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PENSANDO A GLOBALIZAÇÃO, A VIOLÊNCIA E O SER HUMANO |
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Marina S. Rodrigues Almeida |
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Na
realidade, encontramos entre os três elementos alguma forma de
interligação, porém é um engano pensar numa forte causalidade
entre elas, onde a violência seria conseqüência final. Somos
acostumamos a ir por
raciocínios de modelos de explicações causais, e o que
é pior geralmente são generalizadas para outras situações,
realidades, pessoas, etc... Um exemplo disso: Um maior consumo de
álcool na Alemanha não é a causa de maior acidentes de trânsito
no Brasil. Contudo, ambos aumentam com o tempo e com o tempo
aumentam a renda mundial que permite consumir mais álcool e
comparar mais carros. A
GLOBALIZAÇÃO E SEUS EFEITOS EM NÓS Para
minimizar precisamos de uma estruturação social, política, econômica
e financeira, o que encontramos como
variável interveniente é a velocidade da globalização
frente ao desenvolvimento dos setores citados em cada estrutura
social. A
globalização não é uma opção de sociedade, é inevitável,
é imposta pela própria evolução de mundo, precisamos ter
uma visão um pouco mais ampliada
para poder entendê-la. Poucos
conseguem perceber as influências da globalização em todos os níveis
de nossas vidas: pessoal, familiar, na cidade/estado ou país.
Neste novo contexto sócio-econômico-cultural, a informação
passa a ter um papel central, constituindo-se atualmente no maior
poder de inter-relação existente, tendo inclusive, suplantado o
poder econômico e tecnológico. O
poder da informação se faz através de livros, revistas, jornais
especializados, TV a cabo em escala mundial e internet - a qual se
quadruplicou em um ano e continua crescendo. A informação
duplicando-se, em progressão geométrica, a cada 3 a 5 anos, logo
se constituirá em um universo esmagador. A
capacidade de saber onde, como, com quem e a forma mais rápida de
adquirir informações, analisá-las e aplicá-las adequadamente
será o grande diferencial competitivo. A
globalização não vem trazer soluções para os problemas do
mundo, contudo podemos ter a esperança de que alguns problemas
sejam resolvidos que é muito diferente de esperar por algo mágico,
onipotente e onisciente. A
globalização não se propõe a nada, é apenas uma
“fatalidade” que deve ser pensada e compreendida para não
sermos pegos de surpresa pelas forças de desestruturação. A própria
desestruturação pode ser um fator de progresso, para repensarmos
a realidade, mas também de violência e sofrimento humano. Precisamos
estar atentos para não achar que a melhor maneira de enfrentar a
globalização seja a unificação, a perda de culturas regionais
próprias de cada lugar, como a dissolução das características
individuais e particulares, ficaríamos sem nossa história,
cultura e identidade! Isto é muito sério. Desta forma a
humanidade, em sua história já passou por diversas revoluções
e sempre se beneficiou dos seus progressos,
o que sabemos é que alguns grupos humanos se beneficiaram
mais do que outros. A
VIOLÊNCIA, ESPETÁCULO MIDIÁTICO, COM PÚBLICO E TORCIDA
ORGANIZADA... Outro
aspecto que precisamos pensar é sobre a violência, que
virou espetáculo midiático, com público assíduo e
torcida organizada! A
violência é inerente ao ser humano, entre outras coisas é uma
forma que o homem utiliza por força exercer controle e procurar
introduzir mudanças. A
palavra violência vem do latim vis que significa “força”,
também dá origem aos vocábulos “vigor”, “vida” de vis,
“vita”, e “vitalidade”. Segundo o psicanalista David
Zimerman (2001), explica que a transição de um estado mental de vigor
para o de uma violência é a mesma que se processa entre o
de uma agressividade sadia para
o de uma agressividade
destrutiva. A
violência faz parte
de nosso cotidiano, e estamos hoje
em mais segurança do
que em tempos longínquos, embora não pareça. Ela
é o preço que estamos pagando para usufruir alguns benefícios,
mas consideramos também que são profundas e abrangentes as
causas etiopatogênicas responsáveis pela eclosão da violência
da forma atual. A
primeira questão nos remete a responsabilidade, um desafio a cada
um de nós, a família, a sociedade e aos órgãos governamentais.
