Curiosidades

LIBERDADE PARA AS ESTRELAS
Zelinda Hypolito

zelinda.gif (3584 bytes)Acredito que tenhamos vindo à este mundo para aprender e compreender a liberdade. Como aqui existe a polaridade para que possamos compreender e viver a liberdade, nós devemos antes conhecer a "não liberdade", ou melhor, a limitação.

O início da "não liberdade" começa quando nascemos. Quando adentramos em nosso corpo, passamos a conhecer o limite físico. Entramos neste planeta com uma constituição predeterminada, com várias várias tendências físicas pré-estabelecidas, a famosa e conhecida "matriz de crescimento". Nascemos com uma determinada cor de olhos, com a possibilidade de certa altura; já temos uma tendência para ser mais ou menos gordo, para ter a visão mais ou menos perfeita, algum ou nenhum defeito físico, uma capacidade intelectual maior ou menor, etc...

Nascemos dentro de uma determinada família, com nível "sócio-econômico-cultural" já estabelecido, o que nos coloca dentro de uma "possível casta" com estruturas bem definidas. Este fato pré-dispõe (não é erro gráfico, é a idéia...) nossas facilidades ou dificuldades em vários níveis. É conhecido o papel importante de uma alimentação adequada como fator predominante no desenvolvimento físico e intelectual de uma criança em período de formação. Isto vai, de certa maneira, determinar o seu nível de aprendizado, compreensão e dinamismo no período escolar. Falando em termos escolares, também o fator "sócio-econômico-cultural" da família vai facilitar ou não seu acesso aos estudos. Uma família abastada pode prover seus filhos de boas escolas, faculdades, cursos (até no exterior) que vão lhes dar uma maior possibilidade de sairem-se vitorioso na grande luta competitiva que existe em termos de trabalho. Também a facilidade financeira permite a aquisição de materiais específicos como livros, material de pesquisa, etc. Isto sem falar das muitas oportunidades de vivência e experiências através de viagens e conhecimento de pessoas que podem ser importantes agentes facilitadores para futuros trabalhos e empreendimentos. Nas limitações de ordem física, é óbvio que a vida moderna e a ciência podem "criar" verdadeiros milagres nesta área. Se a cor dos nossos olhos não nos agrada, por exemplo, podemos mudá-la graças a uma linda lente de contato; se estamos acima do peso desejado podemos fazer um excelente regime com uma nutricionista; um cirurgião plástico pode fazer incríveis transformações em nosso rosto ou corpo. Porém, todas estas mudanças e renovações, também são determinadas pela sua situação financeira que vai refletir a sorte que lhe coube no nascimento (família abastada) ou na sua capacidade de trabalho e remuneração.

Ainda nos deparamos com o "doído" (ou doido?) limite emocional. Dependendo da família em que formos inseridos, participaremos de uma dinâmica e receberemos uma estrutura emocional que irá predispor nossa maneira de encarar o mundo e a possibilidade de um equilíbrio emocional mais ou menos estável. Isto determinará omo nos comportaremos diante das situações que a vida nos apresenta em termos de relacionamento social, profissional ou afetivo. Toda família tem certas características particulares que vão promover, incentivar, auxiliar, facilitar, dificultar ou punir certos tipos de comportamento individual que "combinam ou não" com a sua dinâmica. Em oportunidades futuras, passaremos por situações similares quando estivermos em outros "tipos de guetos" como a nossa escola, o clube que freqüentamos, igreja que seguimos, o partido político que nos filiamos, etc.: o eterno drama da co-dependência. Se não bastasse tudo isto, que por si só, já é dose para leão, ainda temos as "travas" que existem em nosso inconsciente, estas, mais difíceis de serem removidas do que qualquer outra. Porque dizemos com tanta convicção que estas travas são as mais difíceis de serem vencidas? Muito simples! Porque como nem sabemos de suas existências, não temos acesso à elas, que agem de maneira autônoma. Você já tentou lutar contra um fantasma? É impossível, porque você não sabe onde ele está, nem mesmo se ele existe. Para que possamos lutar é preciso, em primeiro lugar, sabermos que o inimigo existe. Comprovada sua existência, devemos saber onde está e qual a forma de atingi-lo.

