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RISCOS NA EXPERIMENTAÇÃO DE TÓXICOS
Dr.Içami Tiba
Psicoterapeuta


tiba.jpg (15430 bytes)Por negação, ignorância, substimação ou inadvertência dos riscos, o jovem pode lançar-se à experimentação de tóxicos, principalmente quando envolve desafios ou auto-afirmações perante seus amigos e pior ainda, quando perante si mesmo.
A criança acredita nos adultos e recebe deles informações sobre tóxicos que praticamente não questiona. Tais informações vão fazer parte de seu conhecimento. Com o surgimento da puberdade, o jovem questiona e redimensiona tais conhecimentos. Agora a sua curiosidade (antes genérica) torna-se específica e ativamente busca informações para saciá-la. Neste período frequentemente minimiza informações que chegam dos adultos (pais, professores, palestristas e etc). Pelo contrário, maximizam as que chegam de
amigos e companheiros, por sentirem-se genericamente mais identificados com eles. Poucos anos antes poderia até ser ativamente contra o tabagismo dos pais, mas agora pode ser fracamente simpatizante do canabismo (fumar maconha). A curiosidade ativa associada à simpatia pode ajudar o jovem a formar o papel imaginário de experimentar maconha. É quando o jovem se imagina experimentando maconha. Surgem, então, inúmeras questões: quando, como e com quem canabisar? Como arrumar maconha? Quais serão seus efeitos? O que irá sentir? Como não ser descoberto pelos seus pais? Ficará viciado? Nesta hora nem sequer pensa nos seus próprios problemas o que a maconha lhe significa, no seu aspecto autodestrutivo. Raramente alguem se lança à experimen-
tação sem antes ter vivido o seu papel imaginário. Portanto, ninguém experimenta tóxicos de repente, sem pensar. Assim, ninguém canabisa sob pressão ou enganado pelo outro. Alguns jovens nem chegam a formar o papel
Imaginário, e nem todos que o formam, chegam ao ato de experimentar. Uma etapa é o imaginar e outra é o realizar.Outros só pelo papel imaginário não precisam nem se submeter à experimentação para chegar à conclusão
de que não vale a pena experimentar. Os riscos da experimentação de tóxicos po
dem ser avaliados por: intoxicações agudas; alteração da postura psíquica perante o tóxico:  riscos de tornar-se viciado.

Qualquer substância química (todos os tóxicos tem "suas químicas"}
pode provocar alterações biopsíquicas quando administrada ao nosso cor-
po, por ser alheia à quimica biológica natural. Tais alterações podem ser as mais simples até provocar a morte e de caráter transitório duradouro e até...

"O tóxico Internalizado age dentro do jovem minando suas forças",

Dr. Içami Tiba

...definitivo. (Álcool em pequena quantidade: alterações biopsíquicas simples e transitórias / lança perfume: pode provocar a morte por parada cardíaca/alucinógeno: pode provocar psicose exotóxica esquizomorfa que
dura enquanto não for tratada psiquiatricamente/ cola de sapateiro: pode provocar destruição definitiva dos neurônios}.Quando do papel imaginário o jo-
vem lança-se a experiência prática com o tóxico, ele perde o controle sobre a sua vida naquele momento, pois quem manda nele é o tóxico ingerido. Suas defesas contra o tóxico ficam enfraquecidas pois ele passa a ter dentro de si, física e ou psiquicamente um pouco do tóxico. Este tóxico internalizado age dentro do jo-
vem minando suas forças, pois conhece os seus pontos e momentos de vida mais vulneráveis, quando se sente mais necessitado de algo que normalmente não consegue ou simplesmente pela rotina do hábito. Assim o tóxico não lhe parece tão prejudicial quanto no começo, ou tão evitável quanto antes de formar o papel imaginário, mudando portanto, o seu próprio ponto de vista e consequentemente mudando a sua postura psicológica perante o uso de tóxicos. A própria tolerância física e ou psíquica do jovem ao tóxico, associada ao "tóxico Internalizado", pode torná-lo cada vez mais vulnerável aos tóxicos em geral. Para o vício se estabelecer levo em conta também três outros fatores: constituição pessoal;  meio ambiente;  poder viciante do tóxico. Existem umas pessoas que são mais viciáveis que outras. Não é dado estatístico oficial mas em média 14% da população é susceptível do vicio. Podem ser vícios socialmente aceitos para os adultos como o trabalho sufocantemente exagerado, a necessidade de poder, o fanatismo ideológico ou religioso. Existem, tambem vícios menos aceitos como o tabagismo e o alcoolismo, e vícios condenados como os tóxicos. A produção que correspondeo jovem ao trabalho do adulto,é o estudo. São poucos os jovens viciados em estudar mas já existem os fanatismos ideológicos, religiosos e ou anti-religiosos, e em maior quantidade os tabagistas, "cervejistas" e os usuários de tóxicos. Tal susceptibilidade ao vício depende da constituição pessoal. Raramente alguém vicia-se no que não existe no seu meio ambiente. Como a maconha não traz visivelmente uma dependência física, o seu corsumo cai muito no período da entressafra, época em que a oferta da maconha no mercado cai muito. Se al- guem sente necessidade de consumir tóxicos, quando acaba a maconha, ele parte em busca de outros substitutivos. Uma das grande contribuições para a propagação do uso de cocaína entre os jovens foi o fato dos traficantes "apresentarem" cocaína na falta da maconha. Quem era sómente canabista, não aceitou cocaína. Mas muitos adolescentes aceitaram e vieram a envolver-se com cocaína. Hoje conhece-se que existem tóxicos que ativam quimicamente os centros nervosos responsaveis pelo prazer.É um "prazer químico". Os susceptíveis ao vício sentem. Uma necessidade compulsiva de repetir tal "prazer quimico", inependentemente do que isto venha a lhes custar. Este é um dos motivos pelo qual os tóxicos tem seu poderes viciantes. Não sev trata de dado estatístico oficial mas a maconha tem 50% de poder viciante e a cocaína 80%. Equivale a dizer que de 10 jovens que "inocentemente" experimentam a maconha, 5 podem tornar-se canabistas habituais. Independente de seus problemas pessoais e socio-familiares, um jovem pode se tornar um viciado se constitucionalmente for viciável, o meio ambiente oferecer o tóxico, e este tóxico tiver poder viciante.

Dr.Içami Tiba é Psicoterapeuta de
adolescentes e autor dos livros Sexo
e Adolescência (Ed. Ática), Puber-
dade e Adolescência (Ed. Agora),
Seja feliz meu filho, abaixo a
irritaçao (Ed Agora), Disciplina, na
medida certa (Ed.Ágora).


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