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Luiza Ricotta |
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Naturalmente um corrupto não consegue a proeza de beneficiar a si, pois depende de tantos outros para facilitarem o caminho. Funcionam como que numa equipe, onde aquele que passa a descobrir como a coisa funciona é convidado a fazer parte, certamente através da proposta de um ganho inesperado e bastante vantajoso. Dentro da corrupção existe também uma hierarquia, uma pirâmide que vai unindo um ao outro, ferindo toda e qualquer ética. O aspecto democrático na “bandidagem” fez com que ficássemos atônitos diante de tamanha situação de usurpação dos bens públicos. Aquilo que deveria ser utilizado de forma construtiva, em prol, volto a dizer - coletividade - ficou para trás com um déficit enorme que dificilmente conseguiremos repor e reverter a tempo, os danos não só nos cofres públicos como os danos morais, psicológicos em cada cidadão que se preze e assiste passivamente ao futuro de seus dias e de seus filhos num mundo que Deus nos perdoe, não dá para nomear. Com certeza minha indignação, me faz escrever sobre isto pois é a maneira pela qual encontro condições de manter minha sanidade frente ao que temos sido expostos: à mentira. Tal situação é tão nociva para nossa sociedade, que assistimos em nossa tela o fenômeno da dissociação da personalidade de indivíduos que com cara de vítimas acusam os demais que lhe colocarem em condição de réu. Com um detalhe: anunciam! “Não tenho nada com isso” “Não é bem assim” “ Isso é uma falácia” “ Querem o meu lugar e é por isso fazem essa injúria” e blá blá blá. Tal modelo em nossa televisão é passado sem censura apresentando e convidando aos que têm vocação para ser um igual a como fazer para driblar os outros, passar a perna, roubar e ficar por isso mesmo! E ainda dizem: Imagina! Eu?? Têm-se que repudiar tantos programas de televisão que deturpam uma série de valores e princípios humanos, estes então são maléficos, pois ensinam a bandidagem, a formação de quadrilha, ao ser descarado e sair bem situação com a cara de pau que lhe compete. Ora, nós telespectadores desse teatro de representações, já estamos fartos! Fiquem vocês com as conseqüências emocionais desses fatos pois assim poderemos estabelecer um parâmetro um pouco mais saudável sem que precisemos nos prestar ao serviço de sermos os que elaboram, sentem, sofrem para depois cobrarmos um posicionamento. Esse sentimento pode ser genuinamente atribuído a cada qual que têm contas a prestar. Deixemos pois que eles se dêem conta de enxergar sua total falta de sorte e então julgarem seus próprios atos. O maior peso da culpa será aquele advindo genuinamente de sua reflexão. Deixemos pois que eles reflitam! Para muitos poderá ser ingenuidade de minha parte esperar tal arrependimento e se haver com as conseqüências, aceitando inclusive o fato de que merece uma punição. Mas meu intuito aqui é apenas mostrar que devemos deixar de sentir por eles o que eles próprios não sentem. Toquemos nossa vida! Cuidemos para que nós e aos que dependem de nossa postura seja como líder, pai, mãe, professor, diretor, senador, deputado, advogado, juiz, vereador e todas as categorias tenhamos o princípio maior de que não devemos lesar a ninguém. Certamente a imprensa não está inventando tais fatos, E é através do duro golpe da realidade que nós leitores, telespectadores, temos que lidar com isso, independente do tipo de impacto que isso nos cause. Tarefa essa difícil! Chegamos num ponto tal que o cinismo daqueles acusados e denunciados com um aparato de provas, que, quando procuram a televisão ou algum jornal para falarem, anunciam que são inocentes e chegam inclusive a mostrar os seus olhos: - de vergonha disfarçada de injustiçados. Talvez se comportam assim pensando no que será que seus filhos vão pensar? As notícias causam o maior impacto e audiência, tirando-nos da nossa dimensão de realidade, revelando-nos ligações telefônicas, reuniões gravadas e depois mostradas pela TV denunciando a divisão do dinheiro público entre uns poucos que cabem em uma