Porém, se nós nascemos com todas estas dificuldades e limitações, é para que possamos descobrir e aprender que esses limites existem para que nós possamos desafiá-los e ultrapassá-los; para que percebamos que nada neste mundo pode nos prender, exceto nós mesmos. O autor Richard Bach, em seu livro "Ilusões" diz: "O pecado original é limitar o Ser. Não o faça. Valorize suas limitações e, por certo, não se livrará delas".

Nenhum limite imposto é tão inexpugnável que não possamos derrubá-lo ou ao menos contorná-lo. Se uma vontade surgiu dentro de nós, de alguma maneira pode ser satisfeita. Quando digo Vontade, não estou me referindo ao desejo efêmero, mas sim àquela determinação de chegar onde se deseja, física, moral, intelectual, social ou espiritualmente. Porém, este caminho para a conquista demanda concentração de energia num esforço pessoal. Existe um conto antigo que fala sobre um rapaz que queria aprender o caminho da espiritualidade. Para isso ele saiu em busca de um monge que morava nas montanhas. No caminho, ele passou na casa de sua mãe para cumprimentá-la, depois encontrou seus amigos que se divertiam e, por fim, viu na rua uma prostituta. Distraído com seus pensamentos, ele chegou ao mosteiro. Perguntou pelo monge e lhe indicaram um velho de barbas brancas sentado à beira de um espelho de água. Ele se aproximou, pediu permissão para sentar ao seu lado e começou a falar de sua intenção. Disse ao monge que gostaria muito de aprender com ele, de escutar sua sabedoria, de desenvolver sua espiritualidade. O monge, que escutava o rapaz, quieto, atento e calmo, de repente, numa atitude completamente inesperada, agarra o rapaz pela cabeça e afunda-o na água. Este, sentindo que ia se afogar, debatia-se desesperadamente, mas o monge não cedia. Depois de um tempo, que para o rapaz pareceu uma eternidade, o monge soltou a cabeça do jovem buscador.. O moço, depois de se restabelecer do susto, ainda estarrecido, pergunta com a voz trêmula: - Por que mestre? Eu vim buscar a espiritualidade e o senhor quase me afogou! O monge, na mesma atitude tranqüila e impassível iniciou um diálogo com o rapaz: - O que você pensou logo que eu coloquei sua cabeça dentro da água? O rapaz assustado responde: - Quando eu vinha vindo, vi uma prostituta e então, pensei que nunca iria conhecer o que é o amor. - Perfeito - responde o monge - e depois, no que pensou? - Depois - disse o rapaz excitado - eu pensei que não ia mais me divertir com meus amigos. - Ótimo - aprova o monge - e depois? - Depois eu pensei na minha mãe - disse o rapaz triste - pensei no desespero que ela sentiria quando soubesse da minha morte. - E o que mais você pensou? - pergunta o monge mais uma vez. - Depois eu não pensei em mais nada, eu só queria respirar! - E depois? - pergunta mais uma vez o monge. - Eu já disse - responde o rapaz um tanto abalado - eu só queria respirar! - E depois? - insiste o monge. - EU SÓ QUERIA RESPIRAR!!! responde o rapaz aborrecido. O monge olha demoradamente o rapaz e dá o veredicto final: - Quando você quiser a espiritualidade tanto quanto foi a sua vontade de respirar, volte aqui pois você estará pronto.

Eu contei, ou melhor, "re-contei" esta história para que entendam o que é a vontade e o quanto ela difere de um simples desejo. Esta Vontade (que coloco em letra maiúscula como uma atitude de respeito), e que nos faz vencer as barreiras, os limites, as dificuldades que a vida nos impõe. É por Ela que nos diferenciamos de toda e qualquer outra criação da Vida. Considere os limites não como um fim, mas como um meio para treinarmos a nossa inteligência e perspicácia para encontrarmos um caminho alternativo. Mas, para que isso aconteça, lembre-se que deve utilizar os conceitos e aprendizados antigos como um caminho para as soluções novas e não como um entrave. Livre-se do determinismo e se livrará do "impossível".

