais menos qualificados e com
menor poder de barganha junto às organizações, como também para a
perpetuação do preconceito já existente com relação aos psicólogos
organizacionais. |
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Ana Lúcia Pereira alp_psicologa@yahoo.com – CRP: 06/62140-9 Psicóloga Clínica e Organizacional & Administradora de Empresas |
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| HELOISA HELENA GARBUGLIO | |||||||||||||
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TERAPIA DE VIDAS PASSADAS UM PROCESSO DE AUTOCURA |
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A Terapia de Vidas passadas
é também conhecida como Terapia da Regressão, porque tem como
pressuposto teórico que o paciente pode determinar a origem de seus
conflitos e traumas da vida atual, quer sejam emocionais, somáticos,
energéticos ou mentais, em acontecimentos passados nesta vida, na vida
intra-uterina ou mesmo em vidas passadas. |
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A regressão de memória
é a técnica que a Terapia da Regressão utiliza para trazer à memória
o trauma original. Muito de nossos problemas atuais, tais como fobias e
medos irracionais, depressão e falta de energia, problemas sexuais,
doenças psicossomáticas (diabetes, úlceras, bulimia, anorexia,
obesidade, enxaquecas) epilepsia, problemas de relacionamentos
familiares, indisposições crônicas, podem ter origem em eventos traumáticos
ocorridos em vidas anteriores. As emoções que geraram esses fatos do
passado ficaram gravadas em nossa memória inconsciente, e podem estar
influenciando positiva ou negativamente a vida atual do paciente. Esta ação
conscientizadora prevê, para sua eficácia, a transformação do indivíduo,
tanto no âmbito pessoal como no familiar, o que possibilitará ao
paciente, rever seu sistema de crenças e valores. Na regressão
observamos frases ou palavras que parecem destacar-se do contexto
verbalizado do paciente, por sua incongruência ou por serem repetidas
muitas vezes com exagero ou de maneira inadequada, ou ainda porque essa
repetição não parece claramente consciente. Tudo isso representa
material reprimido ou inconsciente, cujo real sentido poderá ser
encontrado durante a regressão. Frases desconexas podem estar ligadas a
acontecimentos de vidas passadas, que servem de ponte de entrada para
revivências de outras vidas, como também indicam momentos que o
paciente está vivenciando.Eu não consigo ser feliz”.“A minha vida
não tem sentido...” Quero morrer...Tudo acabou.....Não estou
pronta...Eu tenho medo... Para a Terapia
Regressiva o paciente estruturará sua personalidade conforme vivenciar
o período pré-natal, o nascimento e a morte. |
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O
nascimento e a morte são experiências traumáticas que imprimem no
inconsciente as emoções de sensações negativas desta vida ou de uma
vida passada. Um parto doloroso, hemorragia e transfusão de sangue,
asfixia, apresentação de bebê de nádegas, corte de cesariana na hora
do nascimento, podem acionar memórias de violências nas vidas passadas,
que podem influenciar na vida presente do indivíduo.A morte é vista como o maior trauma sem solução, como também uma experiência estressante que passamos.Inconscientemente tentamos resolver o problema da vida passada na vida presente.Mortes repentinas deixam sentimentos inacabados e mortes com demorada agonia são carregadas de sentimentos de amargura e.ressentimentos. Eu sou um fracasso... é o único jeito....a dor é atroz.....Estou completamente sozinho.... A compreensão do que realmente acontece na Terapia Regressiva pode não ser em si tão importante, o resultado é o que realmente conta e não importa se as histórias são verdadeiras ou se elas podem ser historicamente comprovadas. O paciente também não precisa acreditar em reencarnação. Fique com a verdade que a mente inconsciente lhe traz, o que importa é realmente a cura do paciente.Na realidade, os pacientes recebem muitos benefícios com a terapia de vidas passadas, pois passam a observar que mudando seus padrões, passam também a agir de uma forma diferente, sem hostilidades ou comportamentos negativos, o que faz os outros a sua volta também mudarem. O
objetivo da TERAPIA DA REGRESSAO é o bem estar do paciente, ajudando-o a
