|
|
| OS
GÊNEROS
Luiz Cuschnir Conversamos
com o Dr. Luiz Cuschnir que é médico,
psiquiatra, supervisor e professor do serviço de psicoterapia do Instituto de
Psiquiatria do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (há 28 anos ), coordenador
do Gender Group e do IDEN (Centro de Estudos da Identidade do Homem e
da Mulher). Autor de uma tese inédita sobre o masculismo, que é o estudo
sobre os conflitos emocionais do homem. Autor dos livros “O masculino, como
o homem se vê – feminino, como o homem vê a mulher”, “Homem, um pedaço
adolescente – adolescente, pedaços de um homem” e “J.L.Moreno –
autobiografia” onde foi organizador e editor. C- Você estuda
muito os relacionamentos humanos e trabalha com grupos só de homens ou só de
mulheres. Por que o interesse específico em relacionamentos? Que respostas
você espera encontrar nestes estudos? L-
Esse interesse específico no relacionamento baseia-se no psicodrama que propõe
basicamente todo um trabalho inter-relacional. No início da minha formação
, antes de me formar em Medicina, comecei fazendo psicodrama. Depois quis
ampliar e aprofundar, passando para um trabalho psicanalítico ortodoxo, tanto
a nível pessoal quanto na forma de trabalhar com meus pacientes.
Ao longo do tempo percebi que a psicanálise tinha um enfoque muito
voltado para a relação transferencial ( do paciente com o terapeuta).
Comecei então, a ter interesse em saber como a pessoa estava vivendo seus
outros vínculos, identificando-me profissionalmente
com o psicodrama, ou seja, criando cenas ou situações internas do paciente
com outras pessoas e também , trazendo pessoas dos atuais convívios para
dentro da sessão.
Nesse início da minha vida profissional trabalhei com adultos e
adolescentes. Com os adolescentes era primordial trazer pai e mãe e
eventualmente, outros membros da família ou do seu mundo. Isso me guiou para
trabalhar mais com a questão inter- relacional e menos
com o intrapsíquico. Nesse trabalho com os adolescentes começaram a
surgir indagações como o que acontece com os rapazes ao se depararem
com o pai e com a mãe. Ao estudar isso percebi que a mãe presente na
sessão tinha uma configuração,
intervindo de uma certa maneira na dinâmica. Quando não havia a mãe
presente , mas apenas o pai, aparecia
outra dinâmica .
Em outros trabalhos com
homens adultos surgia eventualmente, uma dificuldade no relacionamento com o
filho, como dificuldade em expressar sentimentos deste pai , de dialogar,
necessidade simultânea e conflituosa de se colocar e de se proteger, dúvidas
em como fazer para conseguir expressar os afetos e emoções. A partir daí
iniciou-se o trabalho com o grupo de gêneros, que grupos formados apenas por
homens ou por mulheres.
Há mais de 10 anos, participei de
um trabalho na Holanda, onde conheci através
de vivência, a formatação de um Gender Group ( grupo de gênero).A proposta
era a de saber o que acontece
entre homens e o que acontece quando os homens encontram o mundo feminino. Mas na Holanda
era um trabalho diferente, pois tinha um referencial apenas verbal e reunia
grupos de homens da Dinamarca, Alemanha, Israel, Inglaterra e da própria
Holanda.
Quando trouxe esse trabalho para o Brasil, criei uma formatação
utilizando o psicodrama e o referencial brasileiro. Percebi então, como ambos vêem a relação homem-mulher e o quanto precisam encontrar
o locus que condiz com a situação atual do masculino e do feminino. Existem
muitas indagações, não se sabe ainda como complementar o outro gênero, mas
quando se consegue um espaço de troca para compartilhar as angústias de vivências
já ocorridas, das metas, os desejos que as pessoas tem de atingir
relacionamentos melhores, mais saudáveis, mais profundos, mais desenvolvidos,
começa-se então a ter respostas mais claras. O Gender Group não é um curso
que ensina o homem a ser homem e a mulher a ser mulher , mas um trabalho de
desenvolvimento, que tem um caminho e um percurso prático, que atinge vários
temas da vivência de cada um, com o objetivo de nessa troca poderem
compartilhar experiências , tanto homens quanto mulheres. Possam estar se
percebendo e possam também perceber como outros de seu gênero estão, quais
as angústias, as necessidades. E a partir daí poderem aprender e desenvolver seu próprio jeito, lidarem e
desenvolverem melhor o próprio potencial.