Todos conhecem casos de pessoas mutiladas que pintam, desenham, tocam instrumentos melhor do que outras que tem todos seus membros perfeitos. A dificuldade, para elas, serviu não como um agente limitador, mas como uma alavanca para que procurassem uma alternativa, uma solução diferente da usual. Um caso diferente de libertação do limite físico é o de Ed Morrel, líder ferroviário que, por sua ousadia de lutar contra os "limitadores" do mundo, ficou encarcerado e amarrado por muito tempo. Ele encontrou uma outra forma de ultrapassar sua aparente imobilidade. Ed conseguia "sair" (projetando-se astralmente) de seu corpo físico para continuar seu trabalho, lutando por seu ideal.

A situação "econômica-sócio-cultural" talvez, de todas, seja a mais fácil de ultrapassar, principalmente no mundo ocidental. Temos mil exemplos de pessoas que vieram de um meio pobre e se tornaram grandes empresários, industriais, líderes econômicos e políticos. Encontramos, também, muitos escritores, pensadores, filósofos, cientistas e sábios, oriundos de famílias completamente destituídas de educação e cultura.

Já a libertação emocional é bem mais complicada. Libertar-se de uma dependência emocional, seja ela de uma pessoa, de uma situação, de uma posição alcançada, de um objeto ou de um determinado comportamento que temos, é tarefa para super-homem... A busca emocional é a busca do reconhecimento de sua existência através do outro. Tudo ou todo aquele que "provar" à você que "VOCÊ" está vivo, através da atenção que consiga receber (seja positiva ou negativa) tende a se tornar indispensável à sua sobrevivência. Esta necessidade criada pode se tornar tão forte que toma o ponto principal de sua vida, às vezes de uma maneira tão distorcida, que todo o mais é colocado em segundo plano, até e principalmente, o seu Eu Real. Aquele que diz: "Sem você eu não existo", está realmente falando a verdade pois ainda não conseguiu a sua individuação, sua identidade, seu reconhecimento próprio . Ele depende do outro, pega emprestado a vida do outro para poder sentir-se vivo, isto, porque ainda não se construiu (Vide o alto IBOPE que as novelas conseguem). Para se libertar, é necessário muito reconhecimento, muito confronto, muita destruição de máscaras, muita construção individual, muita honestidade consigo próprio. O que nos anima, é que vemos muitas pessoas que "não podiam viver sem o Joaquim", "sem o BMW", "sem o seu Dr.", "sem os seus discos e livros", descobrirem, na "hora H", que não só podem continuar vivendo sem eles, como podem até viver tão bem ou melhor, se realmente desejarem. A última barreira e a mais difícil, é a libertação de nosso inconsciente. Alguns comportamentos indesejáveis podemos, com esforço, transmutar. Com outros, a dificuldade é maior porque não temos a chave, ela foi perdida em algum tempo, em algum espaço ao qual não temos acesso conscientemente. Aqui chegamos num campo que ntes era restrito aos meios esotéricos: a busca do material que jaz no nosso inconsciente (seja ele do tamanho e do tempo que for). Esta busca pode ser feita mediante um treinamento, um processo "mágicko" interior ou com o auxílio de um profissional especializado nesta área. Quando há a conscientização do agente detonador do processo indesejável, este passa a ser controlável e não controlador. As coisas só existem para nós, a partir do momento que damos reconhecimento a elas. Se você acreditar em uma coisa ou um conceito, eles existirão para você. Se você não acreditar em limitação, ela não existirá. Você poderá então, ser livre... Seja do tamanho que for, as barreiras existem para que nós as derrubemos. Duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço (pelo menos nesta escola-matéria em que estamos). Portanto, devemos destruir algo para que outra coisa possa ser colocada em seu lugar. Se quisermos alcançar a liberdade, ultrapassar a limitação, devemos destruir, dentro de nós, a pseudo-segurança trazida pelo medo, pela acomodação, pela cegueira, pela rotina e pelo tédio. Nem sempre é fácil, mas é possível... Não deixe que as máscaras do mundo lhe enganem:

VOCÊ É UMA ESTRELA FAÇA A SUA VONTADE: BRILHE...

Zelinda Orlandi Hypolito é psicóloga clínica e Vice Presidente do Instituto de Pesquisas Psíquicas IMAGICK, local onde desenvolve cursos, vivências e palestras.

 

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