Hoje
A QUESTÃO DO
ÁLCOOL: Discutir e previnir
Fernando Falabella Tavares
Nos últimos meses, muito se tem falado a respeito do uso abusivo de Drogas no País e,
dentre elas, o Álcool. A questão ganhou um enfoque particular nas discussões em torno
do novo código de trânsito, que considera gravíssimo, até o uso de pequenas doses de
Álcool, pelo motorista. Depressor do Sistema Nervoso Central, o Álcool é Droga perigosa
e traiçoeira, que atinge igualmente todas as parcelas da população, causando
dependência e problemas físicos. São gravíssimas as conseqüências do uso crônico do
Álcool. Vão das elevações de pressão arterial, às úlceras, problemas cardíacos, à
cirrose hepática, às hepatites, tumores de laringe e esôfago... O código está certo.
A lei sempre esteve aí, mas nunca foi cumprida. De fato, uma pequena quantidade de bebida
alcoólica pode causar problemas de coordenação motora e alterar os reflexos da pessoa
que vai dirigir um automóvel. Vale a pena lembrar que o Brasil ocupa os primeiros postos,
nas estatísticas mundiais de acidentes de trânsito com vítimas; estaria no Álcool, a
explicação para a maioria deles. Chamamos há pouco, essa Droga de perigosa e
traiçoeira. Entretanto, a maioria das pessoas reluta ou desconhece que se trata de uma
Droga e o que é pior, as pesquisas no assunto, indicam que o Álcool é a substância
mais usada pelos jovens. O próprio fato de ser, paradoxalmente, Droga legalizada que pode
ser livremente vendida em qualquer local: bares, padarias, supermercados, é que a torna
ainda mais preocupante. Há leis que proíbem, a menores de idade, a compra de bebidas
alcoólicas mas, neste País, sobram boas leis, falta colocá-las, corajosa e civicamente,
em prática! Os próprios pais, muitas vezes, estimulam o consumo do Álcool pelos
adolescentes e crianças, ora, pelo próprio exemplo - pais que bebem com freqüência,
ora pelas "brincadeiras": deixam a criança tomar a "espuminha do
chope", misturam vinho aos refrigerantes para elas... Além disso, o Álcool é visto
como um símbolo de poder e virilidade, sendo estimulado o seu uso pelos "homenzinhos
conquistadores". Isto fica claro nas propagandas, que não só enaltecem o uso, como
o estimulam, ao passarem a idéia de heróis belos e bem aceitos, para aqueles que bebem.
Aqui vale ressaltar que há leis que, se restringem tais propagandas, toleram as bebidas
ditas mais fracas, como a cerveja. Há também, o grande "serviço" que nos
prestam as telenovelas e os filmes, onde, frente ao menor problema ou frustração, ou
para comemorar qualquer evento, lá estão as doses de uísque, vodca ou vinho. Sabemos
que o Álcool pode representar a fuga de problemas. Diante de uma dificuldade maior, a
pessoa se refugia na bebida e o Álcool, aos poucos, a assume e consome. Ora, problemas
todos temos. Quem já não se sentiu quase incapaz diante de "uma pedra no meio do
caminho"? Seria, entretanto, isso, motivo para beber e aumentar os problemas??? Será
que, quando nos sentimos impotentes diante de problemas, sobre ele refletirmos, ou
pedirmos ajuda a pessoas capacitadas, não conseguiremos encaminhá-los? "Viver é
lutar"! O importante é sermos heróis do dia a dia, heróis de verdade, olhando de
frente para nossas dificuldades, não o falso herói que se refugia na bebida e se
compromete aos poucos. O que fazer??? Essa é a grande questão que nos inquieta. Ficar
esperando por ações do Governo, parece muito perigoso e ineficaz. Há interesses das
grandes empresas de bebidas alcoólicas por trás de tudo. Há poucos leitos em hospitais
para cuidar de alcoolistas e dependentes químicos. A solução parece clara; provêm do
velho ditado: "É melhor prevenir que remediar". A política de prevenção é
uma grande alternativa para conscientizar aqueles que já estão fazendo uso de Drogas e
prevenir, de fato, outros, para que não iniciem o uso indevido. Todos devem participar!
As escolas, empresas possuem papéis fundamentais neste processo. Devem ser implantados
programas de prevenção nas firmas, atingindo todos os funcionários e diretoria. Nas
Escolas, a partir do ano de 1998, é obrigatória a discussão sobre sexualidade e Drogas.
Estes temas fazem parte do currículum transversal. Será que teremos mais uma lei e não
a sua prática, no Brasil?
Pautando a partir deste artigo:
1) Que motivos levam uma pessoa a beber?
2) Como identificar um usuário comum de um usuário problemático?
3) Como a permissividade da sociedade em relação ao álcool pode levar alguém ao
alcoolismo? Maior repressão da sociedade reduz o número de alcoólicos? Por que (por
quais motivos psicológicos) é tão difícil recusar uma cerveja ou algumas doses de
álcool quando se está entre amigos, mesmo sabendo que vai enfrentar estrada? Por que as
pessoas sempre acreditam que não acontecerá nada de mal à elas, que são resistentes e
que a quantidade de álcool que beberam não será capaz de tirar o próprio controle?
4) Como tratar alguém que tem problemas com álcool?
5) Há problemas psicológicos que estão associados ao álcool? Ou seja, da
população se sabe que 10% das pessoas têm predisposição para tornar-se um alcoólico,
e a OMS considera o uso abusivo e continuado do álcool, por si só, um distúrbio que
exige tratamento. No entanto, é muito difícil determinar e isolar esta disfunção de
outras, como a psicose, por exemplo. Alguém que não consegue diminuir o uso do álcool e
já coleciona prejuízos em função dele, deve pensar em tratamento psicológico em
primeiro lugar? É possível tratar o alcoolismo sem tratar os outros distúrbios, ou vice
- versa?
Fernando Falabella Tavares de Lima - Psicólogo - CRP: 06/ 46.241-4 E-mail: fftlima@dialdata.com.br Home Page: http://www.terravista.ciclone.com.br/claridade/1272
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