| Abordagens A PROGRAMAÇÃO NEUROLÍNGÜISTICA E A PSICOTERAPIA CORPORAL
Dr.Ana de Melo
Psicoterapeuta
Como psicoterapeuta corporal, sempre tive uma
posição bastante crítica com relação à Programação Neurolinguística. Com a
enxurrada de livros de "auto-ajuda" e "pensamento positivo"no mercado,
aquilo que me parecia mais uma forma "milagrosa"para enriquecer os escritores do
que um estudo realmente sério sobre o comportamento humano. Ao entrar em contato com a
técnica porém, tive uma grande surpresa. Na realidade é tudo muito objetivo, baseado
nas sensações do corpo, na fisiologia. Não existe mágica, embora possa parecer, nem
"milagres", como muitos livros podem querer oferecer. A neurolinguística lida
com sensações que estão registradas no nosso corpo. Tráz à tona sensações
fisiológicas do organismo. É em cima disto que se trabalha, não em cima do ilusório.
Ela começou no início da década de 70 com Richard Bandler e John Grinder. eles se
propuseram a "descobrir" porque algumas pessoas tinham resultados tão
surpreendentes em seu trabalho e outras não. Ou seja, queriam entender as estratégias
mentais utilizadas pelas pessoas consideradas excepcionais em determinada área, de modo
que pudessem ensinar estas habilidades para outras pessoas. O objetivo era entender como
as pessoas fazem para fazer as coisas excepcional mente bem. Na verdade eles não se
preocupavam com os porquês, porque temos tal problema, mas em descobrir os recursos de
que dispomos para resolver este problema. Nós podemos observar o que acontece conosco.
Muitas vezes nós mesmos nos admiramos ao observar algo que fizemos muito bem. Quase não
acreditamos que pudemos fazer aquilo. Pois bem, a PNL pretende ajudar a descobrir e
utilizar os padrões que usamos nestas ocasiões para poder repetí-los ou transferí-los
para outras ocasiões. Nós temos os recursos que precisamos para lidar com as diversas
situações da vida. Só precisamos aprender a acessá-los. Por exemplo, vamos imaginar
uma pessoa que se considere muito insegura no seu trabalho, não consegue ter iniciativa
para sugerir uma mudança, etc. Só que esta mesma pessoa, na sua casa ou em outra
situação qualquer (dirigindo, cozinhando, jogando vôlei) é extremamente confiante, tem
iniciativa... O que se faz é levar esta sensação de confiança que já existe, que o
cérebro já conhece, para aquela situação em que a pessoa sente que não tem. E isto
tem efeito através das sensações corporais, com técnicas em que a pessoa pode fazer
por si mesma, aprendendo a reconhecer e acessar com mais facilidade os seus próprios
recursos. Um princípio muito interessante é que o importante é ficar com a aprendizagem
daquilo que nos acontece na vida. Por exemplo, numa situação em que sentimos muita
raiva, vamos tentar ver o que podemos aprender com aquele fato, ao invés de sermos
possuídos pela sensação de raiva. Porque senão o acontecimento vai embora e o que fica
é a emoção negativa. Quando falamos negativa é porque neste caso ela ficou como
negativa. Toda emoção é importante porque é uma reação normal do organismo, de
proteção, de defesa. Mas quando há um acúmulo desta emoção - porque não foi
convertida em aprendizagem- o nosso organismo se enfraquece e começa a adoecer.
Trabalhando como psicoterapeuta corporal, sabemos que as emoções estão no corpo. É
muito comim que com a educação que recebemos, nós cortemos o contato com as emoções e
sensações, buscando não sofrer diante das situações da vida. Esta falta de contato
com as nossas emoções nos torna muitos duros e insensíveis. No caso, uma reação que
foi usada inicialmente como defesa (quando crianças, para não sofrermos) torna-se
crônica. Ficamos insensíveis em relação aos nossos sentimentos e com certeza em
relação aos das outras pessoas. Tudo isto vai gerando muita confusão dentro de nós
porque estes sentimentos e emoções continuam lá, mas não conseguem sair de uma maneira
espontânea. O que acontece então são os enormes desvios que vemos na nossa sociedade.
Esta energia sai da maneira mais explosiva possível: pela violência, pela sexualidade
descontrolada e sem afetividade ou pelas doenças. Isto porque a energia tem que sair de
alguma maneira. Se não tem uma descarga natural, vai sair de forma destrutiva,
auto-destrutiva, ou de ambas as formas. É muito importante então restabelecer um contato
com este corpo, entendendo e "limpando"estas emoções. Aprendendo a usar as
sensações corporais e nossos recursos internos mudamos padrões repetitivos e
encontramos novas respostas diante da vida. A associação da neurolinguística com a
psicoterapia corporal me parece extremamente importante porque abre um leque enorme de
possibilidades na área do comportamento humano. A neuro-linguística tem recursos e
técnicas que ensinam a usar a nossa mente e o nosso corpo de maneira criativa, buscando
mais opções de resposta diante das situações, a sair da "mesmice". Diante de
um mesmo acontecimento podemos ter mais escolhas. Não precisamos reagir sempre de maneira
repetitiva, o que na maioria das vezes é a própria razão da neurose. E a psicoterapia
corporal nos dá os recursos necessários para o resgate deste corpo, das sensações
muitas vezes adormecidas e geradoras de doenças. E o que me parece mais importante é
que, ao aprendermos (ou lembrarmos) que as respostas, que os recursos, estão dentro de
nós mesmos, saímos da mesma posição de sermos "efeito"na vida para nos
tornarmos causa. Nós somos responsáveis pelo que acontece conosco. Podemos não
conseguir mudar o mundo, mas mudamos com certeza a maneira como reagimos ao mundo e aos
desafios que nos são colocados. Saímos da posição de vítima e vamos para uma
posição de aprendizagem, de responsabilidade por nós mesmos, pela nossa felicidade e
pela conquista dos nossos objetivos.
Ana M. F. de Mello é Psicoterapeuta corporal
(Reichiana e Neoreichiana) Practitioner em programação Neurolinguística.
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