definir sua visão de mundo, possibilitando que ele rompa as amarras do
passado, atingindo um grau elevado de satisfação, maturidade, equilíbrio
emocional e energético. |
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HELOISA
HELENA GARBUGLIO |
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ESTUDO
REVELA PREJUÍZOS
CAUSADOS
PELA ENXAQUECA
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Um
estudo realizado por neurologistas de Ribeirão Preto revelou os prejuízos
causados
pela enxaqueca em funcionários de um hospital público brasileiro. Foram
analisados 846 trabalhadores com enxaqueca do Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, no período
de um ano (1998). Desse total, 91% apresentaram algum grau de debilidade
por causa da dor. A queda de rendimento média foi de 56,9%. Segundo o estudo realizado em Ribeirão Preto, os custos da enxaqueca aumentam conforme a intensidade e duração da dor. “A enxaqueca deve ser encarada como problema de saúde pública”, afirma Dr. Bigal. “É necessária a adoção de medidas que visem diminuir o impacto da doença sobre o indivíduo e sobre a sociedade”. “ O uso regular e freqüente de analgésicos transforma, ao longo do tempo, a dor que não era constante em sintoma que se manifesta todos os dias”, alerta o Dr. Getúlio Daré Rabello, responsável pelo Ambulatório de Cefaléia do HC-FMUSP. É certo que nove a cada dez pessoas já sofreram de dor de cabeça ao menos uma vez na vida. No Brasil, pelo menos 30 milhões de pessoas conhecem bem a aflição de sofrer de enxaqueca. O problema está justamente em como estas pessoas estão se tratando. O hábito de consumir analgésicos sem prescrição ou acompanhamento médico é corriqueiro no Brasil. Quando não é o próprio paciente com cefaléia que se automedica com um determinado analgésico já conhecido, são os balconistas das farmácias, amigos ou vizinhos que recomendam medicamentos nos quais confiam. Ao tentar se automedicar sem combater as causas da dor e sem orientação para um tratamento preventivo, os pacientes geralmente relatam que seus sintomas evoluem gradualmente para a piora: “Sob constante ação de analgésicos, o sistema serotoninérgico vai sendo mais neutralizado e perde suas defesas, causando a tolerância e a dependência. Um círculo vicioso bem conhecido é construído. Primeiro a dor, depois o uso de analgésicos e em seguida a melhora. Depois novamente a dor, mais analgésicos e assim por diante”, explica o Dr. Abouch Valenty Krymchantowski, diretor e fundador do Centro de Avaliação e Tratamento da Dor de Cabeça do Rio de Janeiro. Os riscos associados ao consumo indiscriminado de analgésicos vão de uma reação alérgica, que em casos graves pode resultar em asfixia mecânica e morte, até doenças renais, depressão e hipersensibilidades próprias de cada paciente, incomuns, que resultam em reações inesperadas e que, não sendo diagnosticadas a tempo, também levam ao óbito. Por serem em grande parte dos casos doenças bioquímicas do cérebro, transmitidas geneticamente, as enxaquecas - um tipo de cefaléia - não podem ser totalmente curadas. Porém, tratamentos corretos e eficazes podem reduzir a incidência, a intensidade e a duração das crises em mais de 90%. “ O mais importante é esclarecer e orientar o paciente, o que também envolve conscientização da população contra a automedicação abusiva” , diz o Dr. Krymchantowski. TRATAMENTO ESPECÍFICO Atualmente,
existem medicamentos específicos para o tratamento das crises de
enxaqueca, tais como os triptanos, que têm ação antienxaquecosa mais
específica e perfil de efeitos colaterais mais favorável. Os
triptanos representam um expressivo avanço farmacológico graças a sua ação
rápida e eficaz nas crises agudas de enxaqueca e já foram utilizados por
mais de uma dezena de milhões de pessoas com enxaqueca no mundo. Na prática, esses medicamentos contribuem para aperfeiçoar o tratamento de enxaqueca, para evitar internações em casos mais difíceis e para combater o consumo excessivo de medicação. Nessa classe de medicamentos, inclui-se Maxalt® (benzoato de rizatriptano, MSD). FATOS
SOBRE A ENXAQUECA A
Sociedade Brasileira de Cefaléia estima que 30 milhões de brasileiros
sofrem de enxaqueca e precisam de tratamento. |
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