Nestes últimos a responsabilidade da segurança pública, justiça
social, emprego, saúde física e mental, educação, distribuição
de renda , etc.. Podemos
nos reportar a vários tipos de violência: violência de natureza
sócio-política-econômica, violência moral, violência
sexual, violência no ensino, violência
na família, além dessas sofremos pressões externas como
é o caso da cultura onde o grupo de adolescentes está inserido e
é o mais afetado, estando sujeito a modelos estéticos, a mídia,
apologia a falsa liberdade, religiões, etc... E
O SER HUMANO NISTO TUDO? Então
quais os fatores que determinariam que um ser
humano possa ser mais destrutivo ou criativo? Uma
tentativa de entendermos este mecanismo psíquico, será o de
considerar que todo ser humano está vulnerável a forças
externas e internas (chamamos em psicanálise de predisposições
constitucionais e bio-psico-sociais),
consideramos também o
estado de angústia do bebê, o desamparo vivido nos primeiros
meses de vida, falhas de maternagem, abandonos prematuros dos pais
ou de um deles , excesso de estímulos de toda ordem que a psique
da criança não tem condições de processar, etc... Dependendo
de como foram experimentados na psique, determinarão por toda
vida deste ser humano
os seus impulsos
e como serão canalizados, se mais agressivos, destrutivos
ou construtivos. Enfim,
para falar de violência
estamos falando também de desamparo, do ser humano, das crianças,
dos jovens, dos pais e da sociedade como um todo, portanto é
necessário falar de prevenção, e isto deverá ser começado
em casa, na família, com os pais. Os
pais contemporâneos não são mais os modelos de outrora,
encontramos hoje várias formações de casais que fazem parte do
novo cenário familiar Pós-Moderno: casais de homossexuais, mães
solteiras, pais solteiros, aumento crescente de casais
divorciados, fertilização assistida, barriga de aluguel, banco
de sêmen e óvulos, adoções internacionais, etc. A
família atual neste conceito ampliado, continua sendo o primeiro
grupo de vital importância que
o ser humano se relaciona tendo sua função biológica e social. Segundo
a psicanalista Ruth Blay Levisky (2001), lembra que a família
atual está modificada, os pais bastante confusos e nos
perguntamos se a família está em crise. Em
psicanálise estar em crise nos leva a ressignificar conteúdos
novos, é um processo de dor e sofrimento, desequilíbrio, leva
tempo, até que a mente amadureça e suporte um novo olhar, um
novo sentido. O
trabalho com grupos de pais ou grupos de família, tem ajudado
muito a dar suporte a estas angústias, ao desamparo, buscam
encontrar saídas mais apropriadas para seus problemas, a
identificar-se com outras pessoas que passam por situações
semelhantes mas mantém a esperança viva. Violência
não se restringe apenas aos assaltos, drogas, transgressões físicas, morais,
sociais, etc... mas é uma conseqüência de uma falta, de um
vazio, que a família e a sociedade estão colaborando não só
para seu crescimento, bem como para sua cristalização. MUDANÇA
DE OLHAR E PENSAR PODEM
SER A SAÍDA... Se
não encararmos com
seriedade e responsabilidade estes fatos, em busca de pensarmos a
amplitude desta situação que nos apresenta, só arrumaremos
culpados, ficaremos paralisados, empobrecidos, romperemos os vínculos
afetivos, buscaremos isolamentos individuais com uma aparência de
independência e bem estar. Acredito
que para buscarmos nosso bem estar precisamos aprender a pensar
nossos pensamentos, nossas atitudes violentas, agressivas,
amorosas, etc... só depois conseguiremos
entender nosso
semelhante ao invés de julgá-lo ou buscar explicações causais. Para
sermos um ser humano digno, precisamos de saúde mental, respeito,
afeto e paz. Se
começarmos a refletir deste agora, algo mudará em nós! |
| Marina
S. Rodrigues Almeida: Psicóloga,
Pedagoga e Psicopedagoga marina@iron.com.br Bibliografia: COSTA, Jurandir Freire. Psicanálise, ciência e cultura. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1994. ____________ Narcisismo em Tempos Sombrios . in BIRMAN, Joel (org.) “Percursos na história da psicanálise”. Rio de Janeiro: Taurus Ed., 1988. LEVISKY, David Léo (org.) . Adolescência e Violência: ações comunitárias na prevenção. São Paulo: Ed. Casa do psicólogo, 2001. WINNICOTT, Donald W. Natureza Humana. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1990 ____________Textos Selecionados da Pediatria à Psicanálise. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1994. ____________ Tudo Começa em casa. São Paulo: Ed. Martins fontes, 1995. BIRMAN, J .Mal Estar da Atualidade. Rio de Janeiro: Ed.Civilização Brasileira, 1998. DUPAS, G. Economia Global e Exclusão social. |
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