Principalmente na questão masculina, os homens
tem muitos mitos: - não podem se abrir para outros homens; tem que
mostrar uma aparência de que já sabem tudo; não podem mostrar suas dependências,
sua sensibilidade, suas emoções. Mas podem mostrar muito da sua onipotência,
da sua capacidade de ensinar, da condição de professor, de quem já sabe
tudo sobre ele e tudo o que tem,
o que fará e tudo que terá que fazer . Pode no máximo contar algumas histórias
que muitas vezes não correspondem as próprias dúvidas. Em geral, disfarçam
muito, tem muita vergonha do que não sabem ou temem.
O que se espera nesse trabalho é que os homens aos poucos criem um
contexto de confiança e isso acaba acontecendo. É justamente o que abordo no
livro do homem adolescente, que é a questão de que enquanto o adolescente é
jovem, pode contar tudo no seu grupo de amigos , desde a vez em que não
conseguiu uma ereção, ao medo que tem de ser
traído, a angústia que sente de ter contraído uma doença venérea,
enfim uma série de coisas. Quando entra na vida adulta como um homem duro,
que as vezes não pode nem sorrir, tem que manter uma postura de muita
seriedade, de sabedoria e acaba deixando toda sua vida afetiva de fora desse
compartilhar com o social. Não podendo então, contar que não está mais
conseguindo amar, sentir grandes emoções, que tem medo de perder a mulher ou
que não consegue mulher nenhuma. No grupo criamos um contexto que vai
aprofundando e os homens descobrem que não precisam mais ser “containers”(caixotes)
e que podem utilizar todo aquele colorido que tinham na vivência da adolescência
(a energia, as emoções fortes) para manterem-se vivos. Não precisam mais
fazer um pacto com a morte, por exemplo, se matando de trabalhar, mas passando
a fazer um pacto com a vida. C- Quais os
fatores mais estressantes e como eles interferem na libido das mulheres? L-
A mulher sentia-se desvalorizada ao desempenhar apenas o papel doméstico que
era pouco valorizado e não remunerado. Essa insatisfação fez com que ela
buscasse um trabalho fora que a preenchesse e que fosse remunerado. Mas junto
com isso passa a ter um acúmulo de funções, onde muitas vezes, continua
desempenhando o papel de dona de casa, mãe e o novo papel profissional.
Passada a euforia da nova conquista, percebe
que está sobrecarregada, ocorrendo então o cansaço, a irritabilidade, a
desmotivação, aumentando inclusive, a consciência das diferenças de salário
entre homens e mulheres, da desvalorização das mulheres também no campo
profissional (pois ocupam cargos iguais aos dos homens e recebem salários
inferiores). Essa tensão emocional interfere na libido das mulheres.
A sanitarista Eleanora Meneghetti Oliveira, através de entrevistas,
comprovou uma relação direta
com a tensão gerada pelo trabalho e a libido, em seguida fez uma série de
conjecturas para melhorar essa questão, através de um ambiente de trabalho
bom, onde haja um relacionamento que inclua uma integração entre os colegas
(existindo respeito, ajuda mútua, aprendizado, ensino, tendo-se um ambiente
mais eficiente e tranqüilo). Outras medidas anti-stress seriam fazer indes
emoções, que tem medo de perder a mulher ou que não consegue mulher
nenhuma. No grupo criamos um contexto que vai aprofundando e os homens
descobrem que não precisam mais ser “containers”(caixotes) e que podem
utilizar todo aquele colorido que tinham na vivência da adolescência (a
energia, as emoções fortes) para manterem-se vivos. Não precisam mais fazer
um pacto com a morte, por exemplo, se matando de trabalhar, mas passando a
fazer um pacto com a vida. C- Quais os
fatores mais estressantes e como eles interferem na libido das mulheres? L-
A mulher sentia-se desvalorizada ao desempenhar apenas o papel doméstico que
era pouco valorizado e não remunerado. Essa insatisfação fez com que ela
buscasse um trabalho fora que a preenchesse e que fosse remunerado. Mas junto
com isso passa a ter um acúmulo de funções, onde muitas vezes, continua
desempenhando o papel de dona de casa, mãe e o novo papel profissional.
Passada a euforia da nova conquista, percebe
que está sobrecarregada, ocorrendo então o cansaço, a irritabilidade, a
desmotivação, aumentando inclusive, a consciência das diferenças de salário
entre homens e mulheres, da desvalorização das mulheres também no campo
profissional (pois ocupam cargos iguais aos dos homens e recebem salários
inferiores). Essa tensão emocional interfere na libido das mulheres.
