| Ponto de Vista PSICOLOGIA NO INSTITUTO DO CORAÇÃO DE SÃO PAULO
1) Como é feito o trabalho no Instituto do
Coração? 2) Como é feito o apoio com a família? Essa família precisa ser orientada. Ela está nos deixando um paciente, vai receber outra pessoa ao retornar para casa e vai se assustar, porque a pessoa não é mais a mesma, ele vai ficar mais fechado ou mais agressivo e vai precisar ser orientada de como atender esse paciente, de como perceber os sinais de depressão e como ela pode interferir. Existem muitas perguntas como por exemplo: "Eu faço o que? Eu sou contra ou fico estimulando?" E também perguntas que nós poderíamos considerar como banais, por exemplo, temos uma família com uma criança com uma Cardiopatia Congênita, que quando chora fica roxa. A mãe vai ter uma tendência de superprotegê-la em qualquer aspecto, vai deixar entrar na escola mais tarde, não vai deixar sair com amigos por que de repente pode ficar roxa e ela está longe. A mãe pergunta muitas vezes: "Se eu colocar o outro irmão de castigo posso colocá-lo também? O que digo para a professora quando ele ficar roxo?" Existem patologias cardíacas congênitas que depois da primeira ou segunda cirurgia são corrigidas totalmente. Isso significa que a criança deixa de ser cardiopata e para a família é muito complicado você entregar um cardiopata e retirar um não-cardiopata. Ela precisa ser orientada. O mesmo ocorre com os adolescentes. Existe uma série de trabalhos que nós fazemos com a família que são muito importante para o doente, por que é do convívio deles que vai nascer o sucesso da reabilitação e do tratamento. Imagina o que é ser um paciente hipertenso e cozinhar para você uma comida que não tenha sal e gordura enquanto a família inteira está comendo feijoada, ou você ter um parceiro por exemplo, que fuma e você ter como indicação parar de fumar. Temos dois clientes o paciente e a família. Nossa tendência é trabalhar em grupo, agora existem casos, e isso fica a critério da psicóloga, em que a família é atendida junto com o doente. 3) Como é a aceitação da psicologia por parte dos pacientes e da equipe? A aceitação da psicologia é muito boa tanto por parte da equipe como por parte dos pacientes. Primeiro eles ficam um pouco perplexos do tipo: "Psicólogo, mas eu estou louco?" Nós somos perfeitamente identificados, temos escrito no nosso avental psicóloga, usamos crachás, ou seja, a própria equipe conhece o tipo de trabalho que fazemos e reforça para que os pacientes e a família participem. Eles recebem um folheto para a internação com os horários etc. e está escrito que existe um Serviço de Psicologia que você pode solicitar. A psicologia está no INCOR não é para casos especiais por que estão loucos. Esse é o primeiro passo para o paciente aceitar, ver que ele não é diferente, que todas as pessoas têm acesso e se beneficiam. Os pacientes conversam muito entre si, comentam como foi no grupo, etc. e isso desmistifica totalmente o nosso trabalho. Nós estamos trabalhando junto com a equipe a vinte anos, crescemos juntos e a equipe aprendeu a respeitar o nosso espaço e nós aprendemos a conversar com a equipe. Eu diria, se fôssemos colocar em número, que 90% das pessoas nos aceitam irrestritamente, quer dos pacientes quer da equipe, 5% ainda não sabem bem o que podemos fazer juntos e os outros 5% seriam outras causas."Por que a pessoa não aceita? Não sei, qualquer outra coisa. Por que não gosta pessoalmente, por que teve uma experiência outra e não gostou etc. "Mas a maioria tanto da equipe como dos pacientes aceitam tranqüilamente, talvez com algumas reservas, como o primeiro contato. Se você está no ambulatório o paciente chega para você e diz: "Eu vim por que o médico mandou. Não sei qual é a minha queixa." No decorrer do processo ele identifica a causa. Ele têm que se apropriar dessa queixa, mas na maioria das vezes nós não temos resistência, é visto como sendo extremamente colaborador. mesmo por que o paciente têm um percurso por todos os outros profissionais com os quais para ele também são inusitados. Conversam e aprendem que o nutricionista é diferente de uma cozinheira, conversam com a fisioterapeuta e aprendem que o respirar é importante, a postura, o pulmão precisa ficar limpo; são coisas que eles não sabem. É uma surpresa às vezes para eles. O psicólogo estaria nas surpresas se fosse o caso, mas de todas as surpresas ele é o menos surpreendente por que mesmo que você tenha uma figura do psicólogo de que ele só atende louco. Nós somos mais próximos da nossa realidade e da nossa tarefa. O outro motivo para termos conquistado esse espaço junto a equipe é o nosso envolvimento com a pesquisa. De todos os não-médicos do Instituto do Coração o serviço de Psicologia é o que mais produz em termos de publicações, apresentações em congressos e em termos de trabalhos conjuntos e multicêntricos, de forma que vamos conquistando esse espaço com muita seriedade e propriedade junto a equipe médica e não-médica. Outra questão é o nosso envolvimento muito intenso com o ensino não só para os outros psicólogos, as jornadas científicas do Incor desde o tempo que elas começaram a cinco anos, até o ano passado foi uma jornada absolutamente médica. No ano passado nós fizemos a primeira jornada não-médica dentro da jornada científica que foi a de psicologia. Esse ano está aberta para todos os não-médicos. Estamos em linha de ponta mesmo, no ensino, na pesquisa o aprimoramento das pessoas que a nível de residência começou em 1983 no Serviço de Psicologia no Instituto do Coração junto a enfermagem inédita para todo Complexo H.C. Nós fizemos um projeto simultâneo de ter residentes em psicologia e enfermagem no Instituto. Em 1984 foi estendido não só para todos os não-médicos, mas também para todo o Hospital das Clínicas. Isso vai criando junto à comunidade e aos colegas de trabalho um respeito. Em 1980 nós já estávamos com o Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. Tínhamos atividades científicas paralelas dentro do Evento em um Congresso e com todo o suporte e infra-estrutura. Nós saímos dos muros do Instituto do Coração e ganhamos um espaço junto a cardiologia do Estado de São Paulo. O departamento de psicologia da SOCESP existe, têm muitas publicações, têm espaço na revista específica para psicologia, isso eu acho que é reconhecimento. Em 1994 foi fundado junto a Sociedade Brasileira de Cardiologia o comitê de psicologia que é o único comitê de não-médicos. Mas nós estávamos também desde 1989 juntamente com a SBC nos Congressos. Em abril de 1998 vai haver um Congresso Mundial de Cardiologia no Rio de Janeiro e vamos fazer uma programação da psicologia. Isso eu acho que poderíamos chamar de reconhecimento. Dra.Bellkiss Wilma Romano
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