| Abordagens RISCOS NA EXPERIMENTAÇÃO DE TÓXICOS
Dr.Içami Tiba
Psicoterapeuta
Por negação, ignorância, substimação
ou inadvertência dos riscos, o jovem pode lançar-se à experimentação de tóxicos,
principalmente quando envolve desafios ou auto-afirmações perante seus amigos e pior
ainda, quando perante si mesmo.
A criança acredita nos adultos e recebe deles informações sobre tóxicos que
praticamente não questiona. Tais informações vão fazer parte de seu conhecimento. Com
o surgimento da puberdade, o jovem questiona e redimensiona tais conhecimentos. Agora a
sua curiosidade (antes genérica) torna-se específica e ativamente busca informações
para saciá-la. Neste período frequentemente minimiza informações que chegam dos
adultos (pais, professores, palestristas e etc). Pelo contrário, maximizam as que chegam
de
amigos e companheiros, por sentirem-se genericamente mais identificados com eles. Poucos
anos antes poderia até ser ativamente contra o tabagismo dos pais, mas agora pode ser
fracamente simpatizante do canabismo (fumar maconha). A curiosidade ativa associada à
simpatia pode ajudar o jovem a formar o papel imaginário de experimentar maconha. É
quando o jovem se imagina experimentando maconha. Surgem, então, inúmeras questões:
quando, como e com quem canabisar? Como arrumar maconha? Quais serão seus efeitos? O que
irá sentir? Como não ser descoberto pelos seus pais? Ficará viciado? Nesta hora nem
sequer pensa nos seus próprios problemas o que a maconha lhe significa, no seu aspecto
autodestrutivo. Raramente alguem se lança à experimen-
tação sem antes ter vivido o seu papel imaginário. Portanto, ninguém experimenta
tóxicos de repente, sem pensar. Assim, ninguém canabisa sob pressão ou enganado pelo
outro. Alguns jovens nem chegam a formar o papel
Imaginário, e nem todos que o formam, chegam ao ato de experimentar. Uma etapa é o
imaginar e outra é o realizar.Outros só pelo papel imaginário não precisam nem se
submeter à experimentação para chegar à conclusão
de que não vale a pena experimentar. Os riscos da experimentação de tóxicos po
dem ser avaliados por: intoxicações agudas; alteração da postura psíquica perante o
tóxico: riscos de tornar-se viciado.
Qualquer substância química (todos os tóxicos tem
"suas químicas"}
pode provocar alterações biopsíquicas quando administrada ao nosso cor-
po, por ser alheia à quimica biológica natural. Tais alterações podem ser as mais
simples até provocar a morte e de caráter transitório duradouro e até...
"O tóxico
Internalizado age dentro do jovem minando suas forças",
Dr. Içami Tiba
...definitivo. (Álcool em pequena quantidade:
alterações biopsíquicas simples e transitórias / lança perfume: pode provocar a morte
por parada cardíaca/alucinógeno: pode provocar psicose exotóxica esquizomorfa que
dura enquanto não for tratada psiquiatricamente/ cola de sapateiro: pode provocar
destruição definitiva dos neurônios}.Quando do papel imaginário o jo-
vem lança-se a experiência prática com o tóxico, ele perde o controle sobre a sua vida
naquele momento, pois quem manda nele é o tóxico ingerido. Suas defesas contra o tóxico
ficam enfraquecidas pois ele passa a ter dentro de si, física e ou psiquicamente um pouco
do tóxico. Este tóxico internalizado age dentro do jo-
vem minando suas forças, pois conhece os seus pontos e momentos de vida mais
vulneráveis, quando se sente mais necessitado de algo que normalmente não consegue ou
simplesmente pela rotina do hábito. Assim o tóxico não lhe parece tão prejudicial
quanto no começo, ou tão evitável quanto antes de formar o papel imaginário, mudando
portanto, o seu próprio ponto de vista e consequentemente mudando a sua postura
psicológica perante o uso de tóxicos. A própria tolerância física e ou psíquica do
jovem ao tóxico, associada ao "tóxico Internalizado", pode torná-lo cada vez
mais vulnerável aos tóxicos em geral. Para o vício se estabelecer levo em conta também
três outros fatores: constituição pessoal; meio ambiente; poder viciante do
tóxico. Existem umas pessoas que são mais viciáveis que outras. Não é dado
estatístico oficial mas em média 14% da população é susceptível do vicio. Podem ser
vícios socialmente aceitos para os adultos como o trabalho sufocantemente exagerado, a
necessidade de poder, o fanatismo ideológico ou religioso. Existem, tambem vícios menos
aceitos como o tabagismo e o alcoolismo, e vícios condenados como os tóxicos. A
produção que correspondeo jovem ao trabalho do adulto,é o estudo. São poucos os jovens
viciados em estudar mas já existem os fanatismos ideológicos, religiosos e ou
anti-religiosos, e em maior quantidade os tabagistas, "cervejistas" e os
usuários de tóxicos. Tal susceptibilidade ao vício depende da constituição pessoal.
Raramente alguém vicia-se no que não existe no seu meio ambiente. Como a maconha não
traz visivelmente uma dependência física, o seu corsumo cai muito no período da
entressafra, época em que a oferta da maconha no mercado cai muito. Se al- guem sente
necessidade de consumir tóxicos, quando acaba a maconha, ele parte em busca de outros
substitutivos. Uma das grande contribuições para a propagação do uso de cocaína entre
os jovens foi o fato dos traficantes "apresentarem" cocaína na falta da
maconha. Quem era sómente canabista, não aceitou cocaína. Mas muitos adolescentes
aceitaram e vieram a envolver-se com cocaína. Hoje conhece-se que existem tóxicos que
ativam quimicamente os centros nervosos responsaveis pelo prazer.É um "prazer
químico". Os susceptíveis ao vício sentem. Uma necessidade compulsiva de repetir
tal "prazer quimico", inependentemente do que isto venha a lhes custar. Este é
um dos motivos pelo qual os tóxicos tem seu poderes viciantes. Não sev trata de dado
estatístico oficial mas a maconha tem 50% de poder viciante e a cocaína 80%. Equivale a
dizer que de 10 jovens que "inocentemente" experimentam a maconha, 5 podem
tornar-se canabistas habituais. Independente de seus problemas pessoais e
socio-familiares, um jovem pode se tornar um viciado se constitucionalmente for viciável,
o meio ambiente oferecer o tóxico, e este tóxico tiver poder viciante.
Dr.Içami Tiba é Psicoterapeuta de
adolescentes e autor dos livros Sexo
e Adolescência (Ed. Ática), Puber-
dade e Adolescência (Ed. Agora),
Seja feliz meu filho, abaixo a
irritaçao (Ed Agora), Disciplina, na
medida certa (Ed.Ágora).
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