A sanitarista Eleanora Meneghetti Oliveira, através de entrevistas,
comprovou uma relação direta
com a tensão gerada pelo trabalho e a libido, em seguida fez uma série de
conjecturas para melhorar essa questão, através de um ambiente de trabalho
bom, onde haja um relacionamento que inclua uma integração entre os colegas
(existindo respeito, ajuda mútua, aprendizado, ensino, tendo-se um ambiente
mais eficiente e tranquilo). Outras medidas anti-stress seriam fazer
intervalos nos períodos de expediente , fazer exercícios físicos, lazer no
final de semana, alimentar-se com calma.
Nós
terapeutas, precisamos instalar na vida das pessoas essa questão
de se ter uma melhor qualidade de vida também e não ficarmos apenas
na qualidade intrapsíquica, mas na qualidade relacional e ambiental
que as pessoas precisam ter.
C- Há alguma
possibilidade de dizermos que o homem depende da mulher? Como e por que? L-
Um dos aspectos importantes na relação
do homem com a mulher é que o homem é mais dependente afetivamente da
mulher. O homem se desorganiza com muito mais facilidade quando não tem uma
mulher. Por outro lado a mulher tem facilidade para manter o convívio social
e se rearrumar depois de uma
separação, conseguindo desenvolver uma série de compromissos sem o homem,
ficando muito mais independente.
Do ponto
de vista mais profundo temos resultados que evidenciam claramente que o homem
sozinho , separado, viúvo, descasado, solteiro é um fator de risco de suicídio
muito maior que as mulheres na mesma situação. Outros estudos mostram que em
relação a doenças psicossomáticas ocorre o mesmo fato, ela se desenvolve
mais nos homens sozinhos e menos nas mulheres sozinhas. Elas adoecem menos.
Esses são
alguns aspectos que indicam o quanto os homens tem uma necessidade afetiva da
mulher que vai estruturar a vida dele, tanto do ponto de vista social, do convívio,
do desenvolvimento da sua vida , quanto dos aspectos mais
profundos e internos de sua personalidade.
Apresentei uma tese em
1998, na Faculdade de Medicina da USP que apresenta o termo masculismo
que é equivalente ao feminismo,
onde se fez um estudo sobre os conflitos emocionais do homem. C- A mulher que
foi durante muito tempo dependente do homem do ponto de vista emocional e econômico,
continua com esta mesma dependência ou ocorreram mudanças? L-
Com certeza a dependência econômica diminuiu muito. A mulher ainda não se vê
com tranqüilidade, dando um apoio econômico ao homem, tendo que compartilhar
igualmente das despesas econômicas ou tendo que sustentar a casa. Os homens
queixam-se do fato da mulher achar que é obrigação deles pagar viagens ,
restaurantes, cinemas. O homem vê atervalos nos períodos de expediente ,
fazer exercícios físicos, lazer no final de semana, alimentar-se com calma.
Nós
terapeutas, precisamos instalar na vida das pessoas essa questão
de se ter uma melhor qualidade de vida também e não ficarmos apenas
na qualidade intrapsíquica, mas na qualidade relacional e ambiental
que as pessoas precisam ter.
C- Há alguma
possibilidade de dizermos que o homem depende da mulher? Como e por que? L-
Um dos aspectos importantes na relação do
homem com a mulher é que o homem é mais dependente afetivamente da mulher. O
homem se desorganiza com muito mais facilidade quando não tem uma mulher. Por
outro lado a mulher tem facilidade para manter o convívio social e
se rearrumar depois de uma separação, conseguindo desenvolver uma série
de compromissos sem o homem, ficando muito mais independente.
Do ponto
de vista mais profundo temos resultados que evidenciam claramente que o homem
sozinho , separado, viúvo, descasado, solteiro é um fator de risco de suicídio
muito maior que as mulheres na mesma situação. Outros estudos mostram que em
relação a doenças psicossomáticas ocorre o mesmo fato, ela se desenvolve
mais nos homens sozinhos e menos nas mulheres sozinhas. Elas adoecem menos.
Esses são
alguns aspectos que indicam o quanto os homens tem uma necessidade afetiva da
mulher que vai estruturar a vida dele, tanto do ponto de vista social, do convívio,
do desenvolvimento da sua vida , quanto dos aspectos mais
profundos e internos de sua personalidade.