sala, assassinatos misteriosos provenientes já de uma história mal contada, o descaso feito com parte da população, a imagem suja de instituições e do patrimônio público. E como se não bastassem as figuras de autoridade caindo por terra, líderes que anteriormente depositamos confiança assistimos no presente momento, sua derrota moral. E pensamos: “até tu?” Aliás, chama-nos a atenção o grau de frustração que tais notícias e denúncias causam, que é o objeto da minha reflexão. Às vezes chego a questionar a utilidade destas notícias em nosso dia como espectadores passivos que somos, em receber tal impacto doentio, destrutivo, revoltante, repulsivo e deprimente. Dá vontade de não saber! A informação utilizada, por exemplo, para apontar o mau uso do poder, o desvio de verbas para causas unicamente de vaidade pessoal e não do seu interesse legítimo, é sem dúvida necessário, pois, quando tornamos um fato público, naturalmente surge uma mobilização a fim de se apurar e exigir uma O que ainda me assusta é a quantidade e informação jogada em nosso universo pessoal, apontando os absurdos que ocorrem em nossa sociedade sem que tenhamos condições de resolver. Ora aquilo que é alçada e competência de cada um pode fazer sentido, pois têm os mecanismos legítimos para punir e resgatar o processo natural. Desta forma o que assistimos é a desmoralização de um órgão, de uma entidade, empresa e outras mais, de qualquer modo somos usados para vivermos a indignação quando quem tem a competência para julgar e proferir algum juízo é o órgão competente. O que querem que nós façamos? Somos massa de manobra de um grupo de interesses aniquilando outro para que tudo se construa novamente: um novo sistema corrupto, porém mais sofisticado em termos de cuidados para não serem desvendados? O que querem de nós cidadãos que não temos onde extravasar? De certo modo se nos angustiamos pelos corruptos que é o sentimento legítimo diante deste cenário. Fazemos do ponto de vista psicológico, que os próprios, os tais envolvidos, não entrem em contacto com o que fizeram. Por isso assistimos a farsa dos desmentidos, dos discursos inflamados alegando que sua honra foi maculada, e com tantas provas. Vejam bem: quando o indivíduo não deposita a responsabilidade à si mesmo, dos sentimentos e emoções inerentes ao que precisa ser vivido, acaba que transferindo a outro, os tais sentimentos em função de seu próprio distanciamento da situação em que se está submetido. Estabelece-se desta forma uma distorção, “uma emoção mal colocada” de algo que não lhe diz respeito e que, no entanto passa a lhe perturbar, promovendo o que deveria ser de outro: - o desencantamento, a revolta, a raiva, a decepção, a constatação da impunidade, a falta de ausência de um modelo ético que respeita o ser humano, sua vida, seu trabalho e todas as suas implicações na vida. Por exemplo, numa família, as situações vividas só podem mesmo interessar à ela, e às pessoas que lhe compõem pois do contrário favorece a fofoca, o comentário inoportuno e o estigma, a entrada de pessoas em questões íntimas, a opinião e palpite de outros não envolvidos com a questão. Não é a toa que conhecemos o ditado: “roupa suja se lava em casa”. E aí podemos perguntar o que estes pretensiosos e gananciosos querem nos fazer sentir, livrando-se das próprias emoções as quais deveriam eles mesmos sentir: a vergonha? A constatação de que deixaram para trás a ética e o propósito firme de que representam o interesse coletivo e não o pessoal. Colocam sua vaidade e seus interesses de enriquecimento acima de todo e qualquer propósito social. Devemos
nos livrar de toda e qualquer espécie de sentimentos que não é nosso e
como que num espelho, devolver a imagem e o impacto desta neles mesmos **Quem quiser compartilhar desse sentimento genuíno, por favor, sinta-se à vontade de escrever. Quem sabe não criaremos uma massa crítica suficiente para mobilizar uma nova onda: AINDA BEM QUE ESTES CORRUPTOS EXISTEM PORQUE ESTE É O MODELO DO QUE NÃO QUEREMOS SER. E-mail: luiza@luminamundi.art.br ou luizars@uol.com.br |
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