Apresentei uma tese em
1998, na Faculdade de Medicina da USP que apresenta o termo masculismo
que é equivalente ao feminismo,
onde se fez um estudo sobre os conflitos emocionais do homem. C- A mulher que
foi durante muito tempo dependente do homem do ponto de vista emocional e econômico,
continua com esta mesma dependência ou ocorreram mudanças? L-
Com certeza a dependência econômica diminuiu muito. A mulher ainda não se vê
com tranqüilidade, dando um apoio econômico ao homem, tendo que compartilhar
igualmente das despesas econômicas ou tendo que sustentar a casa. Os homens
queixam-se do fato da mulher achar que é obrigação deles pagar viagens ,
restaurantes, cinemas. O homem vê a mulher desempregada de forma diferente de como a mulher vê o homem desempregado. Esta sente-se
incomodada e com dificuldade para aceitar tal situação.
A mulher
tem desejo de ser suprida , ser suprida economicamente é uma das formas e as
vezes ela mistura o ser suprida afetivamente com o ser suprida economicamente.
As próprias mulheres confirmam que optam por homens menos interessantes, mas
que tenham uma condição econômica melhor. E os homens também acabam tendo
essa posição em relação às mulheres, de se sentirem usados e de que serão
valorizados se forem ricos.
De uma
outra maneira a mulher depende emocionalmente do homem, pois sente-se
incomodada se não estiver acompanhada ou com uma relação estável. As
mulheres se perdem , se irritam, apresentam distúrbios alimentares,
emocionais e sentem muita falta de um companheiro fixo. Mas se compararmos os
dois gêneros , a mulher consegue sair-se melhor que o homem. C- As mudanças
econômicas afetam os relacionamentos? Por que? L-
Por mais desenvolvida que esteja uma sociedade, há uma solicitação de
grandes mudanças de atitudes, mais evolução, mais igualdades. Mesmo assim,
quando isso passa a afetar economicamente as empresas, há uma inviabilidade
para ocorrerem essas mesmas mudanças. Atualmente
os homens tem ficado mais em casa para a criação dos filhos , mas quando
recebem uma oferta de trabalho , onde passarão a ganhar mais que a mulher,
logo deixam o cargo doméstico e voltam ao mercado de trabalho. Isso mostra
que toda essa transformação no homem, surge apenas em decorrência da situação
sócio- econômica desfavorável ao homem. A ascensão da mulher ao mercado de
trabalho mais qualificado,
remunerado, especializado , faz com que o homem sinta-se menos poderoso e as
mulheres passam a ocupar mais espaços. Devido ao salário mais baixo estas são
mais contratadas, afetando diretamente a relação entre homens e mulheres.
Cada vez mais, estas transformações invadem os espaços públicos e privados
da sociedade. C- Considerando
o respeito como base dos relacionamentos, você diria que os casais se
respeitam mais ou menos hoje em dia? L-
Antigamente respeito era baseado em medo e pautado em normas de educação.
Hoje em dia o respeito vem baseado num conhecimento maior do que é o ser
humano, do que é o outro, que não é igual a si mesmo. Conhecendo-se e
respeitando-se mais amplamente as necessidades do homem e da mulher, a tendência
é que cada vez mais as pessoas possam perceber as individualidades e características
próprias e as do outro. Só a
partir daí saberão o que desejam de um relacionamento e o que dispõem para
trocar. C- É muito difícil
ser um descasado(a), há alguma maneira de lidar melhor com esta perda? L- Tanto homens quanto mulheres, ao se depararem com essa situação
de descasados, acabam sendo assolados por sentimentos muito conflitivos. Ao
mesmo tempo um sensação de liberdade, desejo de conquistar o mundo e por
outro lado as dúvidas “Qual será meu caminho?”, “Meu futuro?”,”
Onde eu vou parar?”.
Nos dias
de hoje, uma pessoa descasada está muito mais apoiada socialmente, mas
internamente ambos, homens e mulheres , sofrem a perda de um ideal, de uma
meta primordial, que seria construir uma família, uma rede de sustentação
contínua, confiável, de alguma forma estruturante, como uma delimitação de
um caminho de vida. Essa perda causa uma sensação muito forte de desespero.
As pessoas levam algum tempo para se recuperarem de um “descasamento”.
Quanto mais longo um casamento, mais difícil a recuperação. O que dará uma
melhor estruturação ao descasado será a estrutura da família de origem, ou
da família que ele formou, por isso as mulheres que ficam com os filhos
conseguem uma estruturação melhor. O ambiente profissional , o convívio
social, a crença religiosa ou o envolvimento com atividades filantrópicas ,
também promovem uma estruturação para a pessoa descasada.
Hoje em
dia, realizamos grupos de mulheres no serviço de psicoterapia do Instituto de
Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. As psicólogas
Marisa Micheloti e Aparecida de Cicco desenvolvem estudos a este respeito. C- Pelo que você
descobriu em seus estudos, a polêmica sobre a falência do casamento é um
fato que está se consumando? L-
O casamento é a semente da família
, então não podemos acreditar que o casamento está falido, pois estaremos acreditando que a família estará sendo dispensável, quando
na verdade ela exerce uma importância fundamental na vida do indivíduo. Os
casamentos que estão falindo são aqueles voltados para um vínculo mais
tradicional, onde as pessoas se apoderam
e sentem-se donas umas das outras. São casamentos que funcionam com
uma cobrança absurda de dedicação, onde cada um se sente mais importante
que a individualidade do outro.
O que se fala muito é que a individualidade não é respeitada, mas a
própria pessoa não conhece sua individualidade e como o outro vai conseguir
respeitá-la.
O que resolve o casamento é o conhecimento
do mundo de si mesmo, o conhecimento profundo das próprias limitações
e não do outro. Estar com o outro deve ser alguma coisa
que fica além do contrato comercial ou social, mas que possa criar um
campo energético, com um aspecto co- inconsciente, com respeito profundo pela
sensibilidade do outro. Não tanto pelo que o outro fala, mas pelo que ele é,
não pelo que o outro expressa, mas pelo que ele sente. Dessa forma existe uma
possibilidade muito grande de um
bom relacionamento. C- O que é o
Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher, o IDEN? L-
O IDEN nasceu da realização de vários
trabalhos e veio a partir dos dois livros de minha autoria: “O masculino
como o homem se vê - Feminino
como o homem vê a mulher”,
“Homem um pedaço adolescente - adolescente pedaços de homem”.
Foram vários
grupos : na Europa, Canadá, USA, na América do Sul, Brasil, no consultório,
no Hospital das Clínicas, nas empresas, enfim vários trabalhos relacionados
a gêneros ( a questão do
ser homem e do ser mulher hoje). Toda essa quantidade de material que
venho estudando , observando, desenvolvendo abordagens terapêuticas, culminou
com a tese do masculismo a qual tece considerações sobre os conflitos
emocionais em grupos masculinos .
A proposta do IDEN é desenvolver a identidade do homem e da mulher
individualizadamente, separadamente, com dinâmicas próprias, com o intuito
de não criar essa massificação de expressão, todos os seres tem direitos
iguais. Na verdade, não é um centro de estudo
de direitos sociais ou jurídicos, mas a idéia é de lidar com
direitos emocionais. A nossa busca é de entender profundamente o
funcionamento, o dinamismo, masculino e feminino e quando ocorrem as intersecções,
verificar o que acontece e o quanto cada gênero está preparado para
encontrar o outro. Então, o IDEN busca poder atuar nas universidades, nos
consultórios, nas empresas, na sociedade como um todo. Hoje nas empresas, o
IDEN vai desenvolver projetos de qualidade de vida profissional. C- Por que na
relação homem-mulher é tão difícil a conquista da intimidade? L-
A intimidade está diretamente relacionada com o respeito. Muitas vezes as
pessoas chegam a uma nova relação com feridas tão profundas, com mágoas de
terem sido desrespeitadas, humilhadas desde a infância (contatos de abusos
pelos pais), situações de dinâmica familiar conturbada e desrespeitosa.
Encontram-se então, um adulto machucado e com muitas cicatrizes, as quais
interferem profundamente no seu relacionamento atual.
Outro
fator é a liberalização da sexualidade o que acaba se chocando com a
intimidade e privacidade. Atualmente, se enaltece o número de relações
sexuais, o marketing de um
encontro amoroso cada vez mais fantasioso, paradisíaco, mais fantástico, se
estimula a vivência “hollywodiana”, fazendo com que as pessoas se afastem
de suas possibilidades reais de uma maneira mais simples, mais verdadeiro e
profundo. Integrando a privacidade, a intimidade, a sinceridade e o respeito, chegamos a uma situação de vinculação entre duas almas que se entregam profundamente.
|
© Revista Psicologia - Catharsis: revistapsico@